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Professora brincando com alunos que entregaram o relatório descritivo para início das aulas letivas.

6 passos para fazer o relatório descritivo da criança autista para o ambiente escolar

Relatório descritivo é o documento que detalha um conjunto abrangente de dados sobre a criança autista, como seus avanços no desenvolvimento, as intervenções em andamento e suas particularidades comportamentais.

Nas escolas, este relatório tem como função auxiliar a equipe pedagógica quando surgem dúvidas práticas, como “quais são as estratégias de estímulo mais adequadas para o desenvolvimento desse aluno?” ou “qual a melhor forma de abordar tal comportamento?“.

O relatório descritivo é importante porque a escola é um dos ambientes em que muitas crianças no TEA passam grande parte de seu tempo e representa uma oportunidade singular para o desenvolvimento de habilidades de comunicação, socialização e convivência em grupo.

Portanto, para a criança autista receber o suporte necessário de professores e colegas de classe, é essencial que a equipe escolar tenha informações detalhadas sobre ela, tanto em relação às suas potencialidades quanto aos seus desafios.

Ferramentas como a carta de apresentação e o relatório descritivo são oportunidades excelentes para que tanto a família quanto a equipe responsável pelo desenvolvimento da criança no TEA auxiliem a escola a garantir o respeito e acolhimento necessários para o aprendizado daquela pessoa.

No entanto, o processo de escrever, seja um relatório descritivo do aluno autista ou uma carta de apresentação, pode ser desafiador para a família ou para profissionais que não sabem bem por onde começar ou o que adicionar.

Neste texto, você verá 6 passos para montar o relatório descritivo de uma criança autista e, ao final, temos um modelo próprio para você baixar e usar com sua criança!

O que é um relatório descritivo?

O relatório descritivo é um instrumento de avaliação qualitativa utilizado para descrever detalhadamente o desenvolvimento, as habilidades, o comportamento e a forma de aprendizado de uma pessoa. No caso das crianças autistas, ele fornece uma visão aprofundada sobre como elas interagem com o mundo ao seu redor, destacando suas facilidades e os desafios enfrentados no dia a dia.

No contexto do TEA, este documento é elaborado pelos profissionais da equipe multidisciplinar que acompanham o desenvolvimento da criança fora da escola, como psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

Sua finalidade é traduzir o acompanhamento clínico para a realidade da sala de aula, fazendo com que os educadores compreendam o perfil do aluno para além do diagnóstico.

Para cumprir esse objetivo, o relatório descritivo deve conter detalhes clínicos e práticos da vida da criança autista. Alguns dos itens indispensáveis na estruturação do documento incluem:

  • histórico médico e idade em que recebeu o diagnóstico;
  • nível de suporte necessário;
  • respostas da criança às intervenções atuais;
  • uso de medicamentos; e
  • desafios na coordenação motora fina e grossa que podem impactar processos como a alfabetização e a escrita.

Além de orientar o dia a dia do professor, esse compilado de informações atua como a base principal para a construção do Plano Educacional Individualizado (PEI).

É através do cruzamento dos dados fornecidos pela equipe clínica com as metas escolares que os pedagogos conseguem adaptar o currículo, as metodologias e o ambiente físico para garantir a inclusão do aluno no Transtorno do Espectro Autista.

Entenda mais sobre como funciona a inclusão de alunos autistas através do Plano Educacional Individualizado: PEI para autistas: o que é e como auxilia o aprendizado.

Qual a diferença entre um relatório descritivo e a carta de apresentação de crianças autistas?

A maior diferença entre o relatório descritivo e a carta de apresentação é quem os elabora. O relatório descritivo é elaborado pelos profissionais que acompanham a criança, com foco em áreas do desenvolvimento infantil, enquanto a carta de apresentação pode ser escrita pelos próprios pais ou cuidadores, com as principais informações, características e preferências da criança autista.

Contudo, tanto um relatório descritivo quanto uma carta de apresentação são documentos cujo objetivo é fornecer informações detalhadas sobre a criança autista, destacando suas singularidades, como:

  • características;
  • necessidades;
  • habilidades; e
  • desafios específicos.

Eles podem, inclusive, ser entregues juntos para a escola.

O relatório descritivo, junto da carta de apresentação, fornecerão uma análise abrangente da criança no TEA, incluindo:

  • histórico médico;
  • diagnóstico;
  • desenvolvimento cognitivo;
  • habilidades de comunicação;
  • comportamentos sociais e sensoriais;
  • estratégias de intervenção eficazes para aquela criança.

