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Ao falar sobre a jornada de crianças autistas, uma das preocupações mais frequentes de famílias e pessoas cuidadoras é a presença de comportamentos de autolesão.
Esses comportamentos, nos quais a criança pode se ferir, representam um desafio tanto para ela quanto para quem está ao seu redor.
Aqui, você vai entender os comportamentos de autolesão, como agir de forma segura e a importância de olhar para suas causas. O conteúdo é baseado na prática clínica das Terapeutas da Genial Care, que fazem parte da Orientação Parental.
É importante lembrar que cada criança tem um perfil único, e as estratégias podem variar. Por isso, converse sempre com a equipe clínica para entender o que faz sentido aplicar na sua rotina. Acompanhe!
O que são comportamentos de autolesão?

Comportamentos de autolesão são ações nas quais uma pessoa causa dano físico a si mesma de forma intencional.
Esses comportamentos podem incluir uma variedade de ações, como cortar, queimar, bater, arranhar, beliscar ou praticar outros atos que resultam em lesões físicas.
Comportamentos de autolesão também podem envolver ingerir substâncias prejudiciais ou envolver-se em comportamentos que possam resultar em dano físico.
Os comportamentos podem ser motivados por uma série de razões complexas, que variam de pessoa para pessoa. Algumas das possíveis motivações incluem:
- Expressão emocional;
- Alívio emocional;
- Sentimento de Controle;
- Comunicação – dizer aos outros que estão sofrendo ou precisam de ajuda;
- Regulação Sensorial;
- Autopunição;
- Distúrbios Psicológicos – como transtornos de ansiedade, depressão, transtorno de personalidade Borderline e outros.
É importante notar que a autolesão é um sinal de sofrimento emocional ou psicológico e deve ser tratada com seriedade.
Se você ou alguém que você conhece está envolvido em comportamentos de autolesão, é altamente recomendável buscar ajuda de um profissional de saúde mental, terapeuta ou médico para avaliação e intervenção apropriada.
Autolesão em crianças com autismo
Comportamentos autolesivos em crianças autistas podem se manifestar de diversas maneiras, tais como:
- Bater a cabeça em superfícies duras;
- Dar tapas ou socos no próprio rosto;
- Puxar ou arrancar cabelos;
- Morder a si próprio;
- Arranhar-se.
Quando uma criança com autismo exibe comportamentos autolesivos, a segurança dela deve ser a principal prioridade.
Ignorar tais comportamentos não é uma opção, especialmente quando representam riscos para a criança. O primeiro passo é garantir um ambiente seguro para evitar ferimentos.
É fundamental compreender que os comportamentos autolesivos não ocorrem sem motivo. Na perspectiva das práticas baseadas em evidências, eles possuem uma função comportamental, podendo estar relacionados à tentativa de comunicar necessidades, lidar com desconfortos físicos ou emocionais, buscar estimulação sensorial ou escapar de situações percebidas como aversivas.
Identificar essa função é essencial para orientar intervenções eficazes e éticas.
Estratégias de intervenção para autolesão em crianças com autismo

Para criar uma abordagem eficaz e auxiliar a criança com esses comportamentos, é fundamental identificar os gatilhos imediatos e os eventos que os seguem.
Além disso, perguntas como “Por que a criança está agindo assim?” ajudam a direcionar a abordagem correta, por exemplo:
- A criança pode estar usando o comportamento para expressar suas necessidades?
- Ela está buscando evitar algo que considere aversivo?
- O comportamento pode oferecer uma sensação sensorial que a criança busca?
A partir dessas respostas, e com a intervenção de profissionais, é possível entender qual a melhor abordagem para ajudar a criança com autismo a não ter comportamentos de autolesão.
Lembre-se: cada criança é única, e o que funciona para uma pode não funcionar para outra.
É importante colaborar com a equipe multidisciplinar para desenvolver estratégias específicas para a criança em questão, que podem oferecer valiosas dicas e orientação personalizada com base na situação única da criança.
Mas como ajudar no momento em que ela provoca a autolesão?
