É autismo, e agora? estereotipias: criança brincando com blocos

O que são estereotipias e como trabalhá-las no autismo

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Gabriela Bandeira

24 de novembro de 2021

7 minutos

Estereotipias ou stims são movimentos repetitivos bem comuns em pessoas com autismo. Normalmente, elas acontecem quando a pessoa recebe muitos estímulos ao mesmo tempo e precisa de ajuda para controlá-los e lidar com determinada situação.

A presença de estereotipias pode levar as famílias a buscar ajuda para o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), se estiver acompanhada de outros sinais comuns.

Mas afinal, as estereotipias são problemáticas e precisam ser eliminadas? Qual a melhor intervenção para acabar com esses movimentos? Como entender por quê eles acontecem com tanta frequência? É o que explicamos neste artigo. Confira!

O que são estereotipias?

As estereotipias são movimentos repetitivos que o indivíduo faz ao longo dos dias. A presença delas de forma frequente é um dos sinais que podem indicar o TEA. Isso porque uma das características apontadas como díade do autismo, junto a dificuldades na comunicação e interação social é justamente a existência de padrões de comportamento restritos e repetitivos.

Outro termo comum para as estereotipias é stims, do inglês, “estímulo”. Essa nomenclatura é a mais usada por pessoas autistas para se referir a esses comportamentos. Principalmente porque elas acreditam e reforçam que o principal objetivo desses movimentos é ajudar a controlar os estímulos excessivos que muitas vezes podem causar crises e comportamentos desafiadores.

Principais estereotipias em autistas

Existem diversas estereotipias que podem fazer parte da vida da pessoa com autismo. Algumas das mais comuns são:

  • Agitar as mãos;
  • Balançar o corpo;
  • Bater os pés;
  • Girar objetos ou o próprio corpo;
  • Repetir sons.

É interessante explicar que as estereotipias não são movimentos comuns apenas para pessoas no espectro. Pelo contrário, até mesmo pessoas neurotípicas podem – e apresentam – muitos movimentos repetitivos, como:

  • Bater os pés no chão;
  • Bater as mãos sobre a mesa;
  • Cruzar e descruzar as pernas;
  • Estalar os dedos;
  • Morder a tampa da caneta.

Mesmo que a gente não perceba, muitas vezes repetimos esses movimentos estereotipados várias vezes ao longo do dia, especialmente em momentos de estresse e ansiedade. A única diferença é que neurotípicos tendem a ter um controle maior desses comportamentos e conseguem controlá-los quando estão em público, por exemplo.

É necessário reduzir ou acabar com as estereotipias no autismo?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as estereotipias não precisam necessariamente ser retiradas. Isso porque elas têm a função de ajudar na regulação emocional da pessoa com TEA.

Os únicos casos em que é ideal usar as estratégias baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para reduzir ou eliminar estereotipias são quando elas podem causar problemas físicos para o indivíduo ou para outras pessoas ao redor. Ou seja, quando são autolesivas ou lesivas.

No entanto, um dos motivos mais alegados pela família é o fato de que esses movimentos geram estranhamento quando feitos em público. Mas, como dissemos anteriormente, movimentos estereotipados não são comuns apenas em pessoas no TEA, e sim em todos nós.

Por isso, querer acabar com um movimento que pode ajudar na regulação de alguém apenas pelo fato de querer estabelecer um padrão de normalidade perante a sociedade, além de não ser indicado por profissionais, pode atrapalhar a qualidade de vida da pessoa com autismo.

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Referências

As estereotipias são movimentos repetitivos bastante comuns em pessoas com diagnóstico de autismo.

Qual é a sua relação com a criança autista?*