Saber o que funciona para a criança no TEA é fundamental para os professores de educação infantil que a acompanharão na jornada de aprendizado.

Assim, eles terão o melhor entendimento sobre como organizar as estratégias de suporte à criança em momentos de sobrecarga sensorial, por exemplo, dentre outras situações desafiadoras às quais ela será exposta na escola.

Já os dados da carta de apresentação ajudarão a comunidade escolar a entender do que a criança gosta, do que ela não gosta e o que ela está acostumada — informações que, muitas vezes, são transmitidas pelas crianças neurotípicas, mas que, no caso de algumas crianças autistas, pode ser algo desafiador durante o período da educação infantil.

Por que fazer um relatório descritivo da criança autista para educadores?

O relatório descritivo funciona como uma fotografia do momento atual da criança autista e do repertório que ela já construiu, proporcionando:

  • uma visão unificada sobre o perfil da criança, garantindo que educadores, terapeutas e familiares a compreendam sob a mesma ótica;
  • o alinhamento das abordagens práticas, para que as estratégias de acolhimento e ensino sejam consistentes dentro e fora de casa;
  • a flexibilidade para realizar ajustes de rota nas intervenções, já que o acompanhamento documentado torna a percepção de avanços ou barreiras muito mais clara para todos os envolvidos.

Outro motivo para entregar o relatório descritivo à instituição escolar é pelo fato de a escola ser o ambiente em que a criança autista passará muitos anos de sua vida.

Como o espectro se manifesta de forma única em cada pessoa, o desenvolvimento da criança exige o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, que deve aplicar um modelo clínico personalizado, pautado em rigor científico e, acima de tudo, que engaje todas as pessoas que fazem parte da rotina dela.

O tempo em sala de aula é valioso para a construção de habilidades sociais e comunicativas da criança autista, além de oferecer ferramentas práticas para que essa criança aprenda a lidar com os desafios do dia a dia.

Por isso, tanto o relatório descritivo quanto a carta de apresentação devem ser documentos vivos. Ou seja, devem estar sempre atualizados conforme as mudanças no desenvolvimento da criança.

Por que e como fazer uma carta de apresentação de crianças autistas?

Para garantir um acolhimento completo, o ideal é que uma carta de apresentação, também conhecida como suporte visual, seja elaborada e entregue à escola junto do relatório descritivo.

Enquanto o relatório orienta a equipe pedagógica com dados clínicos e técnicos, a carta funciona como uma ferramenta acessível para facilitar a socialização da criança no ambiente escolar.

Uma excelente estratégia é escrever a carta na perspectiva da criança, como se ela mesma estivesse se apresentando para a turma. Por exemplo:

Olá, eu sou a Carol. Tenho 5 anos e recebi meu diagnóstico de autismo nível 2 há pouco tempo. Este relatório é para você me conhecer melhor e saber como pode apoiar meu desenvolvimento na escola.

O documento deve ser simples e direto, abordando tópicos que incluem:

  • o que a criança mais gosta (itens, brincadeiras, alimentos, interação social);
  • o que a deixa desconfortável (luzes, sons, toques, texturas, sabores);
  • o que a deixa triste, desorganizada, brava, e qual a melhor forma de auxiliá-la nessas situações;
  • quais são seus maiores potenciais;
  • se possui alguma alergia, algo que não possa entrar em contato, algum cuidado necessário;
  • como é o sono e a alimentação dessa criança (esse relato é importante para as pessoas que a acompanham se atentarem ao longo do dia);
  • quais são seus maiores desafios; e
  • como os colegas e professores podem auxiliá-la no dia a dia.

Essa abordagem torna a educação infantil muito mais inclusiva e acolhedora. Inclusive, os professores podem expandir essa proposta para todos os alunos da sala — afinal, o respeito às singularidades e diferenças beneficia a todos.

Ao entregar o relatório descritivo e a carta de apresentação em conjunto, a família e a equipe multidisciplinar fornecem à escola todo o embasamento prático e técnico necessário para garantir o suporte adequado e a verdadeira inclusão do aluno autista.

6 passos para escrever um relatório descritivo

Após compreender o que é e para que serve um relatório descritivo, aqui estão os 6 passos principais para escrevê-lo de forma eficaz:

  1. descreva o histórico médico e de intervenção da criança;
  2. liste as características de desenvolvimento;
  3. aborde as estratégias terapêuticas;
  4. comente as evoluções da criança;
  5. crie uma seção de perguntas e respostas;
  6. revise o relatório periódicamente.

Estes passos serão abordados com mais detalhes nos tópicos a seguir.

