Para as famílias menino deitado brincando sozinho com avião

A importância de deixar a criança brincando sozinha

Foto do author Heloise Rissato

Heloise Rissato

Publicado em 05 de abril de 2023 Atualizado em 24 de outubro de 2023

6 minutos

Muitas famílias e pessoas cuidadoras ficam com dúvidas sobre deixar a criança brincando sozinha, já que quando falamos de autismo, focamos muito no desenvolvimento da interação social.

Mas é importante saber que o processo de brincar sozinha pode ser, sim, algo benéfico para a vida dos pequenos, desde que seja feita de forma saudável e não represente uma tentativa de se isolar do mundo.

É claro que precisamos entender o perfil individual de cada criança e também o quanto de tempo ela prefere ficar assim.

Mas de forma geral, o ato de brincar sozinho é um processo de crescimento saudável e bastante construtivo para as habilidades e também maturidade das crianças no espectro.

Para ajudar você, que é uma pessoa cuidadora preocupada com o bem-estar e desenvolvimento do pequeno, neste texto, vamos entender melhor se a brincadeira sozinha é algo positivo ou não, como estimular esse comportamento dentro de casa e quando os pais devem se preocupar com essa atitude. Acompanhe na leitura!

É ruim deixar a criança brincando sozinha

criança brincando sozinha com trenzinho de madeira

Vamos começar com algo muito importante: o ato de brincar, por si só, já é algo muito construtivo, saudável e estimulante. Por isso, mesmo deixando a criança brincando sozinha, esse processo está contribuindo para o desenvolvimento emocional dela.

Isso porque, como todas as experiências de vida, o brincar sozinho ajuda no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, bem como no aprendizado de aspectos importantes para o dia a dia, como:

  • Criatividade;
  • Autonomia;
  • Imaginação;
  • Confiança.

Assim como os adultos, as crianças não precisam de interação o tempo todo. É claro, que esse é um processo muito importante para elas, mas, muitas vezes, desfrutar de maneira tranquila da sua própria companhia é positivo para a autoestima e autoconfiança.

Nesse momento de brincar sozinho, a criança no espectro pode desfrutar da sua própria companhia, estimulando o faz de conta por meio de fantasias e a partir disso, expressar seus sentimentos.

Como cada criança é única e tem suas singularidades, ela vai encontrar a melhor maneira de lidar com suas brincadeiras e emoções, e não há nada de errado com isso.

Mas vale ressaltar que: a opção de não compartilhar uma brincadeira não deve estar associada a fuga da realidade ou dificuldade de relacionamento com outras pessoas, mas sim o prazer de se entreter de forma autônoma.

Quando se preocupar com a criança brincando sozinha?

Embora seja fundamental permitir que as crianças brinquem sozinhas, é igualmente importante que os pais, família ou pessoas cuidadoras, fiquem atentos a alguns sinais de que essa prática pode estar ligada a dificuldades de relacionamento com outras pessoas ou falta de interesse na troca social:

  • Isolamento excessivo: Se a criança começar a preferir brincar sozinha o tempo todo, isso pode indicar que ela está se isolando socialmente ou até mesmo está com dificuldades de ter interação com pares da mesma idade. Nesse caso, é essencial incentivar a interação com outras crianças para desenvolver suas habilidades sociais.
  • Expressões de solidão: Se a criança demonstrar tristeza ou solidão durante o tempo em que brinca sozinha, é fundamental estar presente e oferecer suporte emocional. Às vezes, tudo o que eles precisam é de uma companhia amorosa para se sentirem seguros.
  • Falta de variedade nas atividades: Se a criança ficar presa em um único tipo de atividade ou brinquedo quando está sozinha, isso pode indicar falta de estímulo. Introduza uma variedade de brinquedos e atividades para enriquecer sua experiência e criar mais oportunidades de aprendizagem durante o dia. Aqui é importante tomar cuidado com possíveis hiperfocos e não gerar crises, por isso, se for o caso de algo que a criança tem o hiperfoco relacionado, o ideal é buscar novas possibilidades de brincar com aquele item ou tema, variando o que já é feito.

Quais os benefícios de deixar a criança brincando sozinha?

criança brincando sozinha com blocos coloridos

Sabemos que pode ser difícil para a família dar esse espaço e entender que deixar a criança brincando sozinha é algo benéfico, especialmente quando falamos de famílias atípicas. Mas, é fundamental olhar essa ação como forma de protagonismo infantil ativo no desenvolvimento saudável.

São muitos os benefícios da brincadeira sozinha, como:

Liberdade criativa

Quando a criança consegue brincar sozinha, ela ativa a imaginação e tem total liberdade para criar cenários lúdicos com aquilo que gosta e faz parte da sua rotina.

Com brincadeiras que estimulam a criatividade é possível ampliar a habilidade criativa e dar mais liberdade para os pequenos criarem personagens, histórias e cenários divertidos, ampliando também a curiosidade e inovação nas ações do dia a dia.

