ABA e intervenções para autismo um homem está brincando com um garotinho, com blocos coloridos no chão de um cômodo

Prática baseada em evidências: saiba o que é Instrução Direta (DI)

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Heloise Rissato

26 de julho de 2022

Já falamos por aqui sobre a importância da prática baseada em evidências (PBEs) durante a jornada das famílias, seja no momento de receber o diagnóstico, ou na hora de encontrar técnicas de ensino e aprendizagem para ajudar no desenvolvimento de habilidades da pessoa com autismo.

Dessa forma, precisamos entender o que são essas práticas e como cada uma delas pode beneficiar um indivíduo a potencializar suas habilidades e aumentar o repertório na rotina. Nesse aspecto, a instrução direta (DI) é uma das práticas que pode ajudar.

Por isso, neste texto você vai entender com detalhes o que é a instrução direta e como esse método pode ajudar no dia a dia de uma pessoa no espectro.

O que é Prática baseada em evidências?

Primeiro, vamos relembrar o que é uma prática baseada em evidências. Esse termo é usado para descrever um conjunto de procedimentos que foram previamente investigados, desde o método científico até os resultados gerados.

Assim, todos esses resultados são usados como ferramentas para atingir a evolução das habilidades e desenvolvimento para uma população específica, como o autismo. Ou seja, é tudo comprovado, nada de achismo!

Na prática, isso mostra que elas funcionam de fato e conseguem ajudar autistas e potencializarem suas habilidades.

Em 2014 a ASAT — Associação para a Ciência no Tratamento do Autismo — publicou o estudo Evidence Based Medicine (EBM) que analisou 20 anos de intervenções e identificou 28 práticas baseadas em evidências com resultados positivos, entre elas a instrução direta.

Mas é importante lembrar que, nesse processo, os profissionais irão sempre tomar decisões complementares, considerando todas as características e necessidades da pessoa com TEA, além do contexto que elas vivem.

O que é Instrução Direta (DI)?

Agora vamos entender o que é uma instrução direta. A DI está classificada como uma forma de ensino baseada em sistemas padronizados. Assim, esse método usa um conjunto de instruções sequenciais para os objetivos, como as lições ou roteiros.

Isso quer dizer que ela corresponde a um ensino de habilidades ou conceitos de maneira sistêmica, ou seja, seguindo um determinado passo a passo. Assim, para a pessoa com TEA, o diálogo é a principal ferramenta para a explicação de informações que promovem o aprendizado e a generalização.

Então, o terapeuta ou pessoa cuidadora, irá fornecer as informações necessárias para que o indivíduo consiga dominar aquelas instruções de maneira ordenada e sequencial. Por isso, aqui, é muito importante que todos os objetivos sejam bem definidos e existam atualizações frequentes sobre o que está sendo ensinado e aprendido.

Com a avaliação inicial e os objetivos estabelecidos, temos todo o conhecimento do repertório da criança e podemos criar atividades de instruções simples.

Por exemplo, pedir para ela pegar o livro que está na sua frente. Depois, ao longo do processo de desenvolvimento, é possível trabalhar novas instruções como: “Pegue o livro e mostre o carro que tem nele.”

É muito importante que essa sequência de instruções respeitem as habilidades do cotidiano da pessoa com TEA, entendendo qual o repertório de ouvinte e de falante, sem ultrapassar barreiras que podem dificultar a comunicação. Então, se uma criança consegue juntar duas palavras “Dá bola”, podemos exercitar as instruções diretas em três ou quatro palavras “Joga bola azul”.

Diferença entre instruções diretas e indiretas

Entendemos que as instruções diretas são aquelas que deixam bem claras as expectativas e objetivos de ensino, garantindo definições e explicações tanto para a pessoa com TEA quanto para o profissional aplicador.

Então podemos pensar em um momento de lavar a louça. Durante o passo a passo das instruções diretas podemos pedir uma sequência como:

  • pega o prato;
  • pega a esponja;
  • coloca detergente;
  • enxágua;
  • seca.

Assim, o profissional ou pessoa cuidadora consegue criar um contexto bem estabelecido e com previsibilidade do que está por vir, o que ajuda também na compreensão de todas as etapas do processo e o que está sendo esperado em cada momento.

Já as instruções indiretas acontecem quando o aplicador atribui uma responsabilidade maior de aprendizado às pessoas que estão recebendo aquele conhecimento. Ou seja, é algo mais aberto e menos garantido por passos e avanços.

No mesmo momento de lavar as louças, na versão indireta diríamos apenas: lave a louça. Como não damos nenhum tipo de passo a passo, já contamos que a pessoa sabe o que fazer naquele contexto.

Quais as vantagens da Instrução Direta?

Sempre queremos que as crianças sejam autônomas e independentes, mas é fundamental que exista um suporte necessário para elas desempenharem suas atividades da melhor forma possível.

Por isso, quando pensamos nesse método na prática, garantimos que todas as pessoas possam aprender, desde que recebam instruções bem planejadas e definidas desde o início.

Uma das maiores vantagens da instrução direta para o ensino é que ela garante instruções passo a passo para a pessoa no espectro, o que melhora a previsibilidade e entendimento do processo.

Além disso, o método proporciona um aprendizado mais rápido e eficiente, melhorando a autoestima dos indivíduos ao longo do tempo. Uma pesquisa da Universidade de Oregon nos EUA, feita entre 1966 e 2016, mostra que com a DI é possível:

  • apresentar conhecimentos básicos para conceitos mais complexos, buscando um repertório mínimo para cada nova etapa;
  • garantir uma instrução clara e sem ambiguidades;
  • facilitar o aprendizado de conceitos novos ao invés de promover a extinção de comportamentos;
  • existir um conhecimento e previsibilidade de cada etapa a ser aprendida;
  • criar estímulo para investigar e desenvolver novos conhecimentos, recebendo reforço positivo para celebrar avanços.

Como ela funciona na prática?

No dia a dia da pessoa com TEA, as instruções diretas irão garantir um objetivo claro de cada intervenção. Assim, o profissional consegue monitorar a compreensão da criança e fornecer dados sobre o desempenho para toda a equipe e também para a família, o que ajuda na hora de acompanhar a evolução!

Dessa forma, algumas etapas podem ser aplicadas para esse método. São elas:

  1. Planejamento do modelo de instrução direta;
  2. Revisão do que foi aprendido anteriormente;
  3. Objetivo de aprendizado atual;
  4. Disponibilização de novos materiais ou ferramentas para o aprendizado;
  5. Demonstrações;
  6. Práticas guiadas e independentes.

Assim, nesse método é possível dizer o que precisa ser feito e mostrar exatamente como fazer, o que facilita o entendimento para os indivíduos com autismo.

Não podemos esquecer que, assim como outras práticas baseadas em evidências, como a Comunicação alternativa e aumentativa, é preciso sempre considerar o perfil de aprendizagem do indivíduo e o repertório que ele apresenta em cada sessão.

Além disso, fortalecer as conexões, focar nas experiências de cada um e construir relacionamentos positivos são uma ótima maneira de garantir que a criança com autismo consiga desenvolver suas habilidades com cada vez mais qualidade e bem-estar.

Uma equipe colaborativa e capacitada irá criar uma combinação de técnicas e métodos de ensino focados na individualidade, para assim alcançar o máximo do potencial de cada pessoa.

Aqui no nosso blog você encontra vários conteúdos para trilhar um caminho extraordinário ao lado da sua família!

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