1. Descreva o histórico médico e de intervenção da criança

A primeira seção do relatório descritivo serve para contextualizar a equipe escolar sobre a jornada de saúde e os acompanhamentos atuais do aluno no TEA. Essa visão geral é essencial para os professores compreenderem as necessidades básicas da criança autista antes mesmo de focar no aprendizado.

Neste tópico, certifique-se de incluir:

  • idade do diagnóstico e histórico médico, destacando marcos importantes da vida da criança;
  • as comorbidades da criança, caso existam, como TDAH, epilepsia ou questões gastrointestinais que demandem atenção;
  • intervenções em andamento e rotina, especificando quais profissionais acompanham a criança, como fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional;
  • uso de medicamentos, com detalhes de horários de administração, especialmente se ocorrerem durante o período letivo, e os possíveis efeitos colaterais que podem ocorrer em sala de aula;
  • marcos do desenvolvimento motor, apontando se há dificuldades na coordenação motora grossa, como correr e pular, ou fina, como segurar o lápis e usar tesoura.

Em resumo, o objetivo aqui é registrar qualquer dado clínico e de saúde que impacte diretamente o bem-estar, a segurança e a rotina do aluno autista no ambiente escolar.

2. Liste as características de desenvolvimento

Nesta etapa, o relatório descritivo deve detalhar o perfil da criança em áreas fundamentais do desenvolvimento. O objetivo é fornecer à equipe escolar uma visão clara e individualizada de como o aluno autista interage com o ambiente e com o processo de aprendizagem.

É essencial que os dados sejam descritos em linguagem acessível para garantir que todos os educadores compreendam o material. A seção deve detalhar pontos como:

  • aspectos cognitivos: como a criança processa informações e assimila novos conhecimentos;
  • aspectos psicomotores: o desenvolvimento da coordenação motora fina e grossa;
  • perfil sensorial: possíveis hipo ou hipersensibilidades a estímulos do ambiente, como sons, luzes e texturas;
  • desafios comportamentais: como o aluno lida com frustrações ou mudanças na rotina escolar;
  • conteúdos acadêmicos: as facilidades observadas ou os desafios específicos com as atividades propostas;
  • habilidades sociais: a forma como interage com as pessoas ao redor;
  • linguagem e comunicação: o uso de comunicação verbal ou a necessidade de recursos alternativos e aumentativos;
  • sono e alimentação: hábitos de rotina que podem refletir na disposição e no humor durante a aula;
  • habilidades de vida diária: o nível de autonomia do aluno para atividades de autocuidado, como ir ao banheiro ou organizar seus pertences.

Ao compreender essas características singulares, a equipe pedagógica ganha clareza sobre as principais necessidades de suporte do aluno.

Para complementar essa visão e direcionar as ações práticas na escola, o relatório deve avançar para as orientações técnicas, detalhando as estratégias terapêuticas recomendadas.

3. Aborde as estratégias terapêuticas

Nesta seção, o documento deve apresentar as práticas recomendadas para promover o desenvolvimento, a autonomia e a inclusão da criança de forma eficaz. O foco é fornecer orientações claras e aplicáveis ao dia a dia escolar, traduzindo o trabalho da equipe clínica para a sala de aula. Esse bloco pode incluir:

  • orientações sobre como atuar como parceiro de comunicação, especialmente caso o aluno utilize recursos de Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA);
  • diretrizes para acolhimento e regulação, que detalham como ajudar a criança a se acalmar durante crises ou momentos de desorganização emocional;
  • instruções práticas para a aplicação de suportes visuais que facilitem a previsibilidade na rotina da educação infantil;
  • ferramentas e repertório para auxiliar o aluno na resolução de problemas e nos pequenos conflitos diários;
  • dicas de condução sobre como auxiliar a criança a acompanhar o ritmo do grupo e a compreender claramente o que é esperado dela nas atividades.

Quando a escola, a família e os terapeutas adotam as mesmas abordagens, a criança ganha previsibilidade. Essa consistência aumenta as chances de ela compreender a dinâmica do ambiente, engajar-se nas propostas e responder de forma positiva aos estímulos.

Banner sobre a Rede Genial de terapeutas com mulher segurando uma prancheta de anotações e um criança sorrindo com os braços levantados.

4. Comente as evoluções da criança

Durante a trajetória escolar, especialmente nas transições de ano letivo, é comum que os alunos passem por trocas de professores. Nesse contexto, o relatório descritivo ganha também a função de um documento histórico da vida educacional da criança autista.

