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Criança no processo de desfralde. Ela está sentada em um penico.

Terapia ocupacional e o desfralde: como é feita a adaptação?

Quando começar o desfralde? Conheça os sinais de prontidão

Ensinar uma criança a deixar de usar as fraldas e começar a usar o penico pode ser um processo longo e trabalhoso. E o desfralde de crianças autistas pode se tornar um verdadeiro desafio, gerando muitas vezes frustração e estresse para toda a família. Por isso, a Terapia Ocupacional é uma aliada no processo do desfralde.

O desfralde é um marco importante na vida das crianças e dos pais. Está relacionado ao ganho de autonomia e pode acontecer mais cedo para alguns e mais tarde para outros.

Neste artigo, vamos falar como a terapia ocupacional pode auxiliar no desfralde de crianças autistas, fortalecendo o trabalho das famílias que buscam o desenvolvimento e autonomia para os pequenos.

O que é o desfralde?

O desfralde diz respeito ao período em que o bebê vai parar de usar as fraldas por ser capaz de controlar seus esfíncteres, como são chamados os músculos responsáveis por segurar e liberar a saída da urina e do cocô.

É uma etapa importante do desenvolvimento da criança, assim como o desmame, aprender a andar ou falar. No processo de construção psíquica, o abandono das fraldas está ligado à conquista de independência e autonomia em relação ao corpo.

Seja qual for o tipo de fralda que a criança use no dia a dia (de pano ou descartável), é necessário um período de adaptação da fralda para o penico e depois para o vaso sanitário, já que a maioria das crianças não se adapta logo de cara ao vaso sanitário.

Também pode ser preciso adaptar o assento, incluindo um assento menor que acomode melhor os pequenos nesta fase.

Existe diferença entre o desfralde das meninas e dos meninos?

Parece não haver uma diferença significativa, de acordo com os especialistas, mas depende mais da motivação que recebem.

O período de desfralde varia e não está essencialmente ligado ao fato da criança ser menino ou menina, mas sim à atitude da família e, principalmente, à individualidade da criança.

Desfralde e Autismo

Crianças a partir de dois anos de idade começam a reconhecer melhor o seu próprio corpo e ter algumas noções a respeito de independência. É justamente por esse motivo que após esse período a maioria delas estará pronta para deixar definitivamente as fraldas.

Contudo, em situações atípicas de desenvolvimento neuropsicomotor, o sistema nervoso central pode precisar de mais tempo para ser capaz de controlar o processo de urinar (micção) e evacuar.

Por isso, muitas crianças com autismo têm dificuldade em pedir para ir ao banheiro no momento em que os pais decidem tirar a fralda.

Ainda que o desfralde seja um desafio e um momento delicado para qualquer criança, essa dificuldade de comunicação (característica em alguns casos) requer cuidados especiais.

Terapia ocupacional e o autismo

A área da terapia ocupacional está relacionada ao campo da saúde, bem-estar e educação. O profissional atua com o tratamento, reabilitação e prevenção de portadores de alterações cognitivas, psicomotoras, etc.

No autismo, o terapeuta ocupacional elabora planos específicos de adaptação e busca desenvolver no paciente a autoconfiança necessária para reduzir os impactos característicos do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O objetivo é ampliar as possibilidades de desenvolver os recursos necessários para tornar o cotidiano da criança autista mais tranquilo e saudável, promovendo qualidade de vida para a pessoa com TEA.

O terapeuta ocupacional está apto para avaliar quais são os componentes do desempenho ocupacional da criança que está afetado, ou seja, quais são os aspectos do uso do banheiro e do desfralde que estão em prejuízo.

Por exemplo, uma criança TEA pode apresentar dificuldades em manter o controle postural e por isso, não senta no vaso sanitário.

Ou mesmo quando pensamos em crianças que têm dificuldades em perceber os sinais corporais, como vontade de ir urinar.

Terapia ocupacional e o desfralde

A terapia ocupacional é uma especialidade muito importante quando pensamos no desfralde de crianças autistas.

O período de desfralde costuma envolver dúvidas e ansiedade. Por isso, o profissional avalia cada caso da criança, para entender se ela está pronta ou não para deixar de usar a fralda.

