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desenvolvimento infantil no autismo: mãe e filho se divertindo

Guia completo sobre desenvolvimento infantil: marcos, fases e sinais de atraso

Esse conteúdo passou por revisão clínica de Alice Tufolo, Psicóloga e Conselheira clínica da Genial Care | CRP 06124238


O desenvolvimento infantil é o processo de transformações biológicas, cognitivas, motoras e socioemocionais pelas quais uma criança passa desde o nascimento até a transição para a adolescência, por volta dos 12 anos.

Nesse percurso, os marcos do desenvolvimento infantil funcionam como indicadores de saúde e evolução, representando o conjunto de habilidades esperadas para cada faixa etária.

Observar esses marcos com atenção é, muitas vezes, o primeiro passo para identificar condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista.

Neste artigo, vamos explicar:

  • Como funciona o desenvolvimento infantil;
  • Os marcos de desenvolvimento por idade;
  • As mudanças recentes nas diretrizes internacionais de saúde;
  • Os principais sinais de alerta que exigem atenção; e
  • Como estimular o desenvolvimento das crianças no dia a dia.

Acompanhe!

O que é o desenvolvimento infantil? Os 4 domínios principais

marcos do desenvolvimento infantil

O desenvolvimento infantil é o processo contínuo pelo qual a criança adquire e aprimora habilidades físicas, de pensamento, de comunicação e de interação com o mundo ao seu redor.

Para facilitar a compreensão, assim como a avaliação médica, a ciência divide o desenvolvimento infantil em quatro domínios principais, que funcionam de maneira interligada:

  • Desenvolvimento físico/motor: refere-se à habilidade de movimentação e controle do próprio corpo. Divide-se em coordenação motora grossa, as quais são habilidades maiores, como sustentar a cabeça, engatinhar, andar e pular; e coordenação motora fina, que se refere a movimentos precisos, como segurar uma colher ou utilizar uma tesoura.
  • Desenvolvimento cognitivo: é a forma como a criança pensa, explora e resolve problemas. Envolve a memória, a capacidade de aprendizado, a noção de causa e efeito, como entender que um brinquedo faz barulho ao cair, e o raciocínio lógico.
  • Desenvolvimento de linguagem e comunicação: vai além da fala oralizada. Inclui a linguagem receptiva, ou seja, compreender o que os outros dizem, e a linguagem expressiva, isto é, conseguir se comunicar através de choros, sorrisos, gestos, apontar, balbucios, palavras e frases.
  • Desenvolvimento socioemocional: diz respeito à forma como a criança interage com os outros e lida com os próprios sentimentos. Envolve o contato visual, a imitação de comportamentos, o interesse por outras crianças, o brincar de faz de conta e o desenvolvimento da empatia.

Apesar da categorização, esses quatro domínios não evoluem de forma isolada.

Uma conquista no domínio motor, como aprender a engatinhar, por exemplo, expande a exploração cognitiva do ambiente, o que por sua vez gera novas oportunidades de comunicação e interação social, e assim por diante.

Por isso, olhar para o desenvolvimento infantil exige uma visão global de todas essas áreas integradas.

Marcos do desenvolvimento infantil por idade

Bebê sentando ao chão, rasgando papel higiênico.

Os marcos do desenvolvimento infantil são referências científicas que nos ajudam a observar o ritmo no qual a criança adquire novas habilidades.

Eles mapeiam conquistas esperadas em habilidades motoras, de comunicação, cognitivas e de interação em faixas etárias específicas, servindo como um guia para celebrar avanços e acompanhar o neurodesenvolvimento.

Para entender a importância de observar os marcos do desenvolvimento, um exemplo é o próprio diagnóstico de autismo.

Muitas vezes, a identificação precoce de uma neurodivergência e seu diagnóstico acontecem quando a família ou os pediatras notam um atraso ou atipicidade em um desses marcos.

No caso de crianças no espectro autista, uma rede de cuidados de saúde atípica especializada, como a Genial Care, que possui clínicas de autismo em toda a cidade de São Paulo, pode atuar.

