Suspeita de autismo autismo: imagem mostra bebê com bloco de brinquedo na boca e olhando diretamente para a câmera

Autismo: sintomas, graus, testes, tratamentos e muito mais!

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Gabriela Bandeira

04 de maio de 2021

10 min.

O autismo – ou Transtorno do Espectro do Autismo – é um transtorno do neurodesenvolvimento que impacta habilidades sociais e outros comportamentos do indivíduo, além de trazer dificuldades na interação social, mudando a forma como aquela pessoa percebe e se comunica com o mundo. 

Neste artigo, explicamos tudo que você precisa saber sobre o TEA, sinais de alerta, graus de autismo, testes, tratamento e muito mais. 

O que é autismo?

Para começar, o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta aspectos como engajamento ativo, comunicação funcional e regulação emocional. Seus sintomas podem ser percebidos ainda na primeira infância. 

Crianças e adultos com TEA podem apresentar diferentes níveis de necessidade de suporte. O que significa que, enquanto alguns têm facilidade de realizar qualquer atividade pessoal e da vida diária, outros precisam de apoio para as atividades básicas, como tomar banho, se vestir e se alimentar.

Sinais de autismo

Normalmente, os sinais de atraso no desenvolvimento que podem causar suspeita de autismo são notados quando a criança tem entre 18 meses e três anos de idade. 

Mesmo quando bebês, crianças no espectro apresentam características como foco excessivo em determinados objetos e raro contato visual. Em alguns casos, a criança parece se desenvolver tipicamente até o segundo ano de vida e começa apresentar os sinais de autismo após esse período, é o que especialistas chamam de autismo regressivo.

Díade do autismo

Manuais como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria) e a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças e Transtornos Mentais, da Organização Mundial da Saúde), determinam as características que compõem o espectro autista como “díade do autismo”: dificuldades na comunicação e interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento.

Dificuldades na comunicação social e interação social

  • Ausência ou dificuldade de fala são algumas das características mais comuns em autistas. Muitas vezes, apresentam compreensão reduzida da fala, fala em eco, dificuldade de entonação e uso de linguagem exclusivamente literal.
  • Falta ou ausência de contato visual. Muitas crianças autistas, desde muito pequenas, não costumam fixar o olhar nos olhos de uma outra pessoa diante de uma interação ou conversa. Têm também dificuldades com gestos,  expressões faciais e corporais.
  • Imagem corporal rígida, exagerada, ou diferente do esperado pelos padrões sociais, o que está diretamente relacionado à dificuldade para coordenar a comunicação não verbal com a fala.
  • Dificuldade em entender e compartilhar emoções, o que implica em dificuldades para brincar com outras crianças, fazer amizades, iniciar interações e se relacionar com os outros.
  • Prejuízos na interação social. Muitos autistas, mesmo adultos, têm dificuldade no processamento de respostas a situações sociais mais complexas, como, por exemplo, saber quando entrar em uma conversa, ou o que se deve ou não dizer. Pessoas diagnosticadas com autismo raramente dominam essas habilidades sociais, e não entendem ironias e possíveis mentirinhas ou brincadeiras.

Comportamentos restritivos e repetitivos

  • Fixação ou fascínio por certos objetos. Normalmente se manifesta pela criação de rituais e fixações por certos temas, brinquedos, objetos, personagens etc. É comum utilizarem brinquedos de maneira peculiar, que lhes seja interessante, e podem também ter certo fascínio por luzes e objetos que piscam e giram.
  • Movimentos repetitivos com o corpo ou fala. Com seus próprios corpos, abanam as mãos, estalam os dedos, e balançam o corpo. Por meio da fala, apresentam ecolalia de palavras, frases e letras, ou seja, repetição mecânica de palavras ou frases que ouvem.

Nem todas as pessoas com autismo apresentam todos os sinais e muitas que não estão no espectro podem apresentar alguns deles. É por esse motivo que a avaliação profissional é fundamental.

Sintomas de autismo na primeira infância 

Durante a primeira infância (de 0 a 6 anos), existem alguns marcos do desenvolvimento que, se não atingidos, podem ser sinais de alerta para que a família busque ajuda médica. Entre os principais, estão: 

  • Demora para desenvolver a fala; 
  • Insistência na rotina ou “birras” quando algo foge do controle;
  • Pouco ou nenhum contato visual.

sintomas de autismo na primeira infância

Outras duas condições também podem aparecer cedo: 

Ecolalia

Distúrbio de linguagem, definida como a repetição em eco da fala do outro. Normalmente, a pessoa com autismo tende a repetir palavras ou frases que ouviu na televisão ou em conversas, sem intenção de se comunicar.. 

