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um menino de camiseta amarela e shorts marrom aparece agachado fazendo carinho em um cachorro de pelo branco

Como os animais de estimação podem ajudar no desenvolvimento de crianças autistas

Estudos mostram que o convívio com animais de estimação auxiliam no desenvolvimento das crianças com TEA, já que eles podem ajudar diretamente nos comportamentos do dia a dia, aumentar a capacidade de relacionamento e interação social e também no senso de autonomia e responsabilidade.

São vários os benefícios na relação de crianças no espectro com animais, que vão desde aspectos afetivos até sociais e intelectuais. Por isso, cada vez mais é discutido por familiares e pessoas cuidadoras as vantagens de agregar ao núcleo familiar um animalzinho que possa ajudar no desenvolvimento e também garantir amor e carinho para todos.

Muitas vezes esses animais de estimação ajudam a desenvolver comportamentos pelo fato de construírem uma relação livre e carinhosa com as crianças, sem muitas pressões ou obrigações, algo mais comum em relações interpessoais. Esse vínculo ajuda nos ganhos emocionais e físicos, além de melhorar o bem-estar e reduzir a ansiedade de pessoas autistas.

Conversamos com algumas pessoas que compartilharam suas experiências, sejam pessoais ou profissionais, sobre os benefícios dos animais de estimação no dia a dia de crianças com TEA. São elas:

Grazielle Bonfim: Psicóloga e Supervisora ABA aqui da Genial Care, apaixonada por cachorros e especialista em terapia assistida por animais. Diego Sanchez: biólogo proprietário da Empresa Sos Ambiental e professor da Maple Bear com educação infantil e fundamental I. Daniela Pogogelski: mãe do Davi, menino autista de 9 anos, que vive no seu cotidiano pessoal os benefícios de ter alguns pets na casa.

Grazielle Willian Bonfim | Psicóloga | CRP CRP: 06/126.01

O contato com animais de estimação é estudado desde 1980

A relação com os animais de estimação não é algo benéfico somente para crianças autistas ou com outros transtornos do desenvolvimento. Um estudo de 1980 feito por Erika Friedmann na Universidade da Pensilvânia, nos EUA, apontou com evidências científicas sobre a sobrevida de pacientes hospitalizados com doenças cardíacas donos de animais domésticos.

A pesquisa relatava que pessoas que tinham cães ou outros animais de estimação em casa eram mais propensos a sobreviverem a um ano após a hospitalização, se comparado com aqueles que não tinham animais.

Desde então, muito tem sido estudado sobre a relação benéfica entre os animais e os humanos.“A relação dos seres humanos e os animais tem grande proximidade e vem sendo estudado há muitos anos. Esse vínculo afetivo favorece a estabilidade emocional do ser humano, promovendo inúmeros benefícios, conta Grazielle.

Exatamente por isso, os animais passaram a ser usados cada vez mais em terapias assistidas. Essas intervenções consistem na utilização de animais como mediadores da promoção da saúde e bem-estar, agregando ainda mais nos resultados.

“Pensando especificamente nos cães, existem estudos que demonstram que esse contato com eles melhora o padrão cardiovascular e diminui a pressão arterial e os níveis de colesterol e consequentemente diminuem a concentração de cortisol que está diretamente ligado a picos de ansiedade”, reforça a psicóloga.

Os benefícios de animais de estimação para o desenvolvimento de crianças com autismo

Quando falamos especificamente de crianças autistas, esse relacionamento com o animal é benéfico em diversos aspectos da vida. Um estudo conduzido em 2014 revelou que as crianças com TEA pareceram mais receptivas brincando com os cães, mais atentas e sorrindo mais na presença deles. Quando estavam com os cães, mostraram um nível maior de atividade focada no interesse pelo ambiente.

Daniela conta que o labrador, chamado de Tom, passaria por treinamentos para se tornar um cãozinho de assistência para o filho Davi. Porém, a pandemia acabou dificultando o processo, o que fez com ele se tornasse o pet da casa.

Mesmo sem esse treinamento específico, ela relata que o filho e o cachorro tiveram um processo de alta conexão desde o começo, se tornando super parceiros nas atividades diárias, e ajudando como um grande reforçador nesse sentido.

“O Davi tinha várias alterações sensoriais táteis, respondendo de uma forma aversiva, além de muita dificuldade de falar. Pelo carinho com o cachorro, ele se sente confortável em abraçar e deitar ao lado, e tendo o animal como tema central das primeiras palavras, todas vindas das interações dos dois”, conta a mãe.

