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RUBI Sessão 11 – Generalização e manutenção

Este é o sétimo volume da série que criamos sobre o protocolo RUBI de treinamento parental, material que tem como objetivo principal capacitar pais e cuidadores no manejo de comportamentos desafiadores de seus filhos no espectro.

Falamos anteriormente sobre as sessões 1 a 10 e organizamos as informações da seguinte forma nos textos anteriores:

  • Sessões 1 e 2, que têm como foco introduzir os princípios comportamentais, como o modelo A-B-C de registro e análise de comportamentos e apresentar estratégias de prevenção para os comportamentos desafiadores;
  • Sessões 3 e 4, que cobrem a importância da organização de uma rotina diária e a introdução do conceito de reforço;
  • Sessões 5 e 6, que se aprofundam no conceito de reforço e no ignorar de maneira  planejada, enquanto estratégia para potencializar o desenvolvimento saudável de crianças com TEA;
  • Sessões 7 e 8, que apresentam como objetivo principal estratégias para o ensino e fortalecimento de habilidades de cooperação e de comunicação funcional.
  • Sessões 9 e 10, que têm foco em procedimentos importantes para o ensino de novas habilidades importantes para o desenvolvimento saudável da criança no espectro.

Este artigo apresenta a sessão 11, última sessão do protocolo que tem como objetivo ensinar pessoas cuidadoras a planejarem a generalização e manutenção das habilidades ensinadas à criança com autismo.

RUBI – Sessão 11: Generalização e Manutenção

A sessão 11 do RUBI tem dois objetivos fundamentais, apresentar os conceitos de generalização e manutenção às pessoas cuidadoras de crianças com TEA. 

Essas duas estratégias possibilitam que as novas habilidades aprendidas pela criança, além de outras mudanças comportamentais, se mantenham de um contexto para o outro e ao longo do tempo.

Para que os familiares compreendam esses dois conceitos fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança, são abordados os seguintes tópicos:

  • Revisar as mudanças comportamentais e novas habilidades aprendidas pela criança;
  • Introduzir o conceito de manutenção;
  • Introduzir o conceito de generalização;
  • Discutir estratégias que promovam tanto a manutenção quanto a generalização das mudanças comportamentais e novas habilidades aprendidas;
  • Revisar vídeos curtos como exercícios para gerar ideias de como promover a generalização e manutenção em casa.

É importante mencionar que a pessoa cuidadora só passará por essa etapa do treinamento parental após ter relatado ganhos comportamentais pela criança, ou seja, apenas se a criança tiver aprendido habilidades novas importantes para sua autonomia.

O que é manutenção?

O conceito de manutenção se refere à etapa na qual passam a ser programados procedimentos que permitem que os ganhos da criança se mantenham, mesmo após a intervenção ser encerrada e os arranjos do ambiente de ensino terem sido suspendidos. 

Isso porque uma intervenção só tem sucesso em ensinar novos comportamentos e ao promover mudanças comportamentais, quando essas habilidades passam a ocorrer fora do ambiente de ensino programado e ao longo do tempo. Ou seja, passa a ser necessário que o ambiente natural da criança reforce os novos comportamentos para que eles continuem ocorrendo no decorrer do tempo.

Estratégias do RUBI para promover a manutenção de novas habilidades

Para que os familiares saibam como manter os ganhos da criança ao longo do tempo, o RUBI oferece duas dicas principais:

  • É necessário que o comportamento continue sendo reforçado para que ele se mantenha: Dessa forma, ainda que a criança tenha passado a usar as novas habilidades, a pessoa cuidadora deve continuar disponibilizando o reforço que mantém esse comportamento.
  • É necessário passar para um esquema de reforçamento mais naturalmente mantido: No começo, quando um comportamento está sendo ensinado, as consequências precisam ser imediatas e contínuas. Ou seja, toda vez que o comportamento ocorre é necessário apresentar um reforço imediatamente. Isso é chamado de esquema de reforçamento contínuo e, em geral, é ideal para o processo de aquisição de novos comportamentos. Com o passar do tempo, conforme a criança passa a demonstrar maior independência na habilidade (não precisa mais de dicas), as consequências reforçadoras continuam sendo essenciais, no entanto, algumas mudanças são necessárias. A partir desse momento, o esquema de reforçamento ideal passa a ser o intermitente, no qual apenas algumas ocorrências do comportamento são reforçadas. Outra manipulação possível durante a etapa de manutenção é o atraso na apresentação da consequência

É interessante lembrar que tanto a intermitência quanto o atraso na apresentação da consequência, produzem persistência, uma característica essencial para que um comportamento se mantenha ao longo do tempo. 