Manter a calma é fundamental. Em situações de autolesão, o primeiro objetivo é proteger a criança, utilizando intervenções seguras, breves e o menos intrusiva possível. Por exemplo, se a criança estiver mordendo o próprio braço, é indicado afastar suavemente o braço da boca e oferecer uma alternativa mais segura, como um mordedor apropriado.
Evite repreender, gritar ou emitir muitos comandos nesse momento, pois essas respostas podem não ajudar a reduzir o comportamento e, em alguns casos, aumentar o nível de estresse da criança. Muitas crianças com TEA ainda não possuem repertório suficiente de comunicação ou autorregulação, o que torna essencial ensinar respostas alternativas mais adequadas, em vez de apenas interromper o comportamento.
O impacto do comportamento autolesivo no dia a dia da criança e da família
Os comportamentos autolesivos podem impactar a vida da criança e de toda a família, especialmente quando surgem inesperadamente.
Para a criança, esses comportamentos podem causar ferimentos, desconforto e dificuldades para participar de atividades do dia a dia, como brincar, ir à escola ou estar em ambientes sociais, muitas vezes por questões de segurança.
Para os pais e cuidadores, é comum que esse cenário gere preocupação, medo e altos níveis de estresse, principalmente pela sensação de não saber como agir no momento em que o comportamento acontece. Essas reações são compreensíveis e não significam falha dos pais, mas refletem a complexidade do cuidado.
A rotina familiar também pode ser afetada, com mudanças no ambiente da casa, na organização do tempo e nas atividades em família. Em alguns casos, irmãos e outros familiares acabam sentindo esse impacto indiretamente.
Por isso, é fundamental que os comportamentos autolesivos sejam compreendidos e acompanhados por profissionais, com foco em identificar suas causas e ensinar formas mais seguras de comunicação e autorregulação.
Com orientação adequada e apoio, é possível reduzir esses comportamentos e promover mais segurança e qualidade de vida para a criança e para a família.
Conclusão
Lidar com comportamentos de autolesão em crianças autistas é um desafio que exige compreensão, paciência e colaboração.
Por isso, ao criar um ambiente seguro, compreender as causas da autolesão e aplicar estratégias adequadas, é possível auxiliar a criança a expressar suas necessidades de maneira mais saudável.
E lembre-se também de contar com a equipe multidisciplinar que acompanha a criança para orientar nesse momento.
Cada passo dado em direção à compreensão e apoio é um passo em direção a um futuro de desenvolvimento e bem-estar para a criança com autismo e também sua família.
Aqui na Genial Care, além de contar com uma equipe de profissionais especializados em crianças autismo, das áreas da terapia ocupacional, psicologia e fonoaudiologia, também cuidamos de quem cuida através da Orientação Parental
Para saber mais, clique no botão abaixo:




8 respostas para “Autolesão em crianças com autismo: como ajudar com esse comportamento?”
Meu filho se bate no rosto quando está em situação que não acontece da forma que ele quer. Fica com o rosto todo vermelho. Ele tem Tea o nível entre 1 e 2, tdah com hiperatividade alta, Tag. O que faz para ajudar? Tem medicação para ajudar nessa regulação?
Olá, Salima. Como vai? Esperamos que muito bem.
Ver seu filho se machucar é uma das situações mais angustiantes para uma família. No contexto do TEA e TDAH, o ato de se bater no rosto geralmente não é um comportamento “proposital”, mas sim uma falha grave na autorregulação emocional. Quando algo não sai como esperado, a frustração gera uma sobrecarga interna que ele não consegue expressar com palavras ou pensamentos organizados. O impacto físico funciona como uma descarga sensorial intensa para tentar “abafar” o caos mental provocado pela quebra de expectativa ou pela ansiedade (TAG).
Para auxiliar no momento da crise, o foco imediato deve ser a segurança: tente oferecer uma barreira física macia, como uma almofada, para evitar lesões, mantendo uma postura calma e usando o mínimo de fala possível, já que o cérebro dele está em colapso. No dia a dia, a estratégia mais eficaz é a antecipação. O uso de rotinas visuais e o treino de flexibilidade cognitiva (ensinar que existem “planos B” para as situações) ajudam a reduzir o impacto da frustração. Além disso, a Terapia Ocupacional com foco em integração sensorial é indispensável para que o corpo dele aprenda a processar o estresse de forma menos destrutiva.