Estereotipias 

Os comportamentos repetitivos também são muito comuns no TEA. Muitos deles podem ter a função de regulação emocional. 

Sinais de autismo na segunda infância 

Já durante a segunda infância (até 12 anos), os sinais do atraso no desenvolvimento aos quais a família precisa estar atenta são: 

  • Dificuldade em entender letras bastão e cursivas;
  • Percepção menos realista sobre o mundo;
  • Dificuldade em estabelecer relações de amizades sólidas. 

sinais de autismo na segunda infância

Para conhecer mais sobre os marcos do desenvolvimento na segunda infância, leia nosso texto. 

Sinais de autismo em adultos

Com o maior avanço e conscientização do autismo, tem sido cada vez mais comum ver pessoas adultas descobrindo o diagnóstico. Nesse caso, os sinais de alerta na primeira e segunda infância são os mesmos já descritos anteriormente. 

Na vida adulta, o que se torna mais evidente são sinais como:

  • Dificuldade em desenvolver habilidades sociais;
  • Dificuldade em entender figuras de linguagem, como ironias e metáforas;
  • Dificuldade em se ajustar no mercado de trabalho;
  • Insistência na mesmice ou dificuldade em lidar com mudanças na rotina.

sinais de autismo em adultos

Vale ressaltar que, para que o diagnóstico seja traçado mesmo na vida adulta, é preciso que esses sinais tenham se iniciado durante a infância e persistido até a vida adulta. 

Níveis de autismo

Tanto o DSM quanto a CID classificam o diagnóstico de TEA de acordo com o nível de necessidade de suporte, ou seja, autismo nível 1, 2 ou 3.

Assim, autistas que conseguem realizar as atividades diárias de forma independente e com pouca ajuda podem estar no nível 1 e aqueles que precisam de mais suporte nessas e em outras etapas do desenvolvimento podem estar no nível 3.

Essa nomenclatura também pode aparecer como “graus de autismo” em alguns momentos. Aqui, você pode ouvir falar também em: 

Autismo e transtornos globais do desenvolvimento

Até a versão mais recente do DSM e da CID, o autismo era citado dentro do que conhecemos como transtornos globais do desenvolvimento. Nesta classificação, diagnósticos hoje descontinuados como autismo infantil e Síndrome de Asperger eram bem comuns.  

A partir tanto da quinta edição do DSM quanto da 11ª edição do manual da CID, o diagnóstico de autismo passou a acontecer dentro do que conhecemos como Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Como é feito o diagnóstico de autismo?

Ao contrário de outras condições, não existe um exame sanguíneo que possa detectar o autismo. O TEA é diagnosticado clinicamente por médicos e psicólogos, com base na observação clínica, entrevistas com a família ou pessoas próximas e aplicação de testes em uma avaliação neuropsicológica. 

Existe teste de autismo online?

É importante reforçar que não existe um teste online para diagnosticar o TEA. Por isso, questionários famosos, como o teste do Ursinho Pooh, não têm como determinar se aquela pessoa está ou não no espectro. 

Ainda assim, existem alguns questionários que podem servir como ponto de partida para buscar ajuda médica e especializada e conseguir traçar o diagnóstico. Conheça alguns deles: 

  • M-CHAT: : A escala Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT) é um instrumento de rastreamento precoce de autismo, com objetivo de identificar indícios do TEA em crianças entre 18 e 24 meses. Sua aplicação pode ser feita tanto pela família quanto por profissionais clínicos. Acesse a escala e preencha o formulário;
  • Questionário de Quoficiente Autista (QA): também conhecido como teste do autismo leve ou teste da Síndrome de Asperger, mede a extensão de traços autistas em pessoas adultas. Disponível para responder online.

É importante observar que não existe um tempo pré-determinado para que a equipe de profissionais responsável feche o diagnóstico. Mas não é preciso esperar por ele para que a família ou a própria pessoa inicie intervenções para melhoria da qualidade de vida e aquisição de habilidades.

Quais são as intervenções para o autismo? 

