Suspeita de autismo sintomas de autismo: criança brinca com dois carrinhos de brinquedo

Sintomas de autismo: saiba quais são e como identificá-los

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Gabriela Bandeira

19 de agosto de 2021

10 minutos

Os sintomas de autismo podem aparecer logo nos primeiros meses de vida de um bebê e o diagnóstico precoce é muito importante para o aprendizado, graças à neuroplasticidade. Por isso, a família precisa se atentar aos marcos do desenvolvimento esperados para cada idade para buscar ajuda se necessário.

Vale lembrar que a suspeita de TEA pode partir não só das pessoas cuidadoras, como também dos profissionais que acompanham a criança e até da escola. Neste artigo, reunimos os principais sinais de autismo para ajudar nessa identificação. 

Nota importante: Apesar do termo “sintomas de autismo” ser bem comum, o TEA não é uma doença, mas sim um transtorno. Por esse motivo, o termo mais correto para se referir são sinais de autismo. Neste conteúdo, usamos os dois termos, de modo que as pessoas que procuram por “sintomas de autismo” consigam chegar até esse conteúdo e esclarecer suas dúvidas. 

Quais são os sintomas de autismo? 

Os primeiros sinais de autismo podem surgir por volta dos 18 meses do bebê, e o diagnóstico pode ser fechado antes da criança completar dois anos de idade. Mesmo quando bebês, crianças no espectro apresentam características como foco excessivo em determinados objetos e raro contato visual. 

Em alguns casos, a criança parece se desenvolver tipicamente até o segundo ano de vida e começa apresentar os sintomas de autismo após esse período, é o que especialistas chamam de autismo regressivo. Além disso, os sinais mais comuns do espectro são aqueles conhecidos como díade do autismo: 

Dificuldades na comunicação social e interação social

  • Ausência ou dificuldade de fala: muitas vezes, pessoas autistas apresentam compreensão reduzida da fala, fala em eco, dificuldade de entonação e uso de linguagem exclusivamente literal;
  • Falta ou ausência de contato visual: muitas crianças autistas, desde muito pequenas, não fixam  o olhar nos olhos do outro em uma interação ou conversa. Elas também têm dificuldades com gestos, expressões faciais e corporais;
  • Imagem corporal rígida, exagerada, ou diferente do esperado pelos padrões sociais: isso também está diretamente relacionado à dificuldade para coordenar a comunicação não verbal com a fala;
  • Dificuldade de interagir: o que implica em dificuldades para brincar com outras crianças, fazer amizades, iniciar interações e se relacionar com os outros;
  • Prejuízos na interação social: muitos autistas, mesmo adultos, têm dificuldade no processamento de respostas a situações sociais mais complexas, como, por exemplo, saber quando entrar em uma conversa, ou o que se deve ou não dizer. Pessoas diagnosticadas com autismo raramente dominam essas habilidades sociais, e não entendem ironias e possíveis mentirinhas ou brincadeiras.

Padrões restritivos e repetitivos

  • Fixação ou fascínio por certos objetos: normalmente se manifesta pela criação de rituais e fixações por certos temas, brinquedos, objetos, personagens etc. É comum utilizarem brinquedos de maneira peculiar, que lhes seja interessante, e podem também ter certo fascínio por luzes e objetos que piscam e giram;
  • Movimentos repetitivos com o corpo ou fala (estereotipias ou ecolalia): com seus próprios corpos, abanam as mãos, estalam os dedos, e balançam o corpo. Por meio da fala, apresentam ecolalia de palavras, frases e letras, ou seja, repetição mecânica de palavras ou frases que ouvem.

Vale lembrar que nem todas as pessoas com autismo apresentam todos esses sinais, assim como muitas pessoas que não estão no espectro podem apresentá-los. Por isso, se houver suspeitas é importante buscar ajuda profissional para o diagnóstico de autismo

Manuais diagnósticos do autismo

Além dos sinais e sintomas de autismo, os manuais diagnósticos também são responsáveis por ajudar profissionais a traçar o laudo. Tanto o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), da Associação Americana de Psiquiatria, e a  CID (Classificação Internacional de Doenças e Transtornos Mentais), da Organização Mundial da Saúde, apresentam critérios para o diagnóstico de TEA.

Por esse motivo, esses documentos são revisados com frequência e novas edições são lançadas para garantir que os profissionais que vão usá-los tenham as informações mais recentes. Atualmente, o DSM está em sua 5ª edição, conhecida como DSM-5 e a CID está em sua 11ª edição, a CID 11.

Quais são os sintomas de autismo em bebês?

Alguns sinais de autismo comuns em bebês com menos de um ano de idade são:

  • Ausência de sorriso social: ou seja, o bebê não sorri quando alguém se aproxima;
  • Falta de contato visual: normalmente notado pela mãe no momento da amamentação;
  • Ausência de choro ou muito choro;

Além disso, outro sinal comum é quando, à medida que cresce, o bebê não segue visualmente objetos e nem consegue imitar atitudes ou gestos.

Quais são os sinais de autismo em crianças?

  • Atraso ou dificuldade no desenvolvimento da fala;
  • Atraso ou dificuldade na coordenação motora fina e grossa;
  • Apresentar repetições comuns: ou seja, falar com certa frequência as frases que ouve em desenhos ou filmes e que não tem contexto com a comunicação estabelecida no momento. Esse comportamento é chamado de ecolalia.

Como saber se um adolescente ou adulto está no espectro do autismo?

Hoje em dia não é incomum que adolescentes e até mesmo pessoas adultas recebam o diagnóstico tardio de autismo. Isso porque a maioria delas está dentro do que chamamos de autismo nível 1 – ou autismo leve, quando há menos necessidade de suporte comparado aos outros graus de autismo.

Nesses casos, são frequentes os relatos de que essas pessoas tiveram uma infância complicada, na qual sofreram bullying e sempre se sentiram diferentes de outras pessoas com quem conviviam e com dificuldades na interação. Outros sinais de autismo em adolescentes e adultos são:

  •  Ter dificuldade em entender e lidar com as chamadas “regras sociais”;
  • Dificuldade em perceber e entender expressões faciais e sinais não verbais (entrelinhas);
  • Apego a rotina e dificuldade em lidar com mudanças;
  • Se isolar com frequência e evitar se expor a situações onde vai encontrar com muitas pessoas, como festas e passeios em locais lotados.

Apesar da depressão e da ansiedade não serem sinais de autismo em adolescentes e adultos, eles podem desenvolver esses transtornos, principalmente porque a falta de diagnóstico faz com que se sintam incompreendidos e julgados.

Como é feito o tratamento de autismo?

Por não ser feito por meio de exames, o diagnóstico de autismo muitas vezes pode demorar a ser concluído. Por isso, os profissionais indicam que o tratamento por meio da intervenção precoce seja iniciado o quanto antes.

Esse tratamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar, normalmente formada por profissionais de diversas especialidades, como:

  • Psicologia;
  • Terapia ocupacional;
  • Fonoaudiologia;
  • Neuropediatria;
  • Neuropsicologia;
  • Entre outros. 

Entre as intervenções mais comuns para o autismo, estão aquelas baseadas na ABA (Análise do Comportamento Aplicada), cujas estratégias são validadas cientificamente para o desenvolvimento de pessoas no TEA. Saiba mais sobre a ABA no blog

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