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Entender como ensinar brincadeiras para crianças autistas começa por reconhecer que jogos em grupo ou com muitas regras exigem muitas habilidades ao mesmo tempo.
A criança pode precisar compreender uma sequência de ações, acompanhar o que outras pessoas fazem, esperar a vez, mudar de papel ou comunicar-se durante a atividade.
No entanto, o objetivo de ensinar brincadeiras não deve ser mudar como a criança brinca, pois cada uma pode ter sua forma única e legítima de brincar.
O objetivo, na verdade, é ampliar as possibilidades de participação da criança quando uma nova brincadeira for interessante ou importante para ela.
Neste artigo, listamos sete dicas para ensinar brincadeiras para crianças autistas, com foco em instruções acessíveis, recursos visuais e respeito ao ritmo infantil.
Continue a leitura.
Por que algumas crianças autistas podem precisar de apoio para aprender brincadeiras?
Algumas brincadeiras coletivas dependem de regras, combinações ou pistas sociais que nem sempre são explicadas de forma clara. Enquanto algumas crianças conseguem inferir essas informações observando os colegas, outras podem precisar que elas sejam apresentadas de maneira mais explícita.
Uma criança autista pode não saber quando começa sua vez de brincar, o que significa “ser o pegador” ou o que acontece quando alguém ganha.
Também pode compreender a regra, mas encontrar outra barreira, como dificuldade motora, excesso de barulho, medo de errar ou pouco interesse pela proposta.
Antes de decidir como ensinar brincadeiras para uma criança autista, observe qual parte está sendo mais desafiadora para ela:
- A criança precisa entender a sequência?
- Comunicar que quer parar?
- Experimentar o movimento com ajuda?
- Brincar com menos pessoas?
Essa investigação ajuda a reunir recursos mais eficazes para ensinar a criança do que repetir a mesma instrução várias vezes.
7 dicas de como ensinar brincadeiras para crianças autistas
Não existe uma única maneira de ensinar brincadeiras que funcione para todas as crianças autistas.
As estratégias devem considerar o que a criança já compreende, seus interesses, sua forma de comunicação e possíveis necessidades motoras ou sensoriais.
A seguir, reunimos sete dicas que você pode combinar e adaptar para tornar as brincadeiras mais claras, acessíveis e agradáveis.
1. Comece pelos interesses e pelas formas de brincar da criança

O primeiro passo para saber ensinar brincadeiras para uma criança autista é observar o que já desperta a curiosidade dela.
Ela gosta de animais, carrinhos, água, música ou personagens? Prefere correr, imitar sons ou montar sequências?
O objetivo não é usar o interesse da criança somente como recompensa, mas incorporá-lo de maneira significativa à experiência de brincar.
Um jogo da memória, por exemplo, pode usar imagens de um personagem que ela gosta para aumentar o engajamento.
Ou seja, o interesse da criança pode ser a ponte para a participação.
Observe também como a criança demonstra que quer continuar, mudar ou encerrar a brincadeira e, neste caso, respeite a vontade dela para o brincar ser associado a um momento divertido e prazeroso, e não a algo forçado.
2. Divida a brincadeira em etapas curtas
Para algumas crianças, instruções como “vamos brincar de esconde-esconde” não informam o que elas precisam fazer.
Ao pensar em ensinar brincadeiras, transforme a atividade em ações observáveis e apresente uma etapa por vez, lembrando-se de que o nível de detalhe deve corresponder ao que a criança precisa compreender naquele momento.
3. Use histórias narrativas e sequências visuais

Histórias narrativas podem ensinar uma brincadeira pela perspectiva da criança, com frases curtas, fotos ou desenhos.
Elas ajudam a manter as regras disponíveis durante a atividade, em vez de depender apenas de uma explicação falada que ela pode esquecer rapidamente.
Para ensinar esconde-esconde, por exemplo, a história pode dizer:
- Quando eu sou quem procura, eu cubro os olhos, conto até dez e as outras pessoas vão se esconder.
- Quando eu termino de contar, digo “Lá vou eu!”.
- Eu procuro as pessoas que estão escondidas.
- Quando eu encontro todas as pessoas, a rodada termina e podemos brincar de novo.
Leia a sequência para a criança antes de começar e deixe as imagens acessíveis durante a brincadeira. Se necessário, use uma marca visual para mostrar em qual etapa a criança está.
Ao decidir ensinar brincadeiras com esse recurso, adapte o formato à compreensão da criança. Você pode usar:
- fotografias reais;
- vídeos;
- desenhos;
- palavras;
- demonstrações com bonecos.
O mais importante é observar a resposta da criança ao recurso e adaptá-lo quando houver necessidade.
4. Demonstre antes de esperar que a criança faça

