ABA e intervenções para autismo Crianças pulando em um campo aberto em meio a chuva.

Psicomotricidade no autismo: esta intervenção pode ajudar?

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Gabriela Bandeira

Publicado em 16 de novembro de 2021 Atualizado em 13 de julho de 2023

7 minutos

psicomotricidade é uma ciência que tem como objetivo principal melhorar as expressões coordenadas do indivíduo durante uma tarefa ou atividade sequencial. É uma abordagem indicada para intervenções no autismo, uma vez que pode ajudar nas características sensoriais, motoras, linguagem, entre outras.

Sua atuação envolve o desenvolvimento integrado das habilidades motoras, junto a aspectos emocionais e cognitivos. No caso de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a psicomotricidade permite que elas se apropriem de suas próprias imagens e esquemas corporais, ou seja, tenham consciência de seus corpos dentro de um ambiente ou contexto.

Neste artigo, explicamos mais sobre essa ciência, as formas de atuação para pessoas autistas e as principais atividades que podem trabalhar esses aspectos.

Psicomotricidade é uma prática baseada em evidências?

As práticas baseadas em evidências científicas (PBE) são as mais indicadas para o tratamento de pessoas com desenvolvimento atípico. No autismo, as principais PBEs são aquelas baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

Para ser considerada uma prática baseada em evidências, é preciso realizar um número aceitável de pesquisas que mostrem que aquela prática produz resultados positivos no que se propõe. Quando falamos em psicomotricidade, é possível dizer que essa ciência ainda carece de trabalhos que possam comprovar sua eficácia.

Ainda assim, clínicos e profissionais que atuam com TEA reforçam que as práticas envolvendo a psicomotricidade no autismo  têm um papel essencial na intervenção e melhoria de déficits comuns.

Como a psicomotricidade ajuda pessoas com autismo?

Os principais campos de atuação da psicomotricidade e o autismo estão relacionados às dificuldades na coordenação motora e em questões sensoriais. Essas são justamente algumas das principais características encontradas em pessoas com autismo.

De fato, estimativas de estudos científicos demonstram que:

  • 80% das pessoas diagnosticadas com TEA apresentam dificuldades de coordenação motora;
  • De 69% a 95% das crianças autistas apresentam Transtorno do Processamento Sensorial.

Para que a psicomotricidade consiga ajudar pessoas com diagnóstico de autismo é necessário trabalhar estratégias para autopercepção e interrelação com os ambientes durante as intervenções.

Por isso, a importância da psicomotricidade no autismo deve ser levada em conta e pode ajudar nas seguintes questões.:

  • Falta de controle de impulsos nas crianças;
  • Desorganização na forma de se expressar por meio do corpo;
  • Falta de percepção de espaço de acordo com o contexto e as demandas de terceiros.

Essas intervenções precisam ainda ser combinadas com outras terapias realizadas por uma equipe multidisciplinar. Isso porque o desenvolvimento da linguagem, o tratamento de comorbidades e o suporte escolar, também auxiliam em resultados positivos.

Além disso, a presença e envolvimento da família também é essencial, pois os cuidadores precisam ser orientados para poderem replicar as estratégias no ambiente doméstico.

Principais atividades de psicomotricidade no autismo

É imprescindível que as intervenções psicomotoras sejam aplicadas e supervisionadas por profissionais especializados. No que diz respeito à coordenação motora, por exemplo, algumas atividades que ajudam no desenvolvimento da criança são:
Coordenação motora global

  • Pular
  • Correr
  • Rolar
  • Mudar o lado da posição (frente e atrás).

Coordenação motora fina

  • Pegar um lápis
  • Recortar
  • Manejar objetos com precisão.

Para que essas atividades de psicomotricidade consigam ser realizadas, considerando o autismo, é necessário ainda se atentar a alguns aspectos, como:

  • Estimular o contato visual;
  • Induzir ao seguimento de comandos com mudança na tonalidade da voz;
  • Apresentar brinquedos que não utilizem texturas moles ou ásperas.

Além da psicomotricidade, existem muitas outras intervenções que beneficiam pessoas com autismo. Veja no nosso blog outros conteúdos sobre terapia, autismo e comportamentos.

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