Israel – Trajetória extraordinária (parte 4)
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Quando ouviu falar em autismo pela primeira vez, ao receber o diagnóstico do filho Israel, Marcela jamais podia imaginar os desafios que teria de enfrentar. 

Apesar disso, não desistiu, estudou o tema, se especializou e hoje tem uma história de superação e aprendizados que inspira muitas outras famílias. Conheça a última parte desta história escrita pela jornalista Gabriela Bandeira, do Olhares do Autismo

Veja nesse link a primeira parte da história do Israel

– Eu me sinto dona da minha história, da minha história com meu filho, e vejo o quanto eu caminhei. Como mãe, como pessoa. Sei que superei tanta coisa e estou em uma outra fase.

É assim que Marcela define a sensação vivida oito anos pós-diagnóstico de autismo e toda luta pelos direitos do filho Israel. Ao olhar para trás, ela consegue se lembrar de cada desafio enfrentado para chegar até onde estão hoje: as dificuldades financeiras, a inabilidade de profissionais em atender uma criança deficiente visual e com autismo e a solidão como pais. 

Além disso, ressalta a dificuldade de conseguir o diagnóstico de autismo – que aconteceu de forma tardia – na época. Embora oito anos possa parecer pouco tempo, quando ela suspeitara do comportamento de Israel pela primeira vez, estávamos em um momento em que pouco se falava, e se sabia, sobre o assunto. 

Por isso mesmo, conta que ela e o marido eram ignorantes sobre o tema quando souberam pela primeira vez os motivos que levavam o filho a agir como agia. Olhar para Israel hoje é ver o reflexo de todo empenho, dedicação e estudo que os dois tiveram para garantir que o menino tivesse o melhor desenvolvimento possível. 

– Nem se compara aquele garotinho tão desafiador da primeira infância. Vencemos a seletividade alimentar, ensinamos o uso do banheiro corretamente, pede tudo que quer e o que não quer, está aprendendo braille. Enfim, estamos num caminhar de evolução – pontua. 

Todos os estudos e pesquisas que fez para buscar conhecer melhor a condição do filho a levaram para um caminho de conhecimento que, segundo ela, lhe ‘soltou as algemas’. 

– Conhecendo um pouquinho mais do autismo, pouquinho porque o autismo é um universo, né? Me faz ver o filho tão único que eu tenho e poder compreendê-lo um pouco mais. Quando isso acontece, as dores diminuem, porque você aprende a lidar com as situações. 

Quando a questiono sobre um conselho que daria à Marcela de oito anos atrás, que havia acabado de receber o diagnóstico, demora um pouco a responder. Diz que é uma lembrança muito forte, mas fala:

– Aguenta, Marcela, porque você tem um longo caminho pela frente. Não é uma situação linear. Tem altos e baixos, então a gente tem que se revestir de uma força sobre humana. Se prepare. O autismo não é o fim do mundo. Você vai ter muitas alegrias de descobrir que um passo tão pequeno para outras pessoas vai significar uma vitória tão grande pra você. É um universo totalmente diferente – conclui.

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Kmylla só recebeu o diagnóstico de autismo aos 27 anos. Agora, compartilha com outras pessoas seu modo diferente de pensar e agir, além de conscientizar sobre o tema.