ABA e intervenções para autismo uma mulher sorrindo está segurando 2 blocos coloridos, um azul e o outro amarelo, na palma da sua mão.

Brinquedos para autismo e a importância do uso de objetos reguladores

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Heloise Rissato

06 de julho de 2022

A brincadeira é a base de tudo, para qualquer ensinamento. O brincar é um dos comportamentos infantis mais comuns e que ajuda a criança a conhecer e interagir com o meio em que vive e entender mais sobre si mesma.

Dessa forma, essa atividade pode ser uma grande aliada no processo de desenvolvimento da criança com autismo, seja para comportamentos vocais, para atenção, socialização ou seguimento de comandos, já que é a partir dela que conseguimos ensinar repertórios novos.

Os brinquedos para autismo são ferramentas importantes para fortalecer o processo de aprendizagem, minimizar comportamentos desafiadores e ajudar na regulação emocional durante crises. Além disso, eles também ajudam a criar vínculos entre pessoas cuidadores, profissionais e a criança, e são extremamente benéficos para as intervenções e sessões terapêuticas.

Para falar sobre o assunto e explicar mais sobre a importância dos brinquedos para crianças com TEA, conversamos com dois terapeutas aplicadores da Genial Care, Julia Amed e Julio César Marino.

Qual a importância do uso de brinquedos para autismo?

As brincadeiras são uma forma de comportamento social, na qual ações lúdicas da criança são feitas a partir das referências, experiências e atividades da vida diária. O ato de brincar é um direito reconhecido como um instrumento que potencializa todo o processo de aprendizagem. (American Academy of Pediatrics, 2012).

Por isso, este precisa ser um momento seguro, confortável e do qual  nenhuma pessoa com TEA deve ser privada de vivenciar. Dessa forma, é importante que sempre seja feito de maneira agradável e leve tanto para a criança quanto para a família ou terapeuta. 

Segundo Julia, o brinquedo auxilia, principalmente, na estimulação da criança, como um estímulo sensorial para trabalhar com a neuroplasticidade. Assim, durante a brincadeira, é possível inserir objetivos de ensino e aprendizagem, utilizando alvos de reforçamento positivo para deixar a sessão mais divertida e lúdica.

Outro ponto importante ressaltado por Júlio é que os brinquedos para autismo ajudam a motivar e engajar os indivíduos durante as sessões, sendo uma maneira de conseguir efetivamente desenvolver o trabalho junto da pessoa no espectro e também na família. 

Seguir o que a criança está criando e inventando é uma excelente maneira de aumentar as possibilidades do brincar. Por isso, olhar para esses itens como mais do que eles realmente são, é uma forma simples e muito eficiente de garantir novos aprendizados. Por exemplo, um brinquedo que tenha mais de uma parte e que pode tanto ser usado sozinho quanto junto e que pode estimular a percepção de que algo está faltando.

Ao brincarem, as crianças não estão apenas explorando um item específico ou o ambiente a sua volta, mas também ampliando e estruturando uma série de áreas de desenvolvimento como emocional, social, físico e mental. Então, são vários os benefícios de estimular o ato de brincar da criança com TEA, como:

  • Consciência corporal;
  • Criação de mais alvos de generalização;
  • Desenvolvimento cognitivo;
  • Estímulo à interatividade;
  • Maior ludicidade durante a sessão;
  • Reforçadores durante o aprendizado.

Como os brinquedos auxiliam na criação de vínculos e no processo de aprendizado? 

Ambos os terapeutas afirmam que é muitas vezes mais fácil fortalecer, ou até mesmo construir, um vínculo com uma criança nas primeiras sessões quando se tem um brinquedo querido por esse indivíduo. Isso porque, muitas vezes, quando o profissional chega na sessão eles são o que chamamos de estímulo neutro (a criança não liga nem um pouco para a presença) ou estímulo aversivo (a criança fica receosa ou com medo daquela presença).

“Os brinquedos vão ajudar a mostrar que nós também trazemos coisas legais para a rotina, mostrar que entendemos os interesses dessa criança, que estamos ouvindo ela e que a gente sabe do que ela gosta. Junto com isso, vamos gerar oportunidade de ensino, estimulando que ela possa pedir, dizer a cor, esperar e aprender inúmeras coisas” Julia Amed.

Pensando no processo de aprendizagem e na potencialização das habilidades de pessoas com TEA, não podemos esquecer de que, enquanto existe a brincadeira, existem as regras.  Assim, quando a criança brinca, ela necessariamente está em contato com algum tipo de regra, seja ela imposta pela própria brincadeira ou jogo, seja das relações e/ou comportamentos cotidianos. 

Nesse sentido, se a criança brinca de bater palma com uma boneca, ela seguirá as regras estabelecidas para o ato de bater palmas e, com isso, desenvolverá cada vez mais as habilidades destinadas àquela atividade específica. Nesse ponto, Julia pontua que você pode tanto pedir para a criança ensinar a boneca a bater palma, quanto demonstrar no brinquedo como fazer isso, o que amplia ainda mais as possibilidades e formas de aprendizado.

Como escolher os melhores brinquedos para a criança?

Quando o assunto é comprar ou escolher brinquedos para crianças, os dois terapeutas afirmam que a chave aqui é observar e entender quais são os interesses da criança, pois brinquedo é brinquedo, e não existe uma diferença entre brinquedo para crianças neurotípicas e brinquedos para crianças atípicas. 

