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Síndrome de Asperger: o que você precisa saber

8 minutos

Síndrome de Asperger é uma condição do neurodesenvolvimento que muda a forma como as pessoas veem e compreendem o mundo.

O transtorno também faz parte do autismo e é caracterizado por dificuldades na interação e comunicação social, além de padrões de comportamentos restritos e repetitivos.

Até 2013, a Síndrome de Asperger aparecia em manuais diagnósticos como o DSM, da Associação Americana de Psiquiatria, e o CID, da Organização Mundial da Saúde. Sua classificação estava dentro dos chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), que também listava nomenclaturas como autismo infantil e autismo clássico.

Neste artigo, explicamos mais sobre esta condição.

O que é Síndrome de Asperger

Os primeiros registros da Síndrome de Asperger surgiram em 1944, quando o psiquiatra e pesquisador austríaco Hans Asperger publicou um estudo no qual observou o padrão de comportamento e as habilidades de mais de 400 crianças autistas e descreveu deficiências sociais graves, como: falta de empatia, baixa capacidade de fazer amizades, conversação unilateral, intenso foco em um assunto de interesse especial e movimentos descoordenados.

Na ocasião, ele nomeou esses sintomas como psicopatia autista. ⁣⁣O nome “Síndrome de Asperger” só foi usado pela primeira vez 37 anos mais tarde, quando a psiquiatra Lorna Wing adicionou 31 novos casos ao estudo e deu à condição um nome em homenagem ao austríaco.

Hans Asperger e o nazismo

Em 2018, o nome de Hans Asperger se tornou centro de uma polêmica quando um estudo o ligava aos movimentos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

A publicação da revista Molecular Autism trazia evidências de que o psiquiatra foi membro de várias organizações vinculadas ao regime de Adolf Hitler e estaria ativamente envolvido no programa de eutanásia Nazi, na Áustria.

O psiquiatra teria sido responsável pela transferência de duas meninas para o centro de Am Spiegelgrund, dentro do hospital psiquiátrico Steinhof de Viena. As crianças morreram pouco depois, e tiveram a causa da morte decretada como pneumonia.

Segundo os registros, Asperger também examinou mais de 200 pacientes, dos quais 35 foram considerados “ineducáveis” e mortos por injeção letal e em câmaras de gás.  ⁣

Características da Síndrome de Asperger

Pessoas com Síndrome de Asperger costumam ter uma inteligência, por vezes, considerada acima da média. No entanto, ainda podem apresentar dificuldades específicas de aprendizagem e precisar de apoio.

Outro ponto em comum com outros níveis de autismo é a questão da fala. Enquanto pessoas autistas podem ter muitos problemas para desenvolver a linguagem, as pessoas com Asperger costumam ter menos dificuldade nesse quesito, mas ainda podem ter dificuldade em entender e processar a linguagem.

Isso acontece, principalmente, porque elas podem ser mais literais que neurotípicos. Assim, figuras de linguagem, como as metáforas, acabam sendo interpretadas em seu sentido literal dificultando a comunicação. O mesmo acontece com frases irônicas e sarcásticas, que podem não ser compreendidas no tom de brincadeira, mas como algo verdadeiro.

Outras características comuns em pessoas com Síndrome de Asperger são:

  • Falta de contato visual;
  • Interesse obsessivo por um tema ou objeto;
  • Dificuldade de se relacionar (o que não significa que não tenham amigos ou relacionamentos amorosos, mas sim que esta etapa pode ser mais complicada);
  • Dificuldade em lidar com mudanças na rotina e imprevistos.

Asperger também é autismo?

Até 2013 a Síndrome de Asperger era considerada uma condição dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGDs). O fato dele não estar como uma subcondição do autismo sempre causou muitas dúvidas se era, de fato, uma forma de autismo.

Mesmo separada, a Síndrome de Asperger faz, sim, parte do diagnóstico de autismo. No entanto, essa nomenclatura foi descontinuada em 2013, com a publicação da 5ª edição do DSM.

DSM-5 e as novas classificações

Uma das principais mudanças desta edição do DSM é que o autismo deixa de ser classificado como um Transtorno Global do Desenvolvimento e passa a ser apontado como uma categoria própria: o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Assim, o termo Síndrome de Asperger deixa de ser utilizado. Aqueles que se enquadravam anteriormente nesse diagnóstico, passam a ser identificados como autistas com nível de necessidade de suporte 1, também conhecido como autismo leve.

Como identificar e diagnosticar?

Apesar de existirem muitos testes online que prometem diagnosticar a síndrome de Asperger, a única forma de conseguir o diagnóstico adequado é realmente buscar por ajuda profissional. Alguns profissionais que podem ajudar nesse processo são das áreas de:

  • Psicologia;
  • Psiquiatria;
  • Neuropsiquiatria;
  • Neurologia.

É preciso observação clínica e aplicação de protocolos para avaliar se é possível fechar o diagnóstico.

Diagnóstico tardio é uma realidade

Pelo fato dos sinais serem mais discretos e até imperceptíveis, muitas vezes o diagnóstico de Síndrome de Asperger pode ser tardio. Ou seja, quando a pessoa está na adolescência ou até na fase adulta.

Ainda assim, se existem suspeitas é importante buscar o diagnóstico para melhoria da qualidade de vida e, se for necessário, iniciar intervenções que vão ajudar no dia a dia.

Para muitas pessoas, receber a informação de que estão no espectro é essencial para autoconhecimento e também para questões relacionadas à saúde mental. Isso porque estudos mostram que pessoas autistas têm taxas de suicídio três vezes mais altas, se comparadas com a população em geral.

Intervenções para Síndrome de Asperger

Existem intervenções comportamentais que podem ajudar pessoas com Síndrome de Asperger, mesmo se o diagnóstico for tardio.

Uma delas é o treino de habilidade sociais, que auxilia em processos como os de interação social por meio do ensinamento de regras sociais e costumes que orientam as relações entre pessoas e que normalmente neurotípicos adquirem naturalmente. Alguns aspectos deste treino são:

  • Conversação: entender como iniciar e manter conversas;
  • Contato visual: entender como funciona e como fazer esse contato;
  • Habilidades acadêmicas: seguir instruções, atenção, trabalhar em grupo etc.

Além desta, existem outras intervenções para pessoas com Síndrome de Asperger. Cada pessoa é única e por isso é preciso que profissionais que vão atuar com alguém no espectro a conheça e entenda quais as melhores formas de ajudá-la em suas necessidades.

Com o DSM-5, o Transtorno do Espectro do autismo foi definido de acordo com níveis de necessidade de suporte, as listamos no nosso blog, explicando mais sobre cada uma. Você vai também vai encontrar mais textos sobre diagnóstico e intervenções para pessoas no TEA.

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