Podem ser feitas tentativas de desfralde, que podem ser retomadas futuramente caso a criança não responda de forma esperada. O terapeuta ocupacional precisa estabelecer metas e estratégias, respeitando o caso de cada criança.

Cabe destacar que cada criança apresenta particularidades que devem ser consideradas de forma individual.

Sinais de prontidão: Conheça os sinais de que a criança já pode iniciar o desfralde

Mesmo que não haja idade exata para que aconteça o desfralde, a criança já apresenta alguns sinais de que já está pronta, os mais comuns são:

  • Começa a indicar que a fralda está suja e se incomodar com o fato;
  • Demonstra inquietação nos momentos em que faz xixi ou cocô;
  • Apresenta constantes comportamentos na hora das necessidades fisiológicas, por exemplo: vai para um canto específico da casa, para e depois agacha.

Essas manifestações podem ser divididas em 3 aspectos: físicos, cognitivos e comportamentais, que podem ajudar a família a entender a hora certa para o desfralde.

Manifestações físicas

A criança que já se sustenta em pé e anda com firmeza demonstra autonomia para realizar o manuseio de suas vestes, manter-se estável no vaso sanitário, etc.

Além disso, o cocô já possui um formato mais sólido, e a evacuação ocorre em horários previsíveis. Ainda, é possível perceber que a criança passa intervalos de 3h a 4h com a fralda seca, o que representa um controle do esfíncter e da bexiga para segurar a urina.

Manifestações cognitivas

A criança identifica que o banheiro está atrelado a objetivos relacionados à higiene pessoal: como tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos, etc. Além de interagir e entender comandos de instruções, como pegar determinados objetos.

Manifestações comportamentais

A criança é capaz de abaixar e levantar a roupa íntima e/ou a calça sozinha, e demonstrar estar curiosa e interessada em ver os pais ou cuidadores realizarem hábitos de higiene como fazer xixi, usar as roupas de baixo, lavar as mãos, etc.

Mais uma vez é importante frisar que nenhuma criança se desenvolve como a outra, por isso os comportamentos podem nem aparecer nos primeiros anos. E a família pode nem perceber as ações.

E por isso é tão importante estar em contato com profissionais que compreendam as singularidades de cada criança.

A Terapia Ocupacional em prática: hábitos que estimulam o desfralde no autismo

Quando a família decide fazer o desfralde, é preciso ter comprometimento e coesão com as ações.

É importante começar do básico: tornar a temática do uso do banheiro parte do cotidiano, explicar para criança que ela precisa ir ao banheiro, tirar a roupa e, então, sentar no vaso.

Para ajudar nos aspectos de comunicação, por exemplo, os pais podem usar uma imagem de banheiro, um objeto com alguma figurinha que a criança entrega quando sentir a vontade de ir ao banheiro.

Mas atenção: para que ela possa entender essa dinâmica, os pais precisam acostumá-la a fazer isso; por exemplo: a pessoa cuidadora leva a criança ao banheiro após mostrar a figura, repetindo essa ação várias vezes.

O processo de desfralde no autismo pode ser iniciado com o uso dessas simples ações:

  • Usar imagens que simbolizam a hora de ir ao banheiro;
  • Fazer o quadro de rotina incluindo a ação de ir ao banheiro;
  • Acostumá-la com o vaso ou o banheiro antes do desfralde, caso haja alguma resistência;
  • Reforçar comportamentos, como comemorar quando a criança usar o vaso corretamente.

Tenha sempre em mente que o seu filho autista é único. Portanto, as técnicas que funcionaram para o seu outro filho ou seu sobrinho podem, ou não, funcionar para ele.

Por isso, toda criança deve ser tratada de forma individualizada, considerando sempre as habilidades que ela já domina e as que ainda precisa aprender.

Conclusão

O desfralde pode ser um momento difícil a princípio, quando as famílias ficam em dúvida de como começar e deixar a criança confortável para o processo. É importante lembrar que a Terapia Ocupacional é a especialidade aliada nesse momento.

Converse sempre com os profissionais e entenda que cada criança é única e irá precisar de estratégias e ações direcionadas. Adaptar o processo e garantir que ele seja adequado as necessidades da criança é essencial.

Quer saber mais sobre como a Terapia Ocupacional ajuda no desenvolvimento das crianças com TEA? Aqui no blog temos uma categoria dedicada a conteúdos dessa especialidade, acesse agora:

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