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Diagnóstico tardio de autismo: como descobrir se você está no espectro?

O diagnóstico tardio de autismo é uma realidade cada vez mais próxima de muitas pessoas. Isso acontece, principalmente, porque a conscientização do TEA e os avanços em processos diagnósticos tornam possível identificar pessoas que estão no espectro, mesmo que elas já sejam adultas. 

Mas, diferente de um diagnóstico que acontece quando se é criança, para diagnosticar o autismo na vida adulta, são necessários outros procedimentos e avaliações. Nesse artigo, explicamos mais sobre esse processo e quais profissionais procurar. 

O que é autismo? 

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado, principalmente pelo que conhecemos como díade do autismo: 

  1. Dificuldades na comunicação e interação social;
  2. Presença de padrões de movimentos restritos e repetitivos. 

Pessoas no espectro têm uma forma diferente de vivenciar experiências, agir e interpretar o mundo do que pessoas consideradas neurotípicas – ou seja, sem nenhum transtorno ou condição. 

Além disso, uma pessoa autista pode apresentar dificuldades nas relações do dia a dia, dificuldades em lidar com mudanças na rotina e até em estar exposta a situações onde existem muitos estímulos visuais e sonoros, por exemplo. 

Atualmente, o diagnóstico de autismo pode ser fechado com a ajuda de manuais como o DSM e o CID.  

Níveis de autismo 

Atualmente, os manuais mais recentes para apoiar o diagnóstico de autismo são o DSM-5 e o CID-11. Em ambos, o autismo está dentro dos Transtornos do Espectro do Autismo (TEA), cujo laudo vem acompanhado do código 6A02 mais definição: 

  • 6A02.0 – Transtorno do espectro do autismo sem deficiência intelectual e com comprometimento leve ou ausente na linguagem funcional;
  • 6A02.1 – Transtorno do espectro do autismo com deficiência intelectual e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;
  • 6A02.2- Transtorno do espectro do autismo sem deficiência intelectual e com linguagem funcional prejudicada;
  • 6A02.3 – Transtornos do espectro do autismo com deficiência intelectual e com linguagem funcional prejudicada;
  • 6A02.4 – Transtorno do espectro do autismo sem deficiência intelectual e com ausência de linguagem funcional;
  • 6A02.5 – Transtorno do espectro do autismo com deficiência intelectual e com ausência de linguagem funcional;
  • 6A02.Y – Outro transtorno do espectro do autismo especificado;
  • 6A02.Z – Transtornos do espectro do autismo não especificados.

Para facilitar um pouco esse entendimento, é comum que muitos profissionais e famílias se refiram a esses diagnósticos como níveis de autismo, que são definidos como:

Em casos de diagnósticos tardios, é bem comum que a pessoa receba o laudo de autismo leve.

Como fazer diagnóstico tardio de autismo? 

Com o passar do tempo, muitos adultos têm procurado ajuda para o diagnóstico tardio de autismo Isso acontece, principalmente, porque se identificam com pessoas que conhecem que estão no espectro ou até mesmo com personagens de séries e filmes. 

Esse foi o caso da escritora e estudante de cinema Letícia Magalhães. Apesar de sempre ter se sentido diferente das outras pessoas com quem convivia, ela só percebeu que poderia estar no espectro ao comparar muitos de seus comportamentos ao personagem Sheldon, da sitcom The Big Bang Theory. “Um dia, lendo uma reportagem na Revista Superinteressante, li que Sheldon era um exemplo de pessoa com Síndrome de Asperger. Isso plantou uma hipótese na minha mente”, lembra. 

diagnóstico tardio de autismo: montagem em lego dos personagens da série The Big Bang Theory

Apesar disso, o diagnóstico formal demorou para aparecer. “Comecei a fazer terapia e ir à psiquiatra. Fui primeiro diagnosticada com depressão e fobia social, mas ainda não me sentia completamente contemplada com esse diagnóstico. Com mais e mais conversas na mídia, principalmente na internet, sobre o espectro autista, resolvi ir atrás para ver se eu estava realmente no espectro, algo que alguns testes na internet já haviam me confirmado”. Em 2017, já com 24 anos, Letícia descobriu que havia uma clínica especializada em autismo na cidade em que mora e resolveu buscar ajuda para o diagnóstico de TEA. 

Psicologia e psiquiatria no diagnóstico tardio de autismo

Muitos profissionais das áreas da psicologia e da psiquiatria têm conhecimento sobre autismo e podem ser os primeiros a ajudar uma pessoa que acha que pode estar no espectro a iniciar seu processo diagnóstico. 

A função deles, nesse sentido, é fazer uma entrevista inicial, coletar dados e, em alguns casos, preencher algumas escalas padronizadas que ajudem a direcionar o processo diagnóstico. Assim, caso se identifique que existe a possibilidade daquela pessoa estar no espectro, pode haver o encaminhamento  para uma avaliação neuropsicológica. 

Avaliação neuropsicológica 

Para confirmar a suspeita, é necessário que a pessoa passe por um processo de avaliação neuropsicológica. Esse exame tem como objetivo mensurar e descrever o perfil de desempenho cognitivo, sendo possível avaliar suspeitas de alterações cognitivas que podem ser decorrentes de desordens neurológicas e outros transtornos, como o autismo.

A avaliação neuropsicológica é feita em várias etapas e exige uma série de procedimentos que devem ser minuciosos, como:

  • Testes neurológicos e psicológicos específicos;
  • Anamnese médica a partir de entrevistas com o paciente e seus familiares;
  • Observação clínica.

Depois de aplicar os testes necessários e avaliar a pessoa, o profissional analisa os dados, tomando como base as respostas médias da população geral e, a partir daí, consegue traçar um diagnóstico. 

Apesar do processo de diagnóstico tardio de autismo ser longo e muitas vezes difícil para quem está nesta busca, obter uma resposta pode trazer a sensação de alívio e autocompreensão. “Já ouvi falar que o diagnóstico era uma muleta, uma desculpa para meus defeitos, ou um rótulo desnecessário. Mas para mim não foi nada disso. Com o diagnóstico, comecei a me envolver com grupos de pessoas no espectro online, e troquei muitas experiências e conhecimentos, além de fazer boas amizades. Hoje sei que minha ‘estranheza’ tem nome, e não preciso ter vergonha de quem sou”. 

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