“A gente batizou o nosso golden de Tom Fofo, porque ele era muito fofo e porque Tom era um nome que o Davi conseguia articular a fala motoramente pensando”.

um cachorro da raça golden dourado aparece de lado com a boca aberta
Tom Fofo – animal de estimação de Davi, menino autista de 9 anos

Além desses relatos, existem outros benefícios que podemos citar na relação entre animais de estimação e crianças com TEA, que são:

  • Maior socialização;
  • Maior envolvimento com as pessoas que compõem o lar;
  • Compreensão de comportamentos e atitudes novas;
  • Interesse pelos animais e ensinamentos de respeito com outras formas de vida;
  • Redução do nível de ansiedade e estresse;
  • Estimula o equilíbrio e a coordenação motora
  • Aumento de condutas afetivas;
  • Estímulo de habilidades sociais;
  • Melhora da autoestima;
  • Melhora do contato visual.

É preciso ter cuidados na hora de adicionar um animal na vida da família

Apesar dos efeitos positivos associados aos animais de estimação, é importante considerar as características individuais de cada criança, pois nem sempre o vínculo com eles será um elemento que promoverá o bem-estar.

Isso vai depender da história de vida, da situação de moradia, do repertório da criança com TEA e da condição de saúde geral da criança. Além disso, nem todo animal tem pré-requisitos para uma boa interação.

“O sucesso dessa relação se encontrará tanto no perfil da criança quanto do animal. Profissionais especializados podem ajudar a família a entender se essa criança seria beneficiada ao ser inserida nesse contexto, além de ajudar a avaliar e treinar o animal”, reforça Grazielle.

Ela cita alguns exemplos de categorias comportamentais dos animais que a família precisa ficar atenta:

  • Agressão dirigida a estranhos;
  • Agressão dirigida ao tutor;
  • Agressão dirigida a outros cães;
  • Medo de estranhos;
  • Problemas de separação do tutor;
  • Sensibilidade ao toque;
  • Apego e busca de atenção;
  • Energia e treinabilidade.

Nunca podemos esquecer que animais são seres que precisam de cuidado e atenção, exigindo dedicação e paciência, principalmente dos pequenos. A família precisa considerar todos os aspectos envolvidos nesse processo, na dinâmica da casa, no perfil do animal e nos bons tratos, reforçando o cuidado e pensando bem no sentido da adoção.

Outros animais também podem ajudar no desenvolvimento das crianças

Falamos muito de animais de estimação, mas a interação com diversos tipos de espécies é benéfica para pessoas com autismo. Aqui é importante entender o perfil da criança e considerar as sensibilidades e interesses dela, por isso, nem sempre um cãozinho pode ser a melhor opção para o desenvolvimento.

Nesse sentido, Diego fala da importância da educação ambiental, “que faz com que a criança se sinta protagonista de suas ações perante o Meio Ambiente”. Ele ainda frisa que existe uma diferença entre espaço urbano, rural e natural, e os animais precisam ser respeitados nesse sentido.

Com a Sos Ambiental ele teve a oportunidade de realizar um trabalho de Reptilterapia em parceria com a Andrea Ribeiro da Walking Equoterapia. “Conseguimos observar que diferente dos animais peludos, os répteis têm tudo a ver com crianças com TEA , pois os répteis apresentam um comportamento mais calmo, menos invasivo, deixando a criança mais à vontade, além de estimular o toque por serem gelados e escamosos”.

Ele conta que o trabalho era composto por uma equipe multidisciplinar e para cada caso um time de especialistas que focava em instigar a curiosidade e o conhecimento das nossas florestas através do contato direto com os animais, como: cobras, jacarés, lagartos, jabutis, cágados e alguns animais que queríamos incluir na temática floresta e preservação com Corujas, Gaviões, Sapos e rãs.

“Tivemos vários resultados, na parte motora alguns exercícios estimulam a coordenação motora fina e global, na linguagem obtivemos o desenvolvimento na fala e a diminuição da ecolalia, no social tivemos uma melhora na socialização e na interação, além de melhorar a autoestima, autoimagem, autoconfiança e quadros de depressão e ansiedade”

Mas importante ressaltar: o trabalho que Diego faz com esses animais mais exóticos precisa de supervisão de biólogos e veterinários, além da legalização do IBAMA.

Nesse sentido, muitas pessoas associam a Equoterapia para desenvolver habilidades e trabalhar terapeuticamente com crianças no espectro.

Já fizemos um conteúdo completo sobre isso em nosso blog, e você pode acessar clicando no botão abaixo:
Equoterapia para autismo

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