Uma criança com autismo pode aprender?
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Esse texto teve a colaboração de Dra Christiane Cobas Pedreira, clínica Neurologista Infantil na INISP e no Hospiral Sírio Libanês.

Uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) pode aprender porque o seu processo de aprendizado é semelhante àquele de qualquer outra criança da mesma idade e com desenvolvimento típico. Todos nós aprendemos por meio das nossas experiências, observações, raciocínios e interações com o ambiente. Isso não é diferente para uma pessoa com autismo e, por esse motivo, acreditamos que toda criança seja capaz de aprender!

A diferença é que no caso de uma criança com TEA precisamos dedicar mais atenção ao ambiente, realizando adaptações, uma vez que ela pode entender comportamentos e consequências de maneira um pouco diferente das demais crianças.

Para aprender, todas as crianças, inclusive aquelas com TEA, seguem a lógica comportamental baseada nos chamados A-B-Cs.

Entenda os A-B-Cs

Os A-B-Cs referem-se às três etapas relacionadas aos nossos comportamentos. Avaliar e entender essas três etapas pode nos ajudar a compreender, não apenas os nossos comportamentos em si, mas também o porquê de um determinado comportamento; além de como aprendemos através deles. As três etapas dos A-B-Cs são as seguintes:

  • Antecedente é o evento ou ação ativadora de um comportamento. Como o próprio nome sugere, a ação ocorre antes que comportamento ocorra. Essa ação motivadora pode ser verbal (por meio de um comando, uma solicitação ou um som) ou de maneira física, a partir da interação com um brinquedo ou um objeto, