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Capacitismo: o que é e como afeta pessoas autistas

5 minutos

Este texto foi escrito em colaboração com Lucas Ponte, estudante de psicologia, ativista autista e criador da página do Instagram @lucas_atipico

Você com certeza já ouviu falar em capacitismo. Essa forma de preconceito tem se tornado muito discutida nos últimos tempos, especialmente porque muitos ativistas têm trazido informações importantes para conscientizar a população sobre isso. 

Uma das principais formas é o uso de expressões e termos que inferiorizam pessoas com deficiências (PCDs). Isso gera um impacto negativo na vida da pessoa e também de quem convive com ela. E um dos principais problemas é que essas falas estão naturalizadas no nosso vocabulário, como veremos neste texto. 

Neste artigo, vamos abordar mais sobre o que é o capacitismo, sua relação com o autismo e também discutir formas de resolver esse problema e conscientizar a sociedade. Para nos ajudar, convidamos o estudante de psicologia Lucas Pontes, que está no espectro autista e é um ativista da causa.

O que é capacitismo?

O capacitismo é qualquer atitude que seja discriminatória ou que denota preconceito contra pessoas com deficiência (PCDs). De modo geral, a principal característica do capacitismo é o uso de expressões e termos que visam inferiorizar PCDs em comparação com pessoas neurotípicas. 

Ter atitudes capacitistas é uma forma de opressão, e elas ocorrem muito mais do que se imagina. Isso acontece porque muitas pessoas ainda associam deficiências a fatos negativos para ofender alguém. Veja alguns exemplos de capacitismo abaixo:

  • Dizer que alguém é cego porque não te cumprimentou na rua;
  • Chamar uma pessoa de “joão sem braço” após ela pedir ajuda com algo;
  • Dizer que uma pessoa “é autista” por causa de algum comportamento dela.

Para explicar mais sobre o capacitismo e como ele afeta pessoas com autismo, os textos a seguir foram escritos pelo estudante de psicologia Lucas Pontes, que está no espectro do autismo. 

Como o capacitismo afeta pessoas com autismo? 

O capacitismo afeta diretamente a vida das pessoas autistas das mais diversas formas. Um dos principais e mais problemáticos fatores é o fato de que este preconceito está muito presente entre os profissionais da saúde e educação e faz com que muitos autistas não sejam diagnosticados ou recebam o diagnóstico tardiamente. 

O capacitismo, somado à incompetência de muitos, faz com que profissionais, como neurologistas, psicólogos e psiquiatras, invalidem e descartem a possibilidade do diagnóstico de autismo a partir de preconceitos e mitos. 

A ideia de que autistas são todos iguais, não possuem empatia e são totalmente dependentes é parte do capacitismo de profissionais que causa um mal imensurável a muitos autistas. 

Além do meio profissional, o capacitismo também está no senso comum, nas famílias e em toda sociedade. Está na ideia de que são anjos ou monstros, mas nunca humanos. 

Por não aceitarem a diversidade humana, denominam de anjos aqueles que são diferentes. Acreditam que todos os autistas são puros, não mentem e estão na terra apenas para trazer ensinamentos para os demais. 

Dicas e orientações para os profissionais repassarem aos pais

Devido a esse preconceito, que é estrutural, faz-se necessário que profissionais da área da saúde e educação, ajudem na luta anticapacitista. Podem fazer isso ao incentivarem a escuta e a leitura de conteúdos feitos por pessoas com deficiências, compreendendo o devido lugar de fala e analisando em si mesmo o capacitismo, a fim de desconstruí-lo. 

Outro ponto importante, é a necessidade de presumir competência. Trata-se de uma conduta respeitosa, que infere competência e não incompetência das pessoas com deficiência. 

Presumem incompetência, por exemplo, quando não falam diretamente com a pessoa autista, por acreditarem que ela não será capaz de entender, ou tratam um adulto com deficiência como se ele fosse uma criança.

Aprender para desconstruir preconceitos

Para desconstruir preconceitos e sermos menos capacitistas, é preciso que estejamos dispostos a aprender, e principalmente ouvir pessoas autistas como o Lucas, que contribuiu com este artigo. Continue no nosso blog para ler mais sobre mitos do autismo e outros conteúdos importantes.

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