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Criança realiza uma atividade com um de seus suportes visuais, que o auxiliam a entender as horas de um dia.

Suportes visuais no autismo: guia prático para famílias e escolas

Os suportes visuais no autismo, como fotos, símbolos e vídeos, são ferramentas que transmitem mensagens claras e facilitam o processamento de informações com menor esforço cognitivo. Para algumas pessoas autistas eles são essenciais porque apoiam o desenvolvimento de uma comunicação funcional e a participação ativa delas na sociedade.

Quando falamos de comunicação no autismo, é fundamental entender que ela é uma via de mão dupla.

Muitas vezes, pensamos somente em ferramentas para auxiliar a criança a falar, pedir coisas ou demonstrar o que sente, o que chamamos de linguagem expressiva, muito apoiada pela Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).

No entanto, para além de se expressar, a pessoa autista precisa compreender as informações, as rotinas e as expectativas do mundo ao seu redor, o que chamamos de linguagem receptiva.

É nesse ponto que os suportes visuais brilham. Eles funcionam como tradutores do ambiente, auxiliando a criança a processar o que está acontecendo e garantindo previsibilidade.

Os suportes visuais para autismo são um direito e um ponto de apoio seguro para algumas pessoas no TEA, e saber mais sobre essas ferramentas ajuda a adaptá-las para as particularidades de cada criança.

Neste artigo, você entenderá:

  • O que é considerado um suporte visual;
  • Quais são os benefícios dessa ferramenta para o desenvolvimento das crianças no espectro;
  • Como aplicar rotinas visuais em casa;
  • O papel dos suportes visuais para a inclusão escolar;
  • Como escolher a melhor opção de suporte visual para sua criança.

Continue a leitura!

O que é caracterizado como suportes visuais para autismo?

Os suportes visuais para autismo são imagens, vídeos, fotografias, objetos, símbolos ou mesmo adaptações visuais no ambiente, usados para facilitar a compreensão do mundo, a interação social, a previsibilidade e a aprendizagem das pessoas, incluindo pessoas no Transtorno do Espectro Autista.

Eles reduzem o esforço cognitivo para processar informações e ajudam a traduzir conceitos abstratos, como o tempo ou as regras sociais, em elementos concretos, tangíveis e mais fáceis de serem compreendidos pela criança autista.

Na prática, os suportes visuais para autismo podem assumir diversas formas, como:

  • Pictogramas e pranchas de comunicação: símbolos gráficos usados na Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) quando tiverem como função antecipar ou compreender o ambiente, ou seja, quando apoiarem a linguagem receptiva.
  • Fotografias reais: imagens dos ambientes da casa, da escola, de passeios ou de pessoas do convívio.
  • Quadros de rotina: cronogramas que mostram a sequência de atividades do dia.
  • Calendários: mostram eventos futuros, como o dia de um passeio ou de uma viagem com a criança, por exemplo.
  • Objetos concretos: uso da própria mochila para sinalizar a hora de ir para a escola, dentre outros.
  • Histórias narrativas: pequenos contos com apoio visual que auxiliam a criança a compreender o que pode acontecer em determinado ambiente, o que ela pode sentir e o “plano B” se algo der errado.
  • Timers: ferramentas que mostram a passagem do tempo e ajudam a dar previsibilidade sobre a duração ou a transição entre atividades;
  • Sinalização por cores: toalhas ou tapetes de cores diferentes para delimitar o momento de comer e o momento de brincar. Por exemplo, usar uma toalha de mesa para o horário do almoço e outra toalha de mesa de cor diferente para a hora de brincar.

O mais importante é que os suportes visuais para autismo transmitam uma informação funcional, capaz de potencializar o processo de descoberta, diminuir a ansiedade e apoiar a aprendizagem e a participação social da criança autista.

Quais são os principais benefícios de usar suportes visuais para autismo?

Os suportes visuais para autismo são benéficos porque ajudam a expandir o repertório de comunicação de algumas crianças no espectro, de modo que elas consigam se comunicar de maneira mais eficaz e, assim, interagir com o ambiente e com as pessoas ao seu redor.

Eles promovem também a autonomia da criança. Isso porque, quando a mensagem ou informação está visualmente disposta no ambiente, ela não precisa depender o tempo todo de um adulto dizendo o que ela deve fazer. Ela pode simplesmente consultar o quadro e buscar a informação quando desejar.

Além disso, os suportes visuais no autismo garantem:

  • Permanência da informação: ao contrário da fala, que pode ser esquecida em poucos minutos, o suporte visual permanece, permitindo que a criança o consulte sempre que precisar.
  • Melhoria na comunicação: os suportes visuais para autismo apoiam a linguagem receptiva, auxiliando a criança a compreender o que os outros dizem.
  • Previsibilidade e segurança: compreender visualmente o que acontecerá no dia, em um passeio ou durante uma brincadeira, por exemplo, reduz o estado de alerta do corpo da criança, sendo um dos pilares para manter sua regulação emocional.

Para entender a eficácia dessa estratégia, basta observar como o cérebro funciona.

