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Menino deitado ao chão, coberto e com fones de ouvido. Ele tem Hipossensibilidade sensorial.

Hipossensibilidade Sensorial no Autismo: Entendendo o Perfil do ‘Buscador’

Você já notou que seu filho com autismo parece não se incomodar com machucados, ruídos altos ou busca atividades intensas como pular e correr sem parar?

Esses comportamentos podem estar relacionados à hipossensibilidade sensorial, uma característica comum em muitos indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Compreender como o cérebro processa os estímulos sensoriais é essencial para apoiar melhor o desenvolvimento, o bem-estar e a qualidade de vida da criança.

Neste artigo, vamos explorar o que é hipossensibilidade sensorial, seus sinais, como ela afeta o comportamento e quais estratégias podem auxiliar na regulação sensorial.

O que é Hipossensibilidade?

A hipossensibilidade sensorial é um tipo de alteração no processamento sensorial, na qual o cérebro tem uma resposta diminuída aos estímulos do ambiente. Em vez de perceber sons, cheiros, toques ou movimentos com intensidade típica, a criança pode ter uma percepção atenuada, como se o mundo estivesse “no mudo” ou “embaçado”.

Por isso, é comum que ela busque ativamente sensações mais fortes para se sentir equilibrada. Isso pode incluir comportamentos como esfregar objetos com força, se encostar em superfícies duras, girar o corpo repetidamente ou até se jogar no chão.

Essa condição está frequentemente associada ao Transtorno de Processamento Sensorial (TPS), que pode ocorrer de forma independente ou junto ao TEA.

Os Sentidos Ocultos: Propriocepção e Vestibular

Quando pensamos em sentidos, geralmente lembramos da visão, audição, paladar, olfato e tato. No entanto, dois sentidos “ocultos” são especialmente importantes quando falamos de hipossensibilidade:

Propriocepção: a noção do corpo no espaço.

Crianças brincando em um local bem arborizado. Elas tem noção do espaço onde estão e pulam felizes

É a capacidade de perceber onde está o corpo no espaço, incluindo a força e o movimento dos músculos e articulações. Crianças com hipossensibilidade proprioceptiva podem buscar atividades como empurrar, puxar, mastigar objetos duros ou se jogar contra pessoas ou coisas.

Vestibular: o senso de equilíbrio e movimento.

É o sistema que nos dá sensação de movimento, velocidade e equilíbrio. Quando há hipossensibilidade vestibular, a criança pode buscar movimentos constantes como girar, pular, balançar ou correr sem parar.

Sinais Comuns de Hipossensibilidade

Crianças com hipossensibilidade sensorial demonstram comportamentos que refletem uma necessidade intensa de estímulos. Esses sinais podem variar de acordo com os sentidos mais impactados, como o tato, a audição, a propriocepção ou o sistema vestibular.

Reconhecer esses sinais é fundamental para compreender as necessidades sensoriais e promover estratégias adequadas de regulação. Alguns comportamentos típicos que podem indicar hipossensibilidade, são:

  • Não percebe ou reage pouco a dor, frio ou calor, mesmo diante de machucados visíveis;
  • Busca contato físico intenso, como apertar, empurrar ou se jogar contra objetos e pessoas;
  • Mastiga objetos não comestíveis com frequência (ex: roupas, brinquedos, materiais escolares);
  • Realiza movimentos repetitivos e intensos, como correr, pular ou girar, sem aparente cansaço;
  • Gira o corpo ou objetos por longos períodos, demonstrando prazer com a sensação;
  • Aproxima-se excessivamente das pessoas, com dificuldade de perceber espaço pessoal adequado;
  • Parece ignorar sons altos, chamadas verbais ou barulhos que normalmente causariam uma reação;
  • Demonstra fascínio por texturas e sensações táteis, buscando-as repetidamente.

Esses sinais devem ser analisados em conjunto com outros aspectos do desenvolvimento da criança, sempre com a orientação de profissionais especializados. O reconhecimento precoce e a compreensão desses comportamentos possibilitam intervenções mais eficazes e humanizadas.

O Perfil “Buscador Sensorial” (Sensory Seeker)

O comportamento agitado ou impulsivo muitas vezes é interpretado como falta de limites ou desobediência. No entanto, para uma criança com hipossensibilidade, isso pode ser uma forma de autorregulação sensorial.

O cérebro dessa criança está faminto por estímulos, e ela aprende que certas atividades auxiliam a se sentir mais equilibrada. Por isso, busca constantemente essas sensações.

Reconhecer esse perfil é fundamental para oferecer o suporte adequado, evitando punições e promovendo estratégias de regulação positivas.

Estratégias e Dicas para Lidar

A implementação de estratégias que favoreçam a regulação sensorial pode fazer uma grande diferença no cotidiano da criança com hipossensibilidade. Essas ações devem ser adaptadas às necessidades individuais, com orientação de profissionais especializados, como terapeutas ocupacionais.

Confira algumas práticas recomendadas:

  1. Ofereça atividades sensoriais seguras: recursos como massinha, areia cinética, caixa de texturas e brinquedos de pressão estimulam diferentes sistemas sensoriais e auxiliam na autorregulação.
  2. Inclua momentos de movimento ao longo do dia: atividades como pula-pula, escorregador, andar de bicicleta ou dançar música rítmica ajudam a atender a busca por estímulos proprioceptivos e vestibulares.
  3. Use coletes ou cobertores com peso: quando indicados por terapeutas, esses recursos oferecem pressão profunda e podem auxiliar na sensação de segurança corporal.
  4. Crie um espaço sensorial em casa: com colchonetes, almofadas, balanços e brinquedos favoritos, esse cantinho pode ser usado para pausas sensoriais durante o dia.
  5. Estabeleça uma rotina com previsibilidade e pausas sensoriais planejadas: isso ajuda a prevenir crises e promove maior estabilidade emocional.
  6. Trabalhe com terapeutas ocupacionais especializados em integração sensorial: o acompanhamento profissional é essencial para avaliar o perfil sensorial da criança e sugerir atividades específicas com base em suas necessidades.

A chave está em observar a criança com empatia, oferecendo oportunidades de exploração e suporte sem punição. O ambiente sensorialmente responsivo contribui diretamente para o bem-estar e a autonomia no dia a dia.

Conclusão

Compreender a hipossensibilidade sensorial no autismo é um passo fundamental para promover a qualidade de vida da criança e da família. Quando pais, cuidadores e profissionais reconhecem que determinados comportamentos são respostas a necessidades sensoriais, possibilita-se agir com mais empatia, evitando punições e interpretações equivocadas.

A adoção de estratégias individualizadas e o suporte profissional contribuem para a regulação emocional, o desenvolvimento da autonomia e a redução de conflitos comportamentais.

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Terapeuta em clínica de autismo. Ela está com menina autista.

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