A partir de uma avaliação multidisciplinar, mapeamos as necessidades únicas da criança para construir um plano de desenvolvimento individualizado.

Dessa forma, podemos estruturar estratégias baseadas em evidências para desenvolver habilidades que a criança ainda não adquiriu e, assim, garantir sua autonomia e qualidade de vida.

Na tabela abaixo, organizamos os principais marcos do desenvolvimento infantil esperados de acordo com a idade, unindo as atualizações mais recentes de saúde para as idades iniciais e os marcos da infância até a pré-adolescência.

Domínio físico e motor Domínio cognitivo, de linguagem e socioemocional
2 meses
  • Levanta a cabeça quando deitado de bruços;
  • Move pernas e braços;
  • Abre as mãos.
  • Dá os primeiros sorrisos;
  • Acalma-se no colo;
  • Reconhece pessoas do convívio;
  • Acompanha objetos e pessoas com os olhos;
  • Reage a sons, inclusive à fala;
  • Emite sons diferentes do choro.
4 meses
  • Sustenta bem a cabeça;
  • Leva as mãos à boca;
  • Segura um brinquedo;
  • Apoia-se sobre os cotovelos ou antebraços para se levantar ao deitar de bruços.
  • Sorri espontaneamente;
  • Emite sons (balbucios);
  • Tenta alcançar brinquedos;
  • Vira a cabeça em direção às vozes;
  • Observa as próprias mãos;
  • Se estiver com fome, abre a boca ao ver o peito ou a mamadeira.
6 meses
  • Rola para os dois lados;
  • Apoia-se nas mãos quando está sentado.
  • Reconhece pessoas familiares;
  • Gosta de se olhar no espelho;
  • Pode dar gargalhadas;
  • Emite diversos sons, inclusive os revezando com quem interage;
  • Coloca coisas na boca para explorar;
  • Estende a mão para pegar um objeto;
  • Fecha a boca quando não quer mais comida.
9 meses
  • Senta-se sem apoio;
  • Passa objetos de uma mão para a outra;
  • Utiliza os dedos para trazer a comida em sua direção.
  • Levanta os braços pedindo colo;
  • Faz muitos sons diferentes;
  • Sorri ou dá risada ao brincar de esconder;
  • Procura objetos quando saem do seu campo de visão;
  • Junta dois objetos;
  • Pode apresentar timidez, medo ou carência diante de estranhos;
  • Apresenta expressões faciais, como feliz, triste, bravo ou surpresa;
  • Atende pelo nome;
  • Reage quando alguém sai de perto;
1 ano (12 meses)
  • Se levanta sozinho;
  • Pode dar os primeiros passos se apoiando nos móveis;
  • Segura algo com o polegar e o indicador;
  • Bate palmas.
  • Diz a primeira palavra (por exemplo: “mamã”, “papá”);
  • Dá tchau;
  • Brinca de bater palmas com o outro;
  • Entende o “não”;
  • Coloca um objeto dentro de outro;
  • Procura coisas que o adulto esconde.
15 meses
  • Anda sozinho com mais firmeza;
  • Utiliza os dedos para se alimentar.
  • Tenta utilizar objetos corretamente, como telefone e copo;
  • Fala algumas palavras soltas além de “mamãe” e “papai”;
  • Empilha pelo menos dois objetos, como blocos;
  • Olha para um objeto familiar ao ouvir o nome dele;
  • Segue instruções dadas por palavras ou gestos, como “me dê o brinquedo”;
  • Aponta para pedir algo.
18 meses
  • Sobe e desce de cadeiras e sofás sem ajuda;
  • Caminha sem precisar de apoio;
  • Tenta utilizar a colher para se alimentar;
  • Faz rabiscos;
  • Consegue tomar a bebida em um copo, mas pode derrubar.
  • Aponta para mostrar algo interessante (atenção compartilhada);
  • Brinca de coisas simples, como empurrar um carrinho;
  • Afasta-se do cuidador, mas olha para se certificar de que ele está próximo;
  • Estende as mãos para pedir para lavá-las;
  • Olha páginas de livros com o cuidador;
  • Tenta pronunciar mais palavras;
  • Imita comportamentos do adulto, como varrer a casa;
  • Ajuda a se vestir, por exemplo passando o braço pela manga da camiseta.
2 anos (24 meses)
  • Chuta uma bola;
  • Corre;
  • Sobe e desce degraus com ou sem ajuda;
  • Come com colher.
  • Forma frases curtas de 2 palavras;
  • Segue instruções simples;
  • Imita adultos;
  • Percebe quando alguém está triste ou chateado;
  • Tenta entender reações observando o rosto da pessoa;
  • Aponta para algo quando alguém pergunta “Cadê [tal objeto, animal, etc.]”;
  • Aponta para algumas partes do corpo quando alguém pergunta;
  • Pode fazer mais gestos, como mandar um beijo ou acenar com a cabeça que sim ou não;
  • Pode utilizar ambas as mãos para fazer coisas diferentes, como segurar e abrir um pote;
  • Tenta utilizar interruptores, botões;
  • Brinca com mais de um brinquedo ao mesmo tempo.
30 meses (2,5 anos)
  • Pula com os dois pés;
  • Tira algumas roupas sozinho;
  • Utiliza as mãos para girar objetos, como maçanetas;
  • Vira as páginas de um livro, uma por vez.
  • Vocabulário de cerca de 50 palavras;
  • Diz duas ou mais palavras juntas;
  • Já sabe utilizar pronomes como “eu” ou “nós”;
  • Sabe nomear objetos quando perguntam “o que é isso?”;
  • Brinca ao lado ou com outras crianças;
  • Mostra o que consegue fazer, dizendo algo como “Olha…”;
  • Segue rotinas simples, como juntar os brinquedos ao pedir;
  • Brinca de faz de conta;
  • Possui habilidades de resolução de problemas simples, como subir em um móvel para pegar um brinquedo;
  • Segue instruções de duas etapas, como “pegue o brinquedo e feche a porta”;
  • Pode reconhecer uma cor.
3 anos
  • Pode unir vários itens;
  • Veste algumas roupas sozinho;
  • Utiliza um garfo.
  • Percebe outras crianças e junta-se a elas para brincar;
  • Pode desenhar um círculo quando alguém mostra como o faz;
  • Evita tocar em algo quente quando alguém avisa;
  • Diz o primeiro nome;
  • Mantém um diálogo com pelo menos duas trocas de informação;
  • Descreve uma ação que está acontecendo em um livro, por exemplo, quando é perguntado;
  • Faz perguntas como “quem”, “o quê”, “onde” ou “por quê”;
  • Na maioria das vezes, as pessoas entendem o que a criança disse;
  • Se acalma após um curto período de tempo após ser deixado na creche, por exemplo.
4 anos
  • Consegue pegar uma bola grande;
  • Consegue se servir de comida ou água com supervisão;
  • Desabotoa alguns botões;
  • Segura o lápis ou giz de cera entre os dedos e o polegar.
  • Nomeia algumas cores de objetos;
  • Conta o que acontece a seguir quando conhece uma história;
  • Desenha uma pessoa com três ou mais partes do corpo;
  • Diz frases com quatro ou mais palavras;
  • Conta pelo menos uma coisa que aconteceu durante o dia;
  • Responde a perguntas simples como “Para que serve um giz de cera?”;
  • Diz algumas palavras de uma música, história ou cantiga de ninar;
  • Consegue fingir ser outra pessoa durante uma brincadeira, como um super-herói;
  • Pede para ir brincar com um amigo;
  • Conforta quem está triste ou chorando;
  • Evita o perigo, como pular de lugares altos;
  • Muda de comportamento dependendo de onde está.
5 a 6 anos
  • Utiliza tesoura sem ponta;
  • Pula em um pé só;
  • Desenha formas geométricas.
  • Fase dos “porquês”;
  • Maior consciência do certo e errado;
  • Pronúncia mais clara;
  • Canta, dança ou atua;
  • Segue regras ou respeita a vez de brincar;
  • Consegue fazer tarefas domésticas simples, como separar as meias;
  • Conta uma história que ouviu ou inventou, com pelo menos dois eventos;
  • Responde perguntas simples sobre um livro ou uma história;
  • Mantém uma conversa fluindo com mais de três trocas de mensagens;
  • Conta até 10;
  • Utiliza palavras relacionadas ao tempo, como “ontem”, “amanhã”, “manhã” ou “noite”;
  • Mantém a atenção por 5 a 10 minutos durante as atividades;
  • Escreve cartas em seu nome;
  • Pode nomear algumas letras.
7 a 12 anos
  • Melhora o equilíbrio;
  • Domina atividades esportivas e de coordenação complexa.
  • Leitura e escrita consolidadas;
  • Transição de interesses, como de jogos lúdicos para atividades de jovens;
  • Formação de amizades sólidas;
  • Desenvolvimento da empatia e da independência moral.

É importante destacar que esta tabela serve como referência para observar o desenvolvimento infantil, e não como uma lista de checagem.

Caso perceba que a criança não atingiu alguns dos marcos esperados para sua faixa etária, o ideal é compartilhar essas observações com o pediatra para ele indicar uma avaliação detalhada e especializada.

Os novos marcos do desenvolvimento infantil: atualizações do CDC

Em 2022, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), em parceria com a Academia Americana de Pediatria (AAP), realizou uma revisão histórica nos marcos do desenvolvimento infantil.

Para as famílias, essa mudança trouxe mais clareza científica e ajudou a desmistificar velhos costumes.

Entenda mais sobre as atualizações a seguir.

O que mudou com os novos marcos de desenvolvimento?

A mudança mais técnica e importante foi o referencial numérico. Antes, os marcos do desenvolvimento infantil eram baseados na idade média em que 50% das crianças atingiam uma habilidade.

Com a atualização, os marcos passaram a refletir a idade média em que 75% ou mais das crianças já devem ter alcançado tal habilidade.

Por exemplo, nas tabelas antigas, um marco como “apontar para partes do corpo” aparecia aos 12 meses porque metade das crianças conseguia realizar a ação nessa idade.

Na nova diretriz, para evitar alarmes falsos ou diagnósticos imprecisos, essa habilidade foi reajustada para os 24 meses, faixa etária em que 75% ou mais das crianças já a consolidaram.

Da mesma forma, marcos de vocabulário e linguagem foram refinados para refletir o que a grande maioria das crianças realmente demonstra na prática.

Por que isso importa?

Como as tabelas antigas utilizavam a média de 50%, era comum que médicos e familiares adotassem a postura do “cada um tem seu tempo”, pois ainda havia uma chance estatística de a criança alcançar tal marco do desenvolvimento infantil meses depois.

Ao elevar a régua para 75%, a mensagem da ciência se tornou mais clara.

Se a criança chegou àquela idade e não atingiu o marco, não devemos “esperar para ver”. Aquele já é um sinal de alerta que indica a necessidade de uma avaliação especializada e, se for o caso, de intervenção precoce.

Novas idades mapeadas

A atualização do CDC também incluiu faixas etárias que antes não existiam nas tabelas, mas que são fundamentais: os check-ups de 15 e 30 meses.

Isso alinhou a observação dos marcos do desenvolvimento infantil com a rotina padrão de consultas pediátricas, garantindo que não existam grandes janelas em aberto no acompanhamento da criança, especialmente no desenvolvimento da linguagem e da comunicação social.

Principais sinais de atraso no desenvolvimento infantil

Como vimos, os marcos do desenvolvimento infantil servem como um farol. Quando a criança não os atinge, precisamos observar o cenário completo.

Dizemos haver um atraso no desenvolvimento infantil quando a criança demora mais tempo para adquirir habilidades esperadas para sua faixa etária em um ou mais domínios (motor, cognitivo, linguagem ou socioemocional), ou quando essas habilidades não surgem de forma espontânea.

É muito comum, especialmente na nossa vivência clínica e no olhar sobre o autismo, que as famílias notem primeiro o atraso na fala oralizada.

No entanto, o desenvolvimento social e a intenção de se comunicar costumam dar sinais de atraso muito antes.

Segundo Alice Tufolo, psicóloga e conselheira clínica na Genial Care:

“Em cada faixa etária, a busca por interação e a ponte de comunicação acontecem de formas diferentes. No primeiro ano de vida, observamos se o outro ser humano é um estímulo significativo para a criança, se ela busca o olhar, se responde a sorrisos e se valoriza as expressões faciais do cuidador. A socialização e a comunicação andam lado a lado desde os primeiros meses.”

Famílias e cuidadores, portanto, devem se atentar a estes sinais de atraso divididos em três áreas centrais:

  • Atrasos na comunicação;
  • Atrasos sociais; e
  • Atrasos comportamentais.

Entenda mais sobre eles a seguir.

Atrasos no desenvolvimento da comunicação

A comunicação abrange a habilidade de entender o ambiente e expressar desejos, intenções e necessidades. Quando há um atraso nessa área, a criança pode apresentar dificuldades tanto na fala quanto no uso de gestos e expressões não verbais.

Alguns sinais de atraso no desenvolvimento da comunicação são:

  • Não responde quando é chamada pelo nome aos 9 meses.
  • Não aponta para pedir algo que quer ou para mostrar algo interessante aos 18 meses.
  • Não utiliza gestos simples, como dar tchau ou balançar a cabeça para dizer “não” até os 12 meses.
  • Perda de qualquer habilidade de fala ou balbucio que a criança já havia adquirido (regressão).

Identificar esses sinais previamente permite à família oferecer suportes alternativos de comunicação, como as pranchas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), para, assim, a criança conseguir estabelecer uma comunicação funcional.

Atrasos no desenvolvimento social

O desenvolvimento social envolve o interesse pelo outro, a habilidade de estabelecer conexão e a reciprocidade nas interações. Atrasos nessa área impactam como a criança percebe e se relaciona com familiares e outras crianças. Ela pode:

  • Evitar o contato visual constante ou ter dificuldade em mantê-lo.
  • Não demonstrar interesse por outras crianças ou pessoas ao redor.
  • Não imitar ações de adultos, como bater palmas ou fingir falar ao telefone.
  • Não realizar o brincar imaginativo (faz de conta) após os 2 anos.

A atenção compartilhada e o interesse no contato humano são bases indispensáveis para a construção de vínculos afetivos e aprendizagens sociais ao longo da vida.

Atrasos no desenvolvimento comportamental

Sinais de atraso comportamentais dizem respeito à forma como a criança explora o ambiente, lida com mudanças de rotina e organiza suas ações e reações corporais diante de estímulos.

Um atraso no desenvolvimento comportamental pode apresentar os seguintes sinais:

  • Interesses excessivamente restritos, por exemplo focar intensamente em partes de brinquedos em vez do brinquedo como um todo.
  • Movimentos repetitivos constantes, como balançar o tronco ou agitar as mãos, o que chamamos de estereotipias.
  • Extremo apego à rotina e/ou dificuldade de regulação emocional em mudanças na rotina.

Quando esses comportamentos surgem acompanhados de dificuldades de comunicação, é fundamental investigar as causas subjacentes junto a uma equipe especializada.

Atraso no desenvolvimento infantil: quando procurar um especialista e quem buscar?

Se você notou a ausência de um ou mais marcos do desenvolvimento infantil, ou identificou os sinais de alerta citados no tópico anterior, não precisa se desesperar, mas vale conversar com um especialista.

A intervenção precoce, conjunto de estratégias e terapias aplicadas desde os primeiros sinais de desenvolvimento atípico em uma criança, pode transformar a trajetória de desenvolvimento e garantir muito mais autonomia e qualidade de vida no futuro.

O primeiro passo, portanto, é conversar com o pediatra da criança, relatando suas observações de forma transparente.

A partir daí, o médico poderá encaminhá-la para um neuropediatra, especialista no desenvolvimento neurológico infantil.

Caso seja necessário iniciar terapias, o ideal é contar com uma equipe multidisciplinar, que, no caso do Transtorno do Espectro Autista, inclui principalmente:

  • Fonoaudiólogo: para avaliar e intervir nas questões de linguagem, comunicação e fala.
  • Terapeuta Ocupacional: para apoiar desenvolvimento motor, autonomia nas atividades diárias e questões de integração sensorial.
  • Psicólogo: para auxiliar no desenvolvimento socioemocional, na regulação de comportamentos e no apoio à família.

Buscar ajuda profissional não significa rotular a criança, mas dar a ela as ferramentas necessárias no momento em que seu cérebro possui a maior plasticidade neural para aprender.

Temos outro artigo que detalha mais sinais de atraso no desenvolvimento infantil. Leia também: Sinais de atraso no desenvolvimento da criança.

Como estimular o desenvolvimento infantil no dia a dia?

O desenvolvimento infantil também acontece nas pequenas interações do cotidiano. Você não precisa de equipamentos caros, mas sim de presença e intenção. Algumas práticas que fazem toda a diferença incluem:

  • Se posicione no nível da criança: brinque no nível dos olhos da criança. Isso facilita o contato visual, a imitação e a atenção compartilhada.
  • Narre a rotina: converse com a criança enquanto dá banho, veste a roupa ou prepara a comida. Isso enriquece o vocabulário e a compreensão da linguagem.
  • Brinque de faz de conta: crie cenários imaginários, como dar comidinha, cuidar de um bichinho. Isso estimula a cognição e as habilidades sociais.
  • Ofereça previsibilidade: o mundo pode ser muito confuso para os pequenos. Antecipar o que acontecerá, utilizando suportes visuais ou avisos verbais simples, auxilia na regulação emocional.
  • Evite o excesso de telas: principalmente antes dos 2 anos, a exposição a telas pode prejudicar a interação social e atrasar marcos importantes. Lembre-se de que a criança aprende no mundo real, tocando e interagindo com humanos.

Inserir a estimulação de forma leve nas atividades que a família já realiza fortalece os laços afetivos e transforma momentos comuns em grandes oportunidades de aprendizado.

Conclusão

Acompanhar o desenvolvimento infantil não é sobre criar cobranças e expectativas, mas sobre garantir oportunidades desde os primeiros anos de vida.

O conhecimento sobre as fases, os domínios e a nova forma de olhar para os marcos do desenvolvimento serve para tirar o peso da dúvida dos ombros das famílias.

Lembre-se sempre de que cada criança é única, mas o desenvolvimento atípico ou os sinais de atraso no desenvolvimento infantil não devem ser silenciados pelo mito do “ele tem o tempo dele”.

Se algo chamar sua atenção, não hesite em buscar orientação profissional assim que possível.

Na Genial Care, oferecemos todo o suporte, cuidado integrado e conhecimento científico que a criança no espectro autista precisa para desenvolver autonomia e atingir seu máximo potencial ao longo de toda a vida.

Se você notou algum sinal de alerta ou tem dúvidas sobre o desenvolvimento infantil da sua criança, o primeiro passo pode ser dado agora mesmo.

Acesse nossa ferramenta gratuita e responda ao questionário M-CHAT, uma escala de rastreio que ajuda a observar sinais de autismo na primeira infância:

Dúvidas Frequentes (FAQ)

O que causa o atraso no desenvolvimento infantil?

O atraso no desenvolvimento não possui uma causa única. Ele ocorre quando há demora significativa na aquisição de habilidades motoras, cognitivas, sociais ou de linguagem. Pode ser influenciado por fatores genéticos, falta de estímulos adequados, prematuridade ou estar associado a condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

É normal a criança regredir no desenvolvimento?

Não. A perda de qualquer habilidade que a criança já havia adquirido, seja na fala (parar de balbuciar ou falar palavras), na interação social ou no desenvolvimento motor, é sempre um sinal de alerta. Diante de qualquer regressão, comunique o pediatra da criança assim que possível.

Fontes/referências

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