A ciência demonstra que processamos estímulos visuais de forma paralela e quase instantânea, em questão de milissegundos (Thorpe, Fize, & Marlot, 1996).

Por outro lado, a fala exige uma decodificação sequencial que demanda muito mais tempo e esforço do nosso cérebro (Nelson, Reed, & Walling, 1976).

Trazendo isso para o contexto do autismo, essa característica do cérebro pode ser ainda mais intensificada, pois muitas crianças no espectro autista possuem um estilo de processamento de informações predominantemente visual.

Dessa forma, uma comunicação baseada somente na fala pode gerar sobrecarga cognitiva ou a dificuldade dessa criança transmitir uma mensagem ou compreender o que está sendo transmitido a ela.

Os suportes visuais no autismo, portanto, atuam como um atalho natural para o cérebro, que possibilita a compreensão rápida e a retenção da mensagem.

Como criar uma rotina com suportes visuais para autismo em casa?

É possível introduzir gradualmente os suportes visuais para autismo no dia a dia da criança, tornando-os parte natural do cotidiano da família.

Essa é uma estratégia eficaz para criar pontos de previsibilidade que evitam a desregulação emocional da criança e para ampliar seu repertório de comunicação.

Uma boa prática é criar painéis para cada ambiente frequentado por ela e deixá-los visíveis à altura dos olhos para serem fáceis de consultar.

Para entender qual é o caso da sua criança, conte sempre com a orientação da equipe multidisciplinar que a acompanha, pois esses profissionais são capacitados para identificar as ferramentas mais adequadas para ela.

Veja a seguir alguns exemplos de como usar os suportes visuais na rotina.

Suportes visuais para autismo nos momentos práticos do dia a dia

Você pode começar introduzindo os suportes visuais para autismo em momentos que costumam exigir transições ou para evidenciar o passo a passo de alguma tarefa, como:

  • Na hora da alimentação: mostrar visualmente o momento de sentar-se à mesa.
  • Na higiene pessoal: sequências visuais no banheiro ensinando o passo a passo da escovação de dentes ou do banho.
  • Na organização: caixas organizadoras com a foto dos brinquedos que pertencem àquele espaço.
  • Nas transições: avisar que o tempo do cronômetro está acabando e que a hora de dormir se aproxima.

Ao implementar essas estratégias visuais, é possível construir um porto seguro, onde a criança sabe exatamente o que esperar e como ela pode participar ativamente da rotina.

Ao terminar de ler este artigo, você pode voltar aqui e se aprofundar no tema com nosso conteúdo dedicado aos suportes visuais na rotina: Rotina visual para autismo: o que é e como construir uma?

Suportes visuais para autismo na escola: como facilitar a inclusão e o aprendizado

Para muitas crianças no espectro, processar uma frase longa dita pela professora em uma sala de aula barulhenta exige um enorme esforço cognitivo.

Os suportes visuais no autismo, portanto, facilitam esse caminho. Eles podem:

  • reduzir a carga cognitiva;
  • estimular a construção do pensamento;
  • apoiar o desenvolvimento das funções executivas, permitindo que a criança organize eventos no tempo e no espaço com mais facilidade.

Além disso, quando a escola adota suportes visuais coletivos, há maior probabilidade de todas as crianças se beneficiarem.

Algumas maneiras de explorar os suportes visuais na sala de aula incluem:

  • Quadro de rotina escolar: um quadro com as aulas de cada dia, o horário do lanche, a hora de brincar e o momento de ir para casa. Esse recurso garante previsibilidade para a criança no espectro, aliviando a ansiedade.
  • Combinados visuais: um quadro de regras sociais, como “se eu tiver uma pergunta para o professor, eu levanto a mão”; um quadro de resolução de problemas, como “meu amigo pegou meu brinquedo, o que eu faço?”. Ter esses combinados claros visualmente auxilia a criança a encontrar soluções de forma autônoma e a minimizar suas frustrações.
  • Organização de tarefas: recursos visuais que apoiam as Atividades de Vida Diária (AVDs), como o passo a passo para lavar as mãos corretamente colado perto da pia do banheiro ou as instruções para organizar os materiais escolares na mochila ao fim do dia.
  • Comunicação com pares: se a criança possui dificuldades na fala, é possível disponibilizar pranchas de comunicação lúdicas para auxiliar as crianças a se convidarem para brincar ou para conversarem sobre temas de interesse.

Os suportes visuais no ambiente escolar, portanto, atuam como pontes para a socialização e o aprendizado de toda a turma.

Para incentivar a inclusão no ambiente escolar, leia também: 5 Estratégias práticas para o recreio escolar de crianças com autismo.

Qual é a melhor escolha de suportes visuais para a criança autista?

Escolher os melhores suportes visuais para autismo depende do repertório e das singularidades da criança.

É preciso entender que o espectro autista é amplo e diverso, e o que funciona para uma criança pode não ser interessante para outra.