Ao contrário do que muitas famílias pensam, não é necessário ter o diagnóstico de autismo fechado para iniciar as intervenções. Os atrasos no desenvolvimento podem ser estimulados por uma equipe que atua de forma multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar, mesmo enquanto os pais ainda estão em investigação para conseguir o laudo médico.Aliás, quanto antes esta intervenção começar, melhor.

É importante destacar que qualquer criança com autismo pode aprender devido à neuroplasticidade, que é a habilidade do cérebro de estabelecer novas conexões, que são marcos do aprendizado. A única diferença é que algumas pessoas com TEA precisam de mais atenção e estratégias que estimulem esse aprendizado.

Prática baseada em evidências

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as intervenções indicadas para pessoas com desenvolvimento atípico, especialmente o autismo, devem ser baseadas em práticas com evidências científicas. Ou seja, estratégias que já foram alvo de pesquisas e estudos e apresentaram resultados clínicos importantes. 

Em 2014, a Associação para a Ciência no Tratamento do Autismo (ASAT, na sigla em inglês), publicou o Evidence Based Medicine (EBM), que analisou 20 anos de intervenções para TEA em diversas áreas relacionadas à Análise do Comportamento Aplicada (ABA), e identificou a existência de 28 práticas baseadas em evidências para o TEA que atingiram todos os critérios propostos pela revisão. Destas, 23 eram baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

ABA para autismo

A Análise do Comportamento Aplicada é uma ciência cujas estratégias ajudam a desenvolver habilidades e manejar comportamentos desafiadores. Ela é indicada em diversas situações, inclusive para o autismo. 

Na prática, o objetivo da ABA é desenvolver uma avaliação individual de cada pessoa e, a partir daí, elaborar estratégias que possam ajudar no aprendizado de novas habilidades necessárias para o desenvolvimento saudável e na redução de comportamentos desafiadores.

Diversas terapias e intervenções para o TEA podem ser baseadas na ciência ABA. 

Outras práticas, como o Método Denver, também são baseadas na ABA. E outras intervenções, como a psicomotricidade, ainda seguem sendo estudadas para entender a relevância dos seus resultados para o TEA.

Equipes multidisciplinares, transdisciplinares ou interdisciplinares

Como as características de cada pessoa no espectro podem variar muito, esse processo de intervenção é individualizado e conta com uma equipe multidisciplinar, transdisciplinar ou interdisciplinar. 

Os profissionais que compõem essas equipes são sempre os mesmos: 

  • Psicólogo;
  • Acompanhante terapêutico;
  • Fonoaudiólogo; 
  • Terapeuta ocupacional.

O que difere, no entanto, é a forma como a equipe vai trabalhar, cada um com sua especialidade, nas intervenções: 

Equipe multidisciplinar

equipe multidisciplinar

Ainda que haja um tema que norteie todo o planejamento (o autismo), cada profissional traz o conteúdo para dentro do seu contexto ou especialidade

Equipe interdisciplinar

equipe interdisciplinar

Integra diferentes áreas do conhecimento com um objetivo comum;

Equipe transdisciplinar

equipe transdisciplinar

Profissionais de diferentes áreas do conhecimento atuam em conjunto. Não há divisão de conhecimento, nem hierarquia entre eles. Isto é, os conhecimentos fazem parte do todo e nenhum é considerado mais importante do que o outro.

Orientação e treinamento parental

A presença dos pais também é essencial nesse processo, uma vez que são eles que passam a maior parte do tempo ao lado da criança e são os professores mais naturais dela. Estudos já realizados demonstram que a aplicação de práticas baseadas em evidências têm mais eficácia quando acompanhada do treinamento de pais.

É importante ressaltar ainda que a orientação e treinamento parental não tem como objetivo transformar as pessoas cuidadoras em terapeutas. Pelo contrário, a intenção desses programas é garantir mais segurança no manejo de crises no autismo ou ensino de novas habilidades.

O que causa o autismo?

As causas do autismo ainda não foram totalmente esclarecidas, mas muitos estudos e pesquisas são realizados para identificar o que está relacionado ao desenvolvimento do transtorno. 

O que se sabe até hoje é que a genética tem um papel fundamental no desenvolvimento do TEA, assim como fatores ambientais também podem se tornar fatores de risco para o diagnóstico. 

Existem ainda fatores de risco para o autismo, como: 

  • Ácido valpróico;
  • Idade dos pais.