Você pode também demonstrar junto a outras pessoas como a brincadeira funciona enquanto a criança observa. Depois, convide-a a realizar uma parte da sequência.
Durante a demonstração, use poucas palavras e destaque somente as informações necessárias. Muitas instruções ao mesmo tempo podem dificultar a compreensão da criança.
5. Torne turnos, papéis e finais mais previsíveis

“Sua vez”, “minha vez”, “você saiu” e “o jogo acabou” são informações centrais, mas podem ser pouco concretas.
Portanto, ao ensinar brincadeiras para crianças autistas, teste o uso de:
- cartões;
- pulseiras coloridas;
- objetos que passam de mão em mão; ou
- uma lista com a ordem dos participantes.
Recursos como esses podem ajudar a indicar quem joga e o que acontecerá depois.
Para ensinar brincadeiras com diferentes papéis, deixe claro quando eles mudam.
No pega-pega, por exemplo, uma faixa de cor diferente pode identificar o pegador.
Em um jogo de faz de conta, cartões visuais podem mostrar quem será o médico, o paciente ou o acompanhante.
Avise também como a atividade termina, por exemplo:
- após três rodadas;
- quando a música parar; ou
- quando todos chegarem ao final.
Saber que a brincadeira tem começo, meio e fim pode aumentar a previsibilidade da criança.
6. Adapte a brincadeira ao perfil da criança

A criança não precisa brincar exatamente como as outras para participar. Ao planejar como ensinar brincadeiras para a criança, verifique se alguma regra pode ser ajustada sem perder o sentido da atividade.
Você pode:
- reduzir o número de participantes;
- diminuir sons, luzes ou estímulos do ambiente;
- ampliar o espaço ou o tempo para realizar um movimento;
- permitir uma rodada de observação antes de participar;
- oferecer acessibilidade para a criança se comunicar;
- trocar materiais desconfortáveis para a criança;
- combinar uma forma de pedir ajuda, pausa ou encerramento.
Essas mudanças removem barreiras que poderiam impedir a criança de compreender, experimentar ou aproveitar a brincadeira.
7. Amplie a participação aos poucos e acompanhe a resposta da criança
Uma brincadeira nova pode começar com um adulto e poucas etapas. Quando a criança estiver confortável, é possível incluir outra pessoa, aumentar o número de rodadas ou apresentar uma pequena variação.
Observe sinais de interesse, cansaço, desconforto e recusa. Se ela quiser parar, encerre ou ofereça uma pausa. Em outro momento, vocês podem testar um formato diferente.
Quando houver outras crianças, explique as regras e os apoios a todos.
Os colegas também podem ajudar a demonstrar ações, convidar para brincar e aprender a respeitar diferentes formas de participação.
Conclusão
Ensinar brincadeiras para crianças autistas não significa estabelecer regras rígidas ou forçar a criança a brincar da forma como os manuais de instrução orientam.
Deve ser um processo pensado para ampliar a participação da criança, para oferecer a ela a oportunidade de aprender algo significativo para seu cotidiano.
Os apoios devem tornar a brincadeira mais compreensível e acessível, sem retirar a espontaneidade, os interesses e o direito da criança de escolher como deseja participar.
Para a Genial Care, o brincar pode criar oportunidades únicas para ampliar comunicação, movimentos, escolhas, negociação, trocas com outras pessoas e participação na rotina.
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Perguntas frequentes sobre como ensinar brincadeiras
Toda criança autista precisa aprender a brincar de outra forma?
Não. Brincadeiras individuais ou diferentes do esperado também podem proporcionar diversão e aprendizagem para a criança. Ensinar brincadeiras deve ter como objetivo ampliar opções quando a criança demonstra interesse ou quando a brincadeira favorece uma participação importante para ela, sem substituir o que já funciona.
O que fazer quando a criança não quer participar?
Respeite a recusa e procure compreender o motivo de a criança não querer participar. Ela pode estar sensível ao ambiente, as regras da brincadeira podem estar difíceis ou a atividade pode ser pouco interessante ou imprevisível para a criança. Ofereça a possibilidade de ela observar, adapte a atividade a depender da resposta da criança, escolha outra opção ou tente novamente em outro momento.
Recursos visuais funcionam para todas as crianças autistas?
Não. Algumas crianças podem compreender melhor as regras através de fotografias, desenhos, palavras, objetos ou demonstrações em vídeo. Outras podem simplesmente aprender observando outras crianças. Observe a resposta da criança e escolha o apoio mais adequado para o perfil dela.
Quando buscar ajuda profissional?
Converse com a equipe que acompanha a criança quando barreiras de comunicação, movimento, processamento sensorial ou interação limitarem brincadeiras importantes para ela. A avaliação pode ajudar a identificar o que está dificultando a participação e quais apoios fazem mais sentido para ela.
Referências
Hume, K., Steinbrenner, J. R., Odom, S. L., Morin, K. L., Nowell, S. W., Tomaszewski, B., … & Savage, M. N. (2021). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism: Third generation review. Journal of autism and developmental disorders, 51(11), 4013-4032.