Isso porque, nas situações naturais do dia a dia, nossos comportamentos nem sempre produzem consequências reforçadoras e, muitas vezes, quando produzem, as consequências não são imediatas. Por isso é importante que haja essa mudança no esquema de reforçamento. 

O que é generalização?

A generalização ocorre quando a habilidade aprendida em um determinado ambiente passa a ocorrer em contextos diferentes dos ensinados diretamente. Dessa forma, o comportamento ensinado passa a ocorrer em situações diferentes daquelas nas quais foi treinado, com pessoas e estímulos diferentes, mantendo-se no ambiente natural e ao longo do tempo. 

Estratégias para promover a generalização de novas habilidades

No RUBI, são destacadas quatro dicas para que familiares e pessoas cuidadoras saibam como promover a generalização das novas habilidades aprendidas pela criança:

  • A habilidade que está sendo ensinada deve ser reforçada em diversos contextos: Uma criança pode ter aprendido a guardar seus brinquedos após o término da sessão de terapia e na presença do terapeuta. Porém, para que essa habilidade ocorra na escola, em casa ou em outros ambientes, é fundamental que esse comportamento seja reforçado em diferentes contextos e na presença de diversas pessoas. 
  • É interessante usar reforçadores que ocorrem naturalmente em diferentes ambientes: Pode ser difícil utilizar os mesmos reforçadores em ambientes diferentes. Por isso, para haver generalização do comportamento é importante que sejam usados reforçadores que naturalmente ocorrem nos contextos diversos. Dessa forma, é possível que a criança tenha acesso a reforçadores em casa, que não terá na escola. Por exemplo: Uma criança que tem acesso ao seu tablet quando finaliza uma tarefa em casa, não deve deixar de ter esse mesmo comportamento reforçado na escola devido a ausência do tablet. Outros estímulos reforçadores podem ser inseridos para garantir que o comportamento seja reforçado em todos os ambientes de forma consistente. Na escola, a professora deve usar outros itens reforçadores que mantenham as novas habilidades.
  • Se um contexto for drasticamente diferente daquele no qual a habilidade foi ensinada, é possível que não haja generalização do comportamento: Se a criança aprendeu uma habilidade exclusivamente num determinado ambiente ou com pessoas específicas, é possível que não haja generalização do comportamento. Por exemplo, uma criança que aprendeu a nomear cachorro na sala de terapia vendo uma figura de um cachorro com o terapeuta, provavelmente não nomeará um cachorro andando em uma rua movimentada com sua avó. É necessário que ela seja exposta não apenas a figuras variadas com diferentes tipos de cachorros, mas também deverá ter oportunidades de nomear cachorros quando estiver passeando no parque com os pais, quando estiver na escola com a professora e seus colegas ou quando estiver diante do seu cachorro em casa.
  • Garanta que comportamentos desafiadores não estão sendo reforçados fora do contexto usual de treino: Os esforços realizados para mudar um ou mais comportamentos podem ser desperdiçados caso o comportamento esteja sendo reforçado de maneira inadequada em outros ambientes. Por exemplo: No caso de uma criança que está aprendendo a pedir um intervalo de tempo quando está cansada, ao invés de se jogar no chão e chorar. É importante que seu pedido produza o intervalo não apenas na presença do agente de ensino ou no contexto da terapia, mas também na presença de outras pessoas de sua convivência, em contextos variados. Dessa forma, todos que convivem com a criança devem ser consistentes com os objetivos do ensino, isso garantirá que ganhos de repertório não sejam perdidos.

Com esses dois conceitos apresentados, a pessoa cuidadora passa a ser capaz de manter todas as mudanças comportamentais da criança produzidas pela intervenção e, assim, a família passa a ter autonomia total do ensino de comportamentos importantes para o desenvolvimento da criança com autismo.

Após essa última sessão do RUBI, o treinamento parental pode ser encerrado ou os familiares podem passar por algumas sessões complementares, a depender da demanda do caso. Os temas dessas sessões são:

  • Economia de fichas;
  • Problemas alimentares;
  • Habilidades de imitação;
  • Problemas de sono;
  • Time out;
  • Treino de banheiro;
  • Manejo de crises.

Para você saber mais sobre como o RUBI funciona, fique de olho no nosso blog. O próximo texto da sequência vai apresentar algumas das 7 sessões complementares do manual: Economia de fichas e problemas alimentares