Sobre a medicação, existem sim opções que auxiliam no controle da impulsividade, da irritabilidade e da ansiedade, como alguns antipsicóticos em doses baixas ou estabilizadores de humor, que ajudam a “baixar o volume” das reações intensas. No entanto, qualquer intervenção farmacológica deve ser decidida e acompanhada por um neuropediatra ou psiquiatra infantil. O remédio não ensina novas habilidades, mas cria uma “janela de calma” para que ele consiga aproveitar melhor as terapias e aprender formas saudáveis de lidar com o “não”.
Esperamos ter ajudado.
Meu filho tem TEA nível 1, tem TOD, TDHA e tbm está em tratamento para depressão ele tem 8 anos e tem se lesionado arrancando a pele dos pés até sangrar estou bem perdida pois ele não consegue dizer o porquê faz isso, alguma dica?
Olá, Lilian. Como vai? Esperamos que muito bem.
Sinto muito que você esteja lidando com um quadro tão complexo, com TEA Nível 1, TOD, TDAH e depressão, e vendo seu filho de 8 anos se lesionar de forma tão séria, arrancando a pele dos pés até sangrar. É desesperador vê-lo sofrer e não conseguir expressar o motivo.
A autolesão (arrancar a pele) é um sintoma grave que precisa de atenção imediata e, na ausência de fala ou por dificuldade de comunicação, funciona como um pedido de socorro desesperado. Não se sinta perdida; o foco deve ser na comunicação e na regulação sensorial.
1) Urgência Médica: converse imediatamente com o psiquiatra infantil sobre a autolesão para reavaliar o tratamento da depressão e da ansiedade, que provavelmente estão por trás desse comportamento.
2) Análise Funcional (AFC): busque um especialista em ABA para investigar a função desse comportamento: ele está buscando estímulo sensorial (se stimming), alívio da ansiedade, ou está tentando evitar algo (como a dor da depressão)?
3) Suporte T.O.: o Terapeuta Ocupacional pode oferecer estratégias sensoriais substitutas (como meias de compressão, massagem ou outras texturas) para dar a ele a sensação que ele está buscando, mas seguramente. O seu filho está comunicando uma dor invisível; você precisa de uma equipe que te ajude a traduzir e tratar essa dor.
Conte sempre conosco.
Abraços.
Minha filha TEA nível 1 de 4 anos está sempre mordendo a boca por dentro até fazer feridas, chegando a morder as próprias feridas. Estou bem perdida para saber pq ela faz isso
Olá, Luciana. Como vai? Esperamos que muito bem.
Conseguimos imaginar sua angústia e preocupação ao ver sua filha, tão pequena, se machucando dessa forma. É realmente desolador presenciar esse comportamento de morder a parte interna da boca a ponto de causar e reabrir feridas, e é natural que você se sinta perdida sobre a causa disso.
No contexto do TEA Nível 1, esse comportamento é muito comum e está geralmente ligado à busca sensorial (ou stimming oral). Sua filha pode estar sentindo uma hipossensibilidade (pouca sensação) na área oral e busca uma forma intensa de estimulação para se autorregular, ou pode ser uma maneira de lidar com a ansiedade. O passo mais importante agora é consultar o Terapeuta Ocupacional (T.O.) dela e o odontopediatra. O T.O. pode criar um “cardápio” de estratégias sensoriais orais substitutas (como colares de mastigação seguros, alimentos crocantes ou gomas específicas) para direcionar essa necessidade de morder para objetos ou alimentos, protegendo a boca dela de novos ferimentos.
Esperamos ter ajudado.
Abraços.
Obrigada pelas informações sobre crianças autistas autolesivas. Me ajudou muito.
Olá, Marilene. Como vai? Esperamos que muito bem.
Nós que agradecemos por estar aqui conosco. Nosso objetivo se completa em saber que ajudamos você com algo.
Abraços.