Júlio reforça que o que acontece é que as faixas etárias e as indicações para os brinquedos são pensadas muito no desenvolvimento neurotípico, pontuando que a partir de tantos anos as crianças nessa idade já possuem as habilidades para tal. No caso do TEA, os profissionais e pessoas cuidadoras precisam se guiar mais pelo olhar direto, observando e entendendo se o indivíduo possui o repertório e ele é suficiente para brincar com determinado item.

“A gente vai seguir essa mesma regra de olhar para a indicação de idade em um item, ou de maneira semelhante, para os indivíduos dentro do espectro, sem se apegar tanto a faixa etária, mas identificando os repertórios necessários, para determinado brinquedo ou jogo, que a criança precisa ter para conseguir jogá-lo. Pensando em tudo isso, é possível selecionar os brinquedos e jogos para utilizar efetivamente com a criança autista.”

O brinquedo como intervenção com crianças autistas

Quando pensamos nas intervenções terapêuticas feitas com pessoas autistas e nos brinquedos para terapia ABA, a avaliação inicial é fundamental. Isso porque ela mostra, por exemplo, se determinada criança consegue fazer um encaixe simples. Isso não significa que não seja possível utilizar brinquedos de encaixe, como os quebra-cabeças. Apenas sinaliza que o profissional precisa ter uma opção mais simples para treinar essa habilidade para depois chegar em uma mais complexa.

Focando no que aquela pessoa gosta, é possível abrir o leque de opções de brinquedos educativos para autismo. Se ela gosta muito de animais, vamos selecionando itens que, de alguma forma, estejam relacionados com isso ou dentro desse tema, como um jogo de causa e efeito, um quebra-cabeça ou um jogo de encaixe, por exemplo.

Além disso, utilizar itens que estimulem a criança sensorialmente de várias formas, com luz, cheiro e até mesmo texturas diferentes é uma maneira positiva de incorporar essas ferramentas nas intervenções. 

Pensando em possibilidades de distração ou perda de foco da criança por conta de um brinquedo específico, os terapeutas contam que é possível criar momentos programados para o acesso a esse item, sem permitir o acesso livre. Mas atenção: nunca se deve sumir com ele ou não trabalhá-lo como consequência, pois isso pode diminuir a motivação da criança nas atividades.

Uma dica dos nossos aplicadores para usar brinquedos nas intervenções é deixar o ambiente com a menor quantidade de opções possíveis, pois isso pode fazer com que profissionais ou até mesmo pessoas cuidadoras percam oportunidades de ensino por conta da bagunça, ou corram o risco de superestimular em alguns momentos. Desta forma, fica mais fácil ultrapassar as barreiras de aprendizagem durante as sessões.

Não podemos esquecer que as crianças estão sempre sujeitas a se machucar de alguma forma. Então, família e terapeutas precisam estar constantemente atentos com a possibilidade de acidentes, seja com brinquedos de peças pequenas, que podem ser ingeridas, ou até mesmo com materiais que fazem mal à saúde.

O brinquedo como regulador emocional

Quando pensamos em reguladores emocionais, não estamos falando necessariamente de brinquedos ou coisas materiais, mas todo item ou estratégia que usamos para sair de um estado de alerta e se acalmar. Isso acontece porque esses momentos regulam sensorialmente o nosso corpo, evitando que estímulos externos como sons, luzes ou até mesmo pessoas possam criar algum tipo de desespero e pânico.

No caso dos brinquedos para autismo como reguladores, estamos ajudando as crianças a se regularem essas ferramentas. Os spinners, brinquedos que fizeram muito sucesso a um tempo atrás, apresentam movimentos semelhantes a algumas estereotipias em autistas, por isso, podem ajudar na hora de regular uma criança.

Além disso, o próprio brinquedo pode servir de modelo para tranquilizar determinada situação. Novamente, Julia traz o exemplo da boneca que pode funcionar como uma ferramenta para que a criança entenda como trabalhar a respiração e sair desse estado em que as emoções estão desequilibradas.

“Para você se acalmar, é importante respirar. Então aqui podemos, por exemplo, pegar uma boneca e fazer como se fosse o movimento diafragmático. Ou deixar a boneca sentada, ou até mesmo beber água, para ensinar como é possível se tranquilizar nessas situações.”

Todos os objetos reguladores, sejam eles brinquedos ou não, também podem ser uma excelente fonte de aprendizado e desenvolvimento, seja imitando o som, questionando porque não pode agir de determinada maneira ou até mesmo mostrando comportamentos que podem ser desafiadores na rotina.

O importante é que, independente do brinquedo que a criança escolher, as opções devem ser experimentadas espontaneamente antes, observando se ela gosta ou não daquilo. Nunca devemos forçar o indivíduo a brincar com algo que ele não queira. 

Inserir de forma leve, agradável e saudável esses brinquedos para autismo na rotina e nas intervenções da criança pode promover aprendizados e ajudar a expandir o repertório dela. 

Aqui na Genial Care fazemos isso desde nossa primeira avaliação com a família. Para conhecer mais sobre nossos serviços, visite nosso site!

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Escrito por:

Heloise Rissato

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