Desenvolvimento de autonomia e autoconfiança

O ato de brincar sozinho ajuda a desenvolver confiança e segurança para que a criança tenha mais independência e autonomia para realizar suas atividades.

Assim, com o desenvolvimento dessas características é possível, ao brincar, construir novas habilidades para o futuro.

Independência social

Na hora de brincar sozinho, a criança consegue, gradualmente, desprender qualquer necessidade de interação para ficar bem e entender que sua companhia pode ser prazerosa em diversas situações, crescendo um adulto mais livre.

Inteligência emocional

Quando mais cedo incentivamos a inteligência emocional, melhor será para a criança com TEA entender, lidar e regular suas emoções ao longo da vida.

Por isso, ao brincar sozinha, ela consegue gerenciar esses sentimentos, potencializando essa habilidade, se sentindo cada vez mais seguras para se expressar de forma saudável.

Como os pais podem ajudar no brincar sozinho?

Como já falamos, é importante sempre respeitar o perfil específico de cada criança, seu repertório, habilidades e necessidades.

Por isso, se a família achar que o brincar sozinho está se tornando algo solitário, é fundamental conversar com a equipe multidisciplinar que acompanha o desenvolvimento da criança para entender como incentivar as interações sociais.

Para os pais que querem ajudar e incentivar a criança a brincar sozinha, o ideal é nunca interferir ou dizer como as brincadeiras devem ser feitas, para não criar qualquer tipo de dependência com diretrizes.

Além disso, é possível:

  • Criar um ambiente prazeroso para brincadeira, incentivando que ela aconteça da forma mais saudável possível;
  • Deixar que as brincadeiras fluam de forma livre sem atrapalhar ou se envolver quando a criança não pedir;
  • Incentivar sempre a autonomia da criança indicando novas ações que podem ser feitas sozinhas ou até mesmo brinquedos para esse tipo de atividade. Além disso, palavras de afirmação podem ajudar a encorajá-la;
  • Evitar atividades que envolvam telas é uma ótima maneira de incentivar a criatividade e estimular a imaginação durante esses momentos.

Lembre-se: brincar tem grande influência e importância no desenvolvimento das crianças com transtorno do espectro autista, já que pode proporcionar habilidades de atenção, memória, imitação e outras.

Por isso, converse com os profissionais da equipe da criança e entenda o que pode ser feito para estimular brincadeiras independentes, funcionais e simbólicas.

Conclusão

Permitir que seu filho brinque sozinho é uma escolha sábia quando se trata de nutrir seu desenvolvimento. É uma oportunidade valiosa para eles explorarem sua criatividade, ganharem independência e desenvolverem habilidades essenciais para a vida.

No entanto, é fundamental entender como deixar a criança brincando sozinha é positivo ao longo do dia e quando esse ato de brincar se torna um possível sinal de risco.

Esteja preparado para oferecer apoio emocional quando necessário e incentive a interação social saudável sempre que possível. Lembre-se de que a chave está em criar um ambiente onde a criança possa prosperar, seja brincando sozinha ou compartilhando momentos com outras crianças.

Aqui no nosso blog temos um conteúdo bastante rico sobre Como aproveitar momentos de lazer com crianças autistas, que pode ajudar ainda mais nessa jornada, vale a pena ler:

Aproveite momentos de lazer com crianças autistas?

Conheça nosso atendimento padrão ouro em intervenção para autismo

Quero conhecer
Foto do author Heloise Rissato

Escrito por:

