Autismo em adultos bissexualidade: imagem mostra foto de Luca sorrindo

Bissexualidade no autismo: conheça Luca Nolasco, do Introvertendo

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Gabriela Bandeira

30 de junho de 2022

A bissexualidade é uma das orientações sexuais que faz parte da comunidade formada por lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, queer, intersexuais, assexuais e outras sexualidades. Por isso, ela também faz parte da celebração do mês, em comemoração ao Orgulho LGBTQIA+

A data é celebrada em diversos países, inclusive no Brasil, no mês de junho. Mas o que isso tem a ver com o autismo? Pessoas no espectro também passam pela puberdade e desenvolvem a sexualidade. E muitas se identificam como membros da comunidade LGBTQIA+. 

Para falar mais sobre a importância de abordar o tema dentro da comunidade autista, conversamos com o estudante de biomedicina Luca Nolasco, participante do podcast Introvertendo – o primeiro no Brasil feito somente por autistas. 

A sexualidade no autismo 

A sexualidade no autismo é um tema muito importante, porém ainda pouco explorado. Mas pessoas autistas também passam pelo período da puberdade e desenvolvem a própria sexualidade, assim como as neurotípicas.

De acordo com o guia técnico internacional de educação sexual da UNESCO, publicado em 2018, a educação sexual é fundamental para a segurança e desenvolvimento saudável dos jovens. Mas apesar de evidências científicas demonstrarem o efeito benéfico desses programas, poucas crianças e jovens têm acesso a essas informações.

Quando falamos especificamente de crianças e adolescentes autistas, a criação de práticas direcionadas à sexualidade e puberdade são ainda menos frequentes. Isso impacta diretamente no aumento da vulnerabilidade dessa população. 

Autistas na comunidade LGBTQIA+

Descobrir o diagnóstico tardio de autismo é parte importante do processo de autoconhecimento de muitas pessoas no TEA. E muitas delas também se identificam como membros da comunidade LGBTQIA +. 

Para pôr fim aos mitos de que pessoas autistas não têm interesse em relacionamentos e na própria sexualidade, a orientação sexual dentro do espectro do autismo é um tema que vem sendo objeto de estudo há algum tempo. Em um estudo dos pesquisadores George e Stokes, publicado em 2018 e intitulado “Sexual Orientation in Autism Spectrum Disorder”, foram analisados diversos dados de pessoas com o diagnóstico de TEA e suas orientações sexuais. 

Ao fim do estudo, os pesquisadores apontaram que 69,7% das pessoas autistas que estavam no grupo se definiam como homossexuais, bisexuais, assexuais ou outros, enquanto as taxas para pessoas neurotípicas eram de 30.3%.

Mesmo com essa alta percentagem, pessoas autistas e LGBTQIA+ sofrem constante preconceito dentro e fora da comunidade. Assim, criar discussões sobre o tema é cada vez mais importante para ajudar a desconstruir esse tipo de discriminação. 

Luca Nolasco – autista e bissexual 

O estudante de bioquímica Luca Nolasco, que integra a equipe do Introvertendo – primeiro podcast feito apenas por pessoas autistas no Brasil – define a descoberta da sua própria sexualidade como surpreendentemente tranquila. “Houve muito questionamento interno se, de fato, eu era. Mas em grande parte girava em torno da aceitação da descoberta”, conta. 

Assumido para a mãe, ele diz que a informação não teve grande impacto, uma vez que ela própria admitiu desconfiar da orientação sexual do filho e teve uma boa aceitação quando ele a procurou para contar. Ainda assim, Luca confessa: “Infelizmente até hoje não tive coragem de falar com meu pai sobre o assunto”. 

Bissexualidade – preconceito e aceitação na comunidade autista e fora dela

Diferente do que aconteceu com a jornalista Sophia Mendonça, Luca afirma nunca ter sofrido preconceito por causa da sua bissexualidade dentro da comunidade autista – formada por pessoas no espectro.

“A comunidade do autismo nunca me expôs a preconceitos, então só consigo ser agradecido. Infelizmente fora da comunidade, comentários alheios ainda ocorrem, mas jamais algo tão difícil e preocupante quanto o que o restante da comunidade LGBTQIA+ sofre todos os dias”, reforça.

Além disso, ele conta que o fato de estar no espectro do autismo faz com que parte das pessoas de fora da comunidade façam julgamentos quanto à sua orientação sexual.

 “Diversas foram as vezes que as pessoas ficaram supondo imaturidade sexual e afetiva simplesmente por eu ser autista. Isso nunca foi problema com as pessoas com quem me relacionei, mesmo com um breve convívio. Mas raras foram as vezes onde este convívio não se iniciou com preconceito”.

Um recado a todas as pessoas LGBTQIA+

Luca vivenciou suas próprias descobertas e já falou abertamente sobre a bissexualidade em episódios do podcast Introvertendo. Hoje, ele deseja boa sorte a todos que passam pelo mesmo processo de descoberta e, principalmente, reconhecimento. 

“É um período que parece intangível para quem nunca passou, mas extremamente importante e necessário. Boa sorte, pois eu sei que é imprevisível o julgamento e sofrimento que pode se passar. É necessária coragem para enfrentar o mundo”, conclui.

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