É autismo, e agora?

Camuflagem social: o que é e por que não usá-la com pessoas autistas?

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Gabriela Bandeira

29 de junho de 2022

Você já ouviu falar em camuflagem social no autismo? Também conhecido como masking (do verbo ‘mascarar’, em inglês), o termo se refere a um conjunto de estratégias usadas para esconder comportamentos que são comuns em pessoas com autismo, como as estereotipias, por exemplo. 

O principal objetivo dela é fazer com que o indivíduo se adapte melhor ao ambiente e atenda às expectativas em diversos contextos sociais. Mas será que é recomendado usar intervenções e até a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para camuflar comportamentos comuns do autismo?

Neste artigo, explicamos melhor sobre a camuflagem social ou masking e sua relação com o autismo.

O que é camuflagem social? 

Como citado acima, a camuflagem social é o nome dado a um conjunto de estratégias que têm como principal objetivo esconder alguns comportamentos bem comuns no autismo. Entre eles: 

  • Dificuldade em fazer contato visual; 
  • Presença de comportamentos repetitivos (estereotipias ou stims). 

Além disso, quando falamos em camuflagem social também falamos de táticas usadas por profissionais que envolvem desde gestos e entonações da voz até a modulação de assuntos para uma conversa. Em outras palavras, é um treino para fazer com que pessoas autistas se pareçam mais com pessoas neurotípicas. 

Assim, pode ser comum que durante essas intervenções, seja pedido que a pessoa autista imite gestos e entonações de pessoas neurotípicas. Algumas maneiras de fazer um treino de camuflagem social são: 

  • Compensação: copiar comportamentos e falas, criando  um roteiro de uma possível interação social para treino;
  • Mascaramento: monitor as próprias expressões corporais e faciais, com o objetivo de não demonstrar que a interação social está exigindo um esforço desgastante para a pessoa;
  • Assimilação: atuação em determinado contexto social, por meio de estratégias, comportamentos e até mesmo de outras pessoas, para passar a impressão de que a interação social está sendo realizada.

Embora aqui estejamos falando com relação ao autismo, é importante ressaltar que a camuflagem social é uma estratégia usada por muitos de nós enquanto sociedade, diante de um padrão de normalidade definido. Mas no caso do autismo, isso pode trazer uma problemática ainda maior. 

Camuflagem social e autismo em mulheres

Até algum tempo atrás, era comum pensar que o diagnóstico de autismo era mais frequente em indivíduos do sexo masculino. Esse é um dos principais motivos para a cor azul ter sido definida no passado como um dos símbolos do autismo

No entanto, pesquisadores notaram anos atrás que mulheres podem ser menos diagnosticadas com autismo, e a camuflagem social era justamente um dos motivos para isso acontecer. 

De acordo com eles, mulheres são normalmente mais expostas em situações sociais e forçadas a se comportar de determinada ‘adequada’ desde cedo. Assim, algumas das características presentes no autismo acabavam sendo ocultadas no processo, o que dificulta o diagnóstico na infância ou adolescência. 

Hoje em dia, é muito mais comum ver casos de diagnóstico tardio de autismo. E muitas mulheres autistas acabam se descobrindo no espectro já na vida adulta. Isso justamente porque os sinais presentes no autismo foram ‘escondidos’. 

Por que não usar essas estratégias em pessoas autistas?

Diante disso tudo, existe um debate muito grande quanto ao não uso das estratégias de camuflagem social para pessoas autistas. Isso porque estudos demonstram que retirar estereotipias, por exemplo, pode ocasionar o aparecimento de sintomas comuns da depressão e ansiedade. 

Além disso, vale reforçar que as estereotipias não são comuns apenas em pessoas com autismo. Pessoas neurotípicas, como eu e você, podem apresentar esses comportamentos como uma forma de autoregulação, sendo os mais comuns:

  • Bater os pés no chão; 
  • Bater as mãos sobre a mesa;
  • Cruzar e descruzar as pernas;
  • Estalar os dedos;
  • Morder a tampa da caneta.

Muitas vezes, são comportamentos que temos e não percebemos, até alguém pontuar, mas que são inofensivos e nos ajudam a controlar a ansiedade. Também é assim com pessoas autistas. 

Isso não significa que estamos dizendo que pessoas autistas não devem ser sociáveis e aprenderem maneiras de conseguir interagir melhor socialmente – quando for necessário – para estarem nos mais diversos ambientes. 

Mas nesses casos, treinos de habilidade social podem se mostrar eficientes e ajudá-las a atingir esse objetivo, sem fazer com que se pareçam “menos” autistas. Para continuar a aprender mais sobre o autismo, leia nosso blog

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