Heloise Rissato

Qual sua relação com o autismo?*

Digite seu CEP*

Conheça nossos serviços
Como é o dia de uma terapeuta ocupacional na rede Genial Care? Autismo e plano de saúde: 5 direitos que as operadoras devem cobrir O que é rigidez cognitiva? Lei sugere substituição de sinais sonoros em escolas do Rio de janeiro 5 informações que você precisa saber sobre o CipTea Messi é autista? Veja porque essa fake news repercute até hoje 5 formas Geniais de inclusão para pessoas autistas por pessoas autistas Como usamos a CAA aqui na Genial Care? Emissão de carteira de pessoa autista em 26 postos do Poupamento 3 séries sul-coreanas sobre autismo pra você conhecer! 3 torcidas autistas que promovem inclusão nos estádios de futebol Conheça mais sobre a lei que cria “Centros de referência para autismo” 5 atividades extracurriculares para integração social de crianças no TEA Como a Genial Care realiza a orientação com os pais? 5 Sinais de AUTISMO em bebês Dia das Bruxas | 3 “sustos” que todo cuidador de uma criança com autismo já levou Jacob: adolescente autista, que potencializou a comunicação com a música! Síndrome de asperger e autismo leve são a mesma coisa? Tramontina cria produto inspirado em criança com autismo Como a fonoaudiologia ajuda crianças com seletividade alimentar? Genial Care Academy: conheça o núcleo de capacitação de terapeutas Como é ser um fonoaudiólogo em uma Healthtech Terapeuta Ocupacional no autismo: entenda a importância para o TEA Como é ser Genial: Mariana Tonetto CAA no autismo: veja os benefícios para o desenvolvimento no TEA Cordão de girassol: o que é, para que serve e quem tem direito Como conseguir laudo de autismo? Conheça a rede Genial para autismo e seja um terapeuta de excelência Se o autismo não é uma doença, por que precisa de diagnóstico? Canabidiol no tratamento de autismo Educação inclusiva: debate sobre acompanhantes terapêuticos para TEA nas escolas Letícia Sabatella revela ter autismo: “foi libertador” Divulgação estudo Genial Care O que é discalculia e qual sua relação com autismo? Rasgar papel tem ligação com o autismo? Quem é Temple Grandin? | Genial Care Irmãos gêmeos tem o mesmo diagnóstico de autismo? Parece autismo, mas não é: transtornos comumente confundidos com TEA Nova lei aprova ozonioterapia em intervenções complementares Dicas de como explicar de forma simples para crianças o que é autismo 5 livros e HQs para autismo para você colocar na lista! Como é para um terapeuta trabalhar em uma healthcare? Lei n°14.626 – Atendimento Prioritário para Pessoas Autistas e Outros Grupos Como fazer um relatório descritivo? 7 mitos e verdades sobre autismo | Genial Care Masking no autismo: veja porque pessoas neurodivergentes fazem Como aproveitar momentos de lazer com sua criança autista? 3 atividades de terapia ocupacional para usar com crianças autistas Apraxia da fala (AFI): o que é e como ela afeta pessoas autistas Por que o autismo é considerado um espectro? Sala multissensorial em aeroportos de SP e RJ 18/06: dia Mundial do orgulho autista – entenda a importância da data Sinais de autismo na adolescência: entenda quais são Diagnóstico tardio da cantora SIA | Genial Care Autismo e futebol: veja como os torcedores TEA são representados MMS: entenda o que é o porquê deve ser evitada Tem um monstro na minha escola: o desserviço na inclusão escolar Autismo e esteriótipos: por que evitar associar famosos e seus filhos Diagnóstico tardio de autismo: como descobrir se você está no espectro? Autismo e TDAH: entenda o que são, suas relações e diferenças Eletroencefalograma e autismo: tudo que você precisa saber Símbolos do autismo: Veja quais são e seus significados Neurodivergente: Saiba o que é e tire suas dúvidas Como ajudar crianças com TEA a treinar habilidades sociais? Prevalência do autismo: CDC divulga novos dados Show do Coldplay: momento inesquecível para um fã no espectro Nova temporada de “As Five” e a personagem Benê Brendan Fraser e seu filho Griffin Neuropediatra especializado em autismo e a primeira consulta Dia da escola: origem e importância da data comemorativa Ecolalia: definição, tipos e estratégias de intervenção Park Eun-Bin: descubra se a famosa atriz é autista Síndrome de Tourette: entenda o que aconteceu com Lewis Capaldi 10 anos da Lei Berenice Piana: veja os avanços que ela proporcionou 7 passos para fazer o relatório descritivo da criança com autismo Diagnóstico tardio de autismo: conheça a caso do cantor Vitor Fadul Meu filho foi diagnosticado com autismo, e agora? Conheça a Sessão Azul: cinema com salas adaptadas para autistas Síndrome sensorial: conheça o transtorno de Bless, filho de Bruno Gagliasso Escala M-CHAT: saiba como funciona! Déficit na percepção visual: Como a terapia ocupacional pode ajudar? 3 aplicativos que auxiliam na rotina de crianças autistas 3 Animações que possuem personagens autistas | Férias Geniais Hipersensibilidade: fogos de artifício e autismo. O que devo saber? Conheça os principais tratamentos para pessoas no espectro autista Dia do Fonoaudiólogo: a importância dos profissionais para o autismo Diagnóstico de autismo do meu filho. O que preciso fazer? Quais os principais sinais de que meu filho tem autismo? Diagnóstico de autismo: quais os próximos passos. Veja 5 dicas Estereotipias: o que são e quais as principais em pessoas autistas 5 personagens autistas representados em animações infantis Graus de autismo: Conheça quais são e como identificá-los Outubro Rosa: 5 maneiras da mãe se cuidar 5 brincadeiras para o Dia das Crianças O Rol taxativo da ANS chegou ao fim? AUTISMO em ADULTOS: Quando e como saber? AUTISMO e ASPERGER: 25 sinais de Autismo Infantil Brinquedos para autismo: tudo que você precisa saber! Autismo: Fui diagnosticada aos 60 anos e agora?