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Hipersensibilidade: autistas e a perturbação com fogos de artifício

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Gabriela Bandeira

10 de dezembro de 2021

7 minutos

hipersensibilidade é uma característica muito comum em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). E ouvimos falar muito sobre esse tema especialmente com a chegada do Réveillon, devido  a presença de fogos de artifício barulhentos que podem causar imenso desgaste e sofrimento para elas e suas famílias.

Assim como a hipossensibilidade, a hipersensibilidade faz parte do que chamamos de Transtorno do Processamento Sensorial. E ter esse diagnóstico como uma comorbidade do TEA é essencial para que as famílias busquem ajuda e saibam como lidar com momentos em que a pessoa autista vai estar exposta a estímulos muitos fortes que podem causar crises.

No artigo de hoje, explicamos mais sobre a hipersensibilidade, a relação com os fogos de artifício e as principais maneiras de ajudar pessoas autistas a lidar com esse estímulo em específico.

Hipersensibilidade e hipossensibilidade no autismo

O Transtorno do Processamento Sensorial é uma condição na qual o sistema nervoso apresenta dificuldade para processar estímulos do ambiente e dos sentidos.

Pode ou não estar presente em pessoas autistas, mas se trata de um distúrbio distinto do TEA. Ele se divide em:

  • Hipersensibilidade: aqui, a pessoa sente demais os estímulos. Por isso, os sons podem ser, por exemplo, mais altos e estímulos visuais muito fortes;
  • Hipossensibilidade: a pessoa precisa de muito esforço para sentir qualquer tipo de estimulação. Por isso é comum que pessoas com hipossensibilidade estejam sempre agitadas e em movimento.

Além disso, quando se identifica o Transtorno do Processamento Sensorial, existem classificações diagnósticas que determinam o quadro daquela pessoa:

  • Transtorno de modulação sensorial: dificuldade para regular grau, intensidade e natureza das respostas dos estímulos sofridos;
  • Transtorno de discriminação sensorial: gasta mais energia para identificar diferenças e semelhanças dos estímulos;
  • Transtornos motores com base sensorial: dificuldade para absorver informações do próprio corpo e reagir de forma coerente com o ambiente.

É preciso conhecer esta condição para entender a dificuldade de pessoas autistas em lidar com os sons dos fogos de artifício.

Por que autistas não gostam do som de fogos de artifício?

Estudos estimam que entre 56% e 80% das pessoas no espectro do autismo apresentam a hipersensibilidade, ou seja, elas sentem demais os estímulos do ambiente, como o som. Sendo assim, o barulho dos fogos de artifício pode ser muito alto para que elas lidem com esse estímulo sem ter uma crise.

Assim, o que pode ser uma sensação considerada normal e tolerável para pessoas neurotípicas – sem nenhum transtorno de desenvolvimento – pode ser considerada um estímulo verdadeiramente aversivo para uma pessoa autista, a ponto de gerar angústias e sofrimentos incapacitantes.

A boa notícia é que, ao longo dos últimos anos, muitas cidades e estados, como São Paulo, adotaram a queima de fogos de artifício silenciosos justamente visando diminuir o sofrimento de pessoas com alguns transtornos, como o autismo e o processamento sensorial, e também animais que têm uma audição mais aguçada.

Ainda assim, muitas pessoas autistas continuam a sofrer com os estímulos causados pelos fogos. Por isso, existem algumas maneiras de ajudá-las.

Como ajudar pessoas autistas com hipersensibilidade

A maneira mais comum de ajudar a pessoa autista com hipersensibilidade a lidar com os altos estímulos causados pelos sons dos fogos de artifício é usando os fones de ouvido antirruído. Esses equipamentos custam entre R$ 150 e R$ 400 e podem ser encontrados online.

No entanto, caso você não possa arcar com o custo do produto, existem algumas formas de evitar crises por causa da alta exposição a estímulos:

  • Dê previsibilidade: esta é uma orientação poderosa para ajudar pessoas autistas a lidarem com o incômodo dos fogos de artifício. Por isso, reforce com antecedência, de maneira visual ou verbalque esta é uma época em que a queima de fogos é comum;
  • Use protetores de espuma: vendidos em farmácias e por um preço acessível, esses objetos conseguem bloquear até 30 decibéis, o que já ajuda a diminuir um pouco o volume dos fogos de artifício;
  • Permaneça dentro de casa: se você já tem experiências passadas com a pessoa autista que demonstram quão desconfortável o barulho dos fogos é para ela, pode ser melhor ficar em casa ou em um ambiente confortável para ela;
  • Explique o que está acontecendo: assim como na dica 1, podemos usar fotos e até vídeos para explicar a pessoa no espectro do autismo o motivo dos fogos estarem sendo soltos;
  • Converse com seus vizinhos sobre essa dificuldade: seja no grupo do condomínio ou batendo na porta do vizinho, explique a ele sobre o autismo, o transtorno do processamento sensorial e a dificuldade que seu filho ou filha tem em lidar com sons muito altos. Sabendo disso, ele pode te ajudar.

Para continuar a aprender sobre autismo e orientações nos momentos de crise, acesse nosso blog.

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Escrito por:

Gabriela Bandeira

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