Para garantir que o conhecimento sobre o aluno não se perca e que a nova equipe pedagógica compreenda todo o processo pelo qual ele já passou, é fundamental documentar suas conquistas.

Uma excelente prática é incluir uma seção dedicada a essas vitórias, que pode ser nomeada como “o que eu já aprendi”.

Registrar as habilidades consolidadas evita retrocessos nas abordagens de ensino e ajuda os educadores a traçarem metas futuras com muito mais precisão.

5. Crie uma seção de perguntas e respostas

Assim como o espectro autista se manifesta de forma singular em cada criança, a dinâmica de cada escola e de cada turma também possui suas próprias particularidades. Por isso, é preciso garantir que o relatório sane todas as dúvidas do dia a dia pedagógico.

É natural que os educadores tenham perguntas específicas sobre como lidar com determinadas situações e sobre como oferecer o melhor acolhimento possível para aquele aluno.

Pensando nisso, incluir uma seção de perguntas frequentes, ou abrir um canal contínuo para registrar e responder aos questionamentos do professor, é essencial.

Esse espaço personalizado garante que o relatório cumpra sua função principal: auxiliar os profissionais da educação infantil e assegurar que a criança autista receba o suporte necessário para continuar se desenvolvendo.

6. Revise o relatório periódicamente

A criança autista, assim como qualquer pessoa em fase escolar, passa por transformações contínuas ao longo do tempo. Ela adquire novas habilidades, novos repertórios para lidar com o mundo, muda de interesses e supera antigos desafios. Por isso, o relatório descritivo não pode ser tratado como um arquivo estático.

É fundamental estabelecer uma periodicidade junto à equipe multidisciplinar para revisar e atualizar as informações contidas no material. Assim, é possível garantir que elas reflitam com exatidão o momento da criança.

Este último passo é fundamental para os profissionais da educação infantil terem acesso aos dados corretos e mais recentes para oferecer o melhor suporte possível, mantendo o respeito à individualidade e ao ritmo de aprendizagem da criança no TEA.

Conclusão

Como você viu, o relatório descritivo e a carta de apresentação são ferramentas essenciais para fornecer um panorama abrangente sobre a criança autista.

Juntos, esses documentos reúnem informações vitais para o planejamento do ambiente escolar, que incluem:

  • histórico médico;
  • diagnóstico;
  • desenvolvimento cognitivo;
  • habilidades de comunicação;
  • perfil sensorial; e
  • as estratégias de intervenção mais eficazes.

A aplicação prática desses dados desempenha um papel indispensável para facilitar o acolhimento e o suporte ao aluno no TEA. O cruzamento dessas informações com a rotina educacional é o que realmente promove um ambiente inclusivo, ajudando a construir pontes de comunicação sólidas entre a criança, a família, os terapeutas e a escola.

Para facilitar esse processo e garantir que nenhuma informação importante fique de fora, disponibilizamos um material prático para você.

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14 respostas para “6 passos para fazer o relatório descritivo da criança autista para o ambiente escolar”

  1. Olá, vocês poderiam disponibilizar um modelo de pei de criança autista da educação infantil? Para podermos ter um norte?

  2. Olá, sou auxiliar de desenvolvimento de dois alunos do 4° ano e as orientações aqui apresentadas foram fundamentais para que eu possa desenvolver um relatório para cada uma delas. Uma com TEA e outra com TOD

    • Olá, Ana Paula. Como vai? Esperamos que muito bem.

      Nós que agradecemos pelo seu relato. Para nós é importante saber que nossos conteúdos ajudam mais e mais pessoas no entendimento do espectro autista.

      Abraço.

  3. Adorei as orientações. Sou professora é a primeira vez que estou com uma turma de maternal crianças de 2 a 3 anos. Nesta turma tenho 3 alunos com TEA. Isso me deixa bastante angustiada do que posso fazer para ajudar meus pequeninos os 3 são não verbal. O que posso fazer pra eles desenvolver a fala?

    • Olá, Claudiane. Como vai? Esperamos que muito bem.

      Nós que agradecemos. É muito bom ler seu comentário. Assim, estamos alcançando o objetivo de informar pessoas sobre o espectro autista.

      Abraço.

    • Olá, Nancy. Como vai? Esperamos que muito bem!

      Agradecemos imensamente seu comentário. Esperamos que nossas dicas possam realmente ajudar você. Contem sempre conosco.

      Abraço!

  4. Parabéns 👏👏👏 utilizou uma linguagem clara e elucidativa, transcorrendo pontualmente nos sinalizadores acadêmicos.

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