O que não causa o autismo

Apesar disso, temos algumas certezas sobre o que não causa o TEA, levando em consideração mitos sobre o autismo que já foram desconstruídos. 

  • Vacina causa autismo: Não existe nenhuma comprovação científica que ligue o transtorno do espectro autista com vacinas utilizadas para imunização de crianças. Inclusive, um estudo publicado no final dos anos 1990, que abordava o tema, foi desmentido por pesquisadores;
  • Exposição a telas causa autismo: não existem evidências de que estar exposto a telas pode fazer com que a pessoa desenvolva autismo. Estudos feitos nesse sentido apontam apenas relações de correlação e não causalidade com o diagnóstico;
  • Falta de carinho das mães: um dos mitos mais populares é o das mães-geladeira, que não demonstram afeto pelos filhos e, por isso, eles desenvolvem o TEA. Apesar de antigo, esse mito ainda reaparece de tempos em tempos. 

Comorbidades no autismo

Em alguns casos, o autismo pode vir acompanhado de uma ou mais condições, o que é conhecido como comorbidade. Dentro do TEA, algumas comorbidades comuns são: 

  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); 
  • Deficiência Intelectual (D.I.);
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG);
  • Epilepsia;
  • Entre outros. 

Conhecer as comorbidades que acompanham um diagnóstico de TEA é essencial para garantir que as intervenções sejam efetivas e também entender se é necessário algum tipo de medicação.. 

Quantas pessoas autistas têm no mundo? 

Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), uma em cada 54 crianças nos Estados Unidos estão dentro do espectro. No Brasil, não temos certeza desse número, porém, se considerássemos esses valores, isso significaria cerca de 4 milhões de autistas no país.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2010 afirmam ainda que 1% da população estaria no espectro. Segundo essa estimativa, acredita-se em 2 milhões de pessoas autistas no Brasil na época. 

Vale lembrar ainda que a Lei Romeo Mion, aprovada em 2020, determina que o autismo entre no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foi adiado em razão da pandemia provocada pelo coronavírus. 

Quais são os direitos dos autistas?

No Brasil, pessoas com autismo são consideradas pessoas com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo assim, os mesmos direitos. Atualmente, existem três leis que apoiam essas causas: 

  • Lei Berenice Piana: estende aos autistas os mesmos direitos das pessoas com deficiência;
  • Lei Brasileira de Inclusão: um conjunto de normas com o objetivo de assegurar e promover os direitos das pessoas com deficiência em todo território nacional;
  • Lei Romeo Mion: estabelece a criação de uma carteira de identificação da pessoa com autismo. 

Para conhecer mais sobre os direitos das pessoas autistas na saúde, educação e para a família, baixe o e-book de direitos dos autistas, criado pela advogada Carla Bertin, do Autismo Legal. 

Símbolos do autismo 

Atualmente, existem três símbolos que podem representar o autismo. São eles: 

Quebra-cabeça

Mais antigo símbolo do autismo. Ele não é bem aceito pelos autistas. Isso porque um de seus significados é justamente a complexidade do TEA. Para quem está no espectro, essa interpretação traz mais prejuízos à causa do que ajuda no entendimento do autismo.

autismo: quatro peças de quebra-cabeça encaixados

Símbolo da neurodiversidade

O mais recente dentre eles, esse símbolo foi criado pelos próprios autistas. É utilizado como uma alternativa à fita do quebra-cabeça e celebra a esperança e a diversidade de expressão dentro do espectro.

autismo: simbolo da neurodiversidade é formado por um simbolo do infinito com diferentes cores

Fita de conscientização 

Símbolo popularmente usado para demonstrar apoios à causa e informar a população sobre os direitos de quem está no espectro. Por esse motivo, é comum que você encontre esse símbolo em placas de filas preferenciais em farmácias e supermercados, por exemplo.

autismo: fita é formada por auebra-cabeças de diferentes cores

As datas celebrativas e de conscientização do TEA são: 

  • 2 de abril: Dia Mundial da Conscientização do Autismo;
  • 18 de junho: Dia do Orgulho Autista. 

O autismo é um espectro bastante vasto e cada indivíduo dentro do TEA é único e merece ter suas singularidades respeitadas. Além disso, toda pessoa com autismo merece aprender e atingir seu potencial. Para aprender mais sobre o TEA, leia nosso blog.

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