Para acertar na escolha:

  • Considere a idade e a forma como o cérebro processa informações: teste e avalie se a criança responde melhor a fotos, desenhos, símbolos, vídeos.
  • Ajuste o tamanho e a quantidade de imagens: a capacidade de processamento visual varia de pessoa para pessoa. Um quadro lotado de figuras pequenas pode gerar sobrecarga cognitiva em vez de ajudar. Comece com poucas imagens e em tamanho maior. Avalie o quanto a criança consegue processar sem se desorganizar e aumente a quantidade ou reduza o tamanho das imagens gradualmente.
  • Use temas de interesse: se a criança gosta de personagens de um filme, crie o suporte visual com o tema desses personagens. Isso aumenta o interesse e, por consequência, o engajamento imediato.
  • Modele a linguagem: o suporte visual complementa a fala humana. Aponte para a imagem do suporte visual escolhido ao dizer a mesma palavra em múltiplos contextos, por exemplo, ao ver um cachorro real e em um livro de histórias. Assim, a criança assimila e generaliza o significado da palavra com mais facilidade.
  • Comunique-se com os terapeutas: os profissionais que acompanham a criança sempre direcionarão o melhor tipo de suporte visual de acordo com seu perfil e suas habilidades.

Em resumo, o melhor suporte visual para autismo será sempre aquele que faz sentido para o universo da criança, facilitando sua compreensão e sua comunicação em múltiplos ambientes.

Conclusão

Os suportes visuais para autismo são ferramentas cientificamente validadas, que respeitam a forma como o cérebro de cada pessoa autista processa o mundo.

Esses recursos são fundamentais para a inclusão de pessoas no espectro, para sua regulação emocional e para o desenvolvimento das diferentes formas de comunicação.

Adotar os suportes visuais para autismo exige personalização, consistência e alinhamento entre a clínica, a escola e a família.

Quando garantimos os recursos apropriados para uma criança se comunicar, nós damos a ela o direito de ser compreendida, de participar ativamente da sociedade e de alcançar seu máximo potencial com confiança e autonomia.

Quer entender melhor como a equipe multidisciplinar da Genial Care apoia o desenvolvimento da comunicação e a autonomia das crianças autistas? Conheça nossos serviços:

Terapia para autismo na Genial Care

Dúvidas Frequentes (FAQ)

Toda pessoa com autismo pensa por meio de imagens?

Não, nem toda pessoa autista pensa por meio de imagens. O espectro é diverso e único. Embora muitas pessoas no espectro processem melhor informações visuais, é preciso testar se a criança responde melhor a fotos, desenhos ou objetos. O fundamental é personalizar o suporte para cada forma de aprender.

Qual a diferença entre suporte visual e Comunicação Aumentativa e Alternativa?

Os suportes visuais para autismo são uma categoria ampla de ferramentas, como fotografias, quadros de rotina, timers e objetos, usadas para facilitar a compreensão do ambiente, dar previsibilidade e reduzir o esforço cognitivo que a fala exige. Já a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é uma prática que se utiliza de suportes visuais específicos, como pictogramas e pranchas de comunicação, focados na linguagem expressiva, permitindo que a criança consiga expressar seus desejos, suas necessidades e suas emoções.

A criança autista pode ficar dependente dos suportes visuais para sempre?

Pelo contrário, algumas crianças autistas desenvolvem autonomia a partir dos suportes visuais. Quando a informação está visualmente disposta, a criança deixa de depender o tempo todo de um adulto dizendo a ela o que fazer. Além disso, nós, adultos, usamos suportes visuais o tempo todo para sermos independentes e autônomos: usamos agendas, alarmes e aplicativos de GPS, como o Waze, para não nos perdermos. Oferecer o suporte correto na infância ensina a criança a se organizar e, à medida que cresce, ela apenas adaptará esses suportes visuais para continuar garantindo seu bem-estar e sua autonomia.

O que fazer se a criança ignorar ou não interagir com o painel visual?

Algumas estratégias para o caso de a criança não se adaptar inicialmente aos suportes visuais para autismo incluem:

  • Considere a idade e a forma como o cérebro da criança processa informações: teste e avalie se a criança responde melhor a fotos, desenhos, símbolos, vídeos.
  • Use temas de interesse: se a criança gosta de um personagem específico de um filme, incorpore esse tema ao suporte visual para gerar engajamento imediato.
  • Comunique-se com os terapeutas: se a ferramenta não estiver funcionando, os profissionais da equipe multidisciplinar poderão orientar e ajustar o tipo de recurso para o perfil e as habilidades atuais da criança.

O mais importante é encontrar o suporte visual que faça mais sentido para o universo da criança no espectro.

Suportes visuais servem apenas para crianças pequenas?

Não. Os suportes visuais para autismo podem ser usados em qualquer fase da vida da pessoa autista. Um exemplo é o de Carly Fleischmann, uma jovem autista que encontrou na digitação e nos suportes visuais sua verdadeira voz, garantindo sua participação ativa na sociedade. O que acontece é que os suportes amadurecem com a pessoa, podendo ser usados desde a adaptação de Atividades de Vida Diária (AVDs) na escola até cronogramas mais complexos de rotina para jovens e adultos lidarem com a sobrecarga sensorial ou emocional.

Fontes/referências

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