ABA e intervenções para autismo musicoterapia: imagem mostra mulher e criança sentados ao piano, la ajuda criança a tocar.

Práticas baseadas em evidências: a musicoterapia como estratégia de intervenção

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Gabriela Bandeira

27 de maio de 2022

A musicoterapia é uma prática terapêutica que ajuda pessoas com autismo a se desenvolverem em diversas áreas como a interação social, comunicação vocal e não-vocal, entre outras. 

Apesar de pouco conhecida, quando comparada a intervenções  como ABA, Método Denver, fonoaudiologia e terapia ocupacional, a musicoterapia foi reconhecida como uma das práticas baseadas em evidências recomendadas para o autismo no Evidence-Based Medicine, publicado pela Associação para a Ciência no Tratamento do Autismo (ASAT, na sigla em inglês) em 2014. 

Neste artigo, explicamos mais sobre a musicoterapia, sua importância para o desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e como ela funciona. 

Práticas baseadas em evidências

As práticas baseadas em evidências científicas são um conjunto de procedimentos que foram estudados por pesquisadores e cujos resultados se mostraram positivos para beneficiar alguma população específica. 

No caso do TEA, as PBEs são aquelas cujos resultados têm beneficiado pessoas no espectro a se desenvolverem. Das 28 práticas baseadas em evidências para o TEA que atingiram todos os critérios propostos pela revisão do ASAT, 23 eram baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

O que é musicoterapia?

As práticas baseadas na musicoterapia misturam um conjunto de elementos, como arte, saúde e neurociência para a realização de intervenções.. Essa terapia ajuda no desenvolvimento de áreas como:

  • Comunicação (vocal e não vocal);
  • Expressão;
  • Aprendizagem;
  • Organização. 

Os casos mais comuns de suas aplicações são:

  • Promover a saúde;
  • Reabilitar o indivíduo;
  • Prevenir o agravamento de condições neurológicas degenerativas;
  • Promover o bem-estar;
  • Promover a qualidade de vida. 

Um detalhe importante é que não existem recomendações de que a musicoterapia funciona melhor com determinados tipos de pessoa. Assim, independente do grau de comprometimento cognitivo e/ou motor – o que pode fazer com que a pessoa não consiga participar ativamente da terapia – ela ainda pode ocorrer e beneficiar o indivíduo. 

Ela também pode ser realizada individualmente ou em grupo, sendo que cada modelo tem seu próprio benefício para quem o faz. 

Tipos de musicoterapia

Existem diferentes formas de aplicar as estratégias de musicoterapia como intervenção musical. Veja algumas delas: 

Musicoterapia analítica

A musicoterapia analítica encoraja o indivíduo a fazer uso de um “diálogo” musical improvisado, cantando ou tocando um instrumento para expressar seus pensamentos inconscientes. Assim, espera-se que ele possa refletir e discutir com seu terapeuta tudo que foi dito posteriormente.

Musicoterapia Benenzon

Este formato combina conceitos da psicanálise com o processo de criação musical. A musicoterapia Benenzon inclui a busca da sua “identidade sonora musical”, ou seja, descreve sons externos que mais se aproximam do seu estado psicológico interno.

Musicoterapia cognitivo-comportamental

Já a musicoterapia cognitivo-comportamental é uma abordagem que combina a terapia cognitivo-comportamental (TCC) com a música. Nesse modelo, a música é usada para reforçar alguns comportamentos e modificar outros. Essa abordagem é estruturada, não improvisada, e pode incluir ouvir música, dançar, cantar ou tocar um instrumento.

Musicoterapia comunitária

Este formato está focado no uso da música como forma de facilitar a mudança no nível da comunidade. É feito em um ambiente de grupo e requer um alto nível de envolvimento de cada membro para que sua realização ocorra.

Musicoterapia Nordoff-Robbins

Também chamada de musicoterapia criativa, esse método envolve tocar um instrumento (geralmente um prato ou tambor) enquanto a terapeuta acompanha o uso de outro instrumento. O processo de improvisação usa a música como forma de ajudar a possibilitar a auto expressão.

Método Bonny de imaginação guiada e música 

Esta forma de terapia usa a música clássica como forma de estimular a imaginação. Neste método, o indivíduo explica seus sentimentos, sensações, memórias e imagens que experimenta enquanto ouve a música.

Psicoterapia vocal

Já neste formato, o indivíduo usa vários exercícios vocais, sons naturais e técnicas de respiração para se conectar com suas emoções e impulsos. Essa prática visa criar um senso mais profundo de conexão consigo mesmo.

Como a musicoterapia ajuda pessoas com autismo? 

A musicoterapia como intervenção no autismo é essencial para garantir melhor qualidade de vida para esses indivíduos. Além disso, essa terapia trabalha com muitos estímulos que podem ajudar no desenvolvimento da vocalização e fala. Isso porque os estímulos sensoriais abrandem o processamento auditivo, reconhecimento e discriminação de sons, entre outros.

Estudos já realizados demonstram que a musicoterapia é um método eficaz e cujos resultados são positivos para a melhoria de habilidades em crianças com TEA. Entre seus benefícios para o autismo estão: 

  • Diminuição do estresse;
  • Expressar melhor os sentimentos;
  • Regulação emocional;
  • Melhora das habilidades de comunicação;
  • Melhora dos comportamentos sociais;
  • Aumento do foco e atenção – que pode ajudar pessoas cuja comorbidade é TDAH;
  • Redução no nível de ansiedade;
  • Melhora da consciência corporal e coordenação motora. 

Além disso, a musicoterapia no autismo também pode ajudar no bem-estar, satisfação emocional, memória, criatividade, socialização e interação social. 

Quem pode aplicar?

Para atuar como musicoterapeuta, o profissional precisa ter formação em Musicoterapia. Esse curso de ensino superior tem titulação de bacharelado e traz disciplinas do curso de música e do campo da neurociência. 

Além disso, profissionais que já têm ensino superior completo e desejam atuar como musicoterapeutas podem fazer uma pós-graduação em musicoterapia. 

A musicoterapia substitui outras intervenções para autismo? 

Apesar de todos esses benefícios, a musicoterapia não substitui as intervenções  como ABA, Método Denver, fonoaudiologia e terapia ocupacional para o autismo. Ela pode ser usada como um recurso adicional a essas intervenções que também são importantes para o desenvolvimento de pessoas com autismo. 

Para conhecer mais sobre as práticas baseadas em evidências para o autismo e demais intervenções, leia nosso blog

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Escrito por:

Gabriela Bandeira

Qual é a sua relação com a criança autista?*