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Terapia comportamental no autismo: como ela pode ajudar?

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A terapia comportamental se baseia nos princípios filosóficos e científicos da Análise do Comportamento e é bastante indicada para ajudar no desenvolvimento de pessoas autistas. 

Isso porque a Análise do Comportamento pode intervir nos comportamentos mais desafiadores do autismo, que é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa vê e interage com o mundo. 

É importante que as terapias para a pessoa com TEA sejam baseadas em evidências científicas. Assim, podemos garantir que as estratégias foram validadas cientificamente e realmente funcionam. 

No artigo de hoje, vamos explicar mais sobre a terapia comportamental no autismo, como ela funciona e os cuidados a se tomar antes de iniciar essa intervenção. 

O que é análise do comportamento?

A análise do comportamento é uma ciência e abordagem teórica e metodológica da Psicologia. Essa abordagem é sustentada pela produção filosófica e científica de B. F. Skinner e tem como foco o estudo do comportamento – sendo esse compreendido como a relação entre indivíduo e ambiente

Dessa forma, essa ciência tem instrumentos para observar, analisar e criar estratégias para intervir no comportamento do indivíduo. Assim, ela pode ajudar tanto na aprendizagem de novos comportamentos, como na redução de comportamentos desafiadores, como as crises.

Segundo Tourinho (2003) essa ciência é dividida em três áreas que estão interligadas: 

1 – Behaviorismo radical: a filosofia da Análise do Comportamento, ou seja, os princípios  nos quais essa ciência se baseia;

2 – Análise experimental básica do comportamento: incumbida de investigar processos comportamentais básicos. Ou seja, foca em investigar as leis que controlam o comportamento humano;

3 – Análise experimental aplicada do comportamento: é a vertente que pesquisa intervenções aplicadas a contextos socialmente relevantes. Assim, é possível afirmar que os procedimentos que temos hoje na ABA passaram antes por anos de pesquisas até serem validados cientificamente.

As intervenções baseadas nesta ciência podem ser usadas em diversas situações e para todos os tipos de pessoas, inclusive aquelas com desenvolvimento típico – neurotípico. 

Como funciona a terapia comportamental no autismo?

Quando falamos em autismo, as intervenções baseadas na Análise do Comportamento Aplicada têm dois propósitos principais: 

1 – Reduzir comportamentos desafiadores (crises);

2 – Ensinar novos comportamentos mais adequados e funcionais a cada situação. 

Dentro desta abordagem, a Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla em inglês ABA (Applied Behavior Analysis), contempla o maior número de intervenções e estratégias cientificamente validadas para as intervenções no autismo. 

Para avaliar o sucesso destas intervenções para o TEA, o manual Evidence Based-Medicine (Manual de Medicina Baseada em Evidências), publicado em 2014, analisou 20 anos de intervenções para TEA relacionadas à ABA. 

Dentre aquelas que cumpriram todos os critérios propostos pela revisão, foram identificadas 28 práticas baseadas em evidências para o autismo. Destas, 23 eram baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada.

Diferença entre terapia comportamental e ABA

Sendo assim, podemos chamar de ABA todas intervenções socialmente relevantes que seguem os princípios da Análise do Comportamento (AC). Ou seja, qualquer estratégia, procedimento ou terapia baseada na ciência do comportamento é chamado de ABA.

Para serem criadas estratégias que vão ajudar no desenvolvimento da pessoa com autismo, essa abordagem se baseia em vários princípios, entre eles o conhecido como “ABC” do comportamento. Também da sigla em inglês, que significa “Antecedent – antecedente”, “Behavior – comportamento” e “Consequence – consequência”. 

Por meio desta estratégia, o profissional observa e analisa o comportamento do indivíduo, destrinchando-o entre essas três etapas para conseguir, a partir daí, criar estratégias que serão efetivas naquele caso para atingir o que chamam de comportamento-alvo. 

Para continuar a ler mais sobre o ABC do comportamento nas crises em pessoas com autismo, acesse o texto no nosso blog!