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Diagnóstico de autismo: tudo que você precisa saber sobre o laudo

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Gabriela Bandeira

24 de março de 2021

10 min.

O diagnóstico de autismo é conduzido por uma equipe de profissionais de várias áreas que avaliam aspectos do comportamento da pessoa e aplicam instrumentos de medida/avaliação validados cientificamente para conseguir fechar o laudo. 

Normalmente, o primeiro passo para o diagnóstico de autismo é a identificação dos sinais de atraso no desenvolvimento da criança. É a partir daí que as famílias decidem optar por ajuda profissional, especialmente quando notam que a criança não só tem atraso, como não atingiu os marcos do desenvolvimento esperados para a idade dela. 

Neste artigo, explicamos mais sobre o processo para o diagnóstico e laudo de autismo, profissionais envolvidos e como procurar ajuda. 

Como saber se preciso buscar diagnóstico de autismo? 

Muitas famílias se questionam sobre qual o momento certo para buscar ajuda profissional para o diagnóstico de autismo. Obviamente, quanto mais precoce for o diagnóstico, melhor para iniciar as intervenções e estimular o desenvolvimento da criança, devido à neuroplasticidade

Portanto, o ideal é que a família esteja sempre observando os marcos do desenvolvimento esperados para cada idade e, ao observar um ou mais sinais que indiquem atraso no desenvolvimento, buscar ajuda do profissional de pediatria responsável por acompanhar a criança. 

Embora não possam ser usados como fins diagnósticos, existem alguns testes de screening (rastreamento) que podem ajudar a família nesta decisão. Um deles é o M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) – instrumento de rastreamento precoce de autismo, com objetivo de identificar indícios do TEA em crianças entre 18 e 24 meses.

Já no caso da suspeita de autismo em adultos, a indicação é procurar um profissional da psicologia e apresentar a suspeita para que ele avalie as possibilidades e encaminhe a pessoa para uma avaliação neuropsicológica. Além disso, um teste que pode ajudar na decisão de buscar o diagnóstico é o Quoficiente Autista (QA). Também conhecido como teste do autismo leve ou teste da Síndrome de Asperger, mede a extensão de traços autistas em pessoas adultas. Disponível para responder online.

Quem faz o diagnóstico de autismo? 

Primeiramente, é importante esclarecer que o diagnóstico de autismo não é fechado somente por um profissional, mas sim por uma equipe multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar que vai trabalhar no processo de investigação comportamental e entender se aquela pessoa está ou não no espectro do autismo. Algumas das especialidades que podem compor essa equipe são:

  • Psiquiatria da infância e da juventude;
  • Neuropediatria;
  • Neuropsicologia;
  • Fonoaudiologia;
  • Psicologia;
  • Neurologia;
  • Terapia ocupacional.

graus de autismo diagnóstico de autismo

De acordo com a neuropsicóloga Joana Portolese, cada profissional tem uma parte importante nesse processo diagnóstico. “Um médico fecha o diagnóstico. Mas também tem, por exemplo, o psicólogo que vai diferenciar esse nível e a questão intelectual. A fonoaudióloga, que consegue fazer um diferencial em casos de apraxia da fala ou um transtorno da comunicação social, ou para ver as funções e preservá-las para o desenvolvimento da fala”, explica.

Ela continua falando de outros profissionais que podem auxiliar. “Tem também a terapeuta ocupacional, que vai fazer essa avaliação de integração sensorial para pensar na intervenção. As psicólogas que fazem avaliação comportamental para ver pré-requisitos para o programa de intervenção ABA. 

Manuais diagnósticos

Assim como as diferentes especialidades, outro fator importante para o diagnóstico de autismo são os manuais diagnósticos, como DSM (Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais), da Associação Americana de Psiquiatria, e a CID (Classificação Internacional das Doenças e Transtornos Mentais), da Organização Mundial da Saúde. 

Esses documentos determinam as características que compõem o espectro autista como “díade do autismo”: dificuldades na comunicação e interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. São esses manuais que ajudam a determinar qual será o laudo daquele indivíduo e apoiam os profissionais clínicos na indicação de terapias e intervenções. 

Existe idade para fechar o diagnóstico de autismo?

Essa dúvida é comum para muitas famílias, especialmente porque algumas são orientadas a esperar até que a criança complete determinada idade para que seja possível diagnosticar. No entanto, não é preciso esperar para fazer o diagnóstico de autismo. 

Os primeiros sinais de TEA podem aparecer antes do bebê completar 18 meses – exceto em casos do que chamamos de autismo regressivo – e o diagnóstico pode ser fechado antes da criança completar dois anos. 

“Noto sinais de autismo na criança, mas profissionais não acreditam em mim”

Ainda hoje, muitas famílias relatam dificuldades em conseguir o diagnóstico de autismo ou mesmo identificar atrasos no desenvolvimento da criança quando procuram ajuda profissional. Segundo Joana, isso acontece porque existem muitos transtornos que podem surgir ao longo do desenvolvimento infantil.

“Como tem as questões dos transtornos do neurodesenvolvimento, algumas coisas vão ficando mais claras, como o autismo. Aos dois anos o TDAH [Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade], aos seis ou sete anos a dislexia, e os transtornos de aprendizagem, como dislexia, discalculia, mesmo a deficiência intelectual, enfim, transtornos que já ficam mais claros para a gente no período de alfabetização”, afirma.

No entanto, existem alguns profissionais que se limitam a desconsiderar o diagnóstico mesmo sem avaliar a criança ou entender de onde surgiram as suspeitas da família. Nesses casos, as pessoas cuidadoras podem procurar por uma segunda opinião e continuar a observar os marcos do desenvolvimento. 

Iniciando as intervenções

É importante lembrar que as intervenções podem – e devem – começar mesmo sem um diagnóstico fechado. De fato, elas muitas vezes podem ajudar no processo diagnóstico, uma vez que muitos profissionais preferem que a criança comece a ser estimulada para entender se ela preenche os critérios para o transtorno. 

Além disso, o estímulo é essencial para que a criança se desenvolva e atinja os marcos do desenvolvimento e a presença das pessoas cuidadoras nesse processo de tratamento é considerado um fator que aumenta a probabilidade de resultados positivos para a criança. 

Entre as intervenções para o autismo, uma das mais comuns são aquelas que se baseiam nas estratégias da ABA (Análise do Comportamento Aplicada). Para continuar a estudar as terapias para o TEA, leia nosso blog.

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