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O que fazer para não piorar as crises do meu filho?

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Gabriela Bandeira

05 de março de 2021

8 min.

Será que eu pioro as crises do meu filho com meu comportamento? Essa é uma dúvida de muitos familiares que convivem com alguém no espectro do autismo. Se também é uma preocupação sua, saiba que você não está sozinho!

Lidar com as crises de uma criança no espectro do autismo não é uma tarefa fácil para muitas famílias. Um exemplo claro disso é que 57% dos respondentes do estudo Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil em 2020 declararam não saber o que fazer ou como agir em situações desafiadoras com a criança.

Embora cada criança seja única, e não exista uma fórmula mágica para garantir que a crise do seu filho vai passar, algumas dicas do que fazer e não fazer podem te ajudar nesses momentos difíceis. Vamos te ajudar com isso!

O que não fazer durante a crise?

Não grite

Com as emoções à flor da pele, é mais provável elevar o tom de voz, especialmente quando queremos falar mais alto que o som emitido pela criança. Mas gritar só vai deixá-la mais desregulada e pode agravar a situação.

Agir sem pensar e refletir

Se isso já aconteceu alguma vez, não precisa se culpar. É perfeitamente natural que a família entre em desespero e até chore em um momento de crise do filho. No entanto, se você não estiver bem, ela tampouco vai ficar. Por isso, respire fundo e se regule emocionalmente antes de querer ajudá-la, ok?

Se preocupar com os olhares alheios

É óbvio que se sentir exposta e julgada pelo fato da criança estar tendo uma crise e ninguém compreender o que está acontecendo é bastante desagradável. Mas tente não se preocupar com o que os outros vão pensar e foque em minimizar a crise para que a criança se sinta tranquila.

Pode parecer difícil, mas olha o exemplo da Josie Ferreira, mãe do Mateus e criadora da página “Autismo: meu filho, seu mundo”.

“Andava com panfletos, e cheguei até a fazer uma camiseta escrito ‘meu filho é especial (autista) e estou fazendo com que ele se comporte bem em público. Caso esse bom comportamento não aconteça, peço-lhes desculpas. Sou apenas uma mãe lutando por seu filho especial”, conta

Muitas vezes, os olhares acontecem porque as pessoas não entendem o que está acontecendo e não tem como ajudar. Se ainda assim eles persistirem, isso não diz respeito a vocês.

Pode ajudar se você…

Levar a criança para um lugar mais tranquilo

Lembra que a maioria das crises do seu filho pode acontecer por causa da exposição a muitos estímulos de uma só vez? Pois, bem, levar a criança para um lugar mais sossegado e longe desses estímulos já é um passo enorme para que a crise se abrande.

Além disso, muitos lugares, como aeroportos, já têm uma sala especial para garantir que pessoas com autismo fiquem mais tranquilas e consigam se acalmar em momentos de crise. Viva a inclusão!

Tentar entender o que causou a crise

Algumas causas podem ser mais aparentes, enquanto outras são mais difíceis de descobrir. Ainda assim, é essencial que você reflita por um momento e tente entender o que ocasionou aquele comportamento, para evitar que ele se repita mais vezes ou criar estratégias que vão ajudar a manejá-los no futuro,

Aja como um detetive, anote tudo!

A crise passou, você e seu filho se acalmaram e isso já é página virada. Agora, volte ao momento da crise e tente analisar o que aconteceu. Lembra dos componentes de cada comportamento, né? Então descreva-os detalhadamente e compartilhe essas informações com todos que fazem parte do convívio com a criança: outros familiares, professores e funcionários da escola, a equipe multidisciplinar etc. Transmite seus aprendizados para que outras pessoas também saibam o que fazer, caso você não esteja por perto.

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Referências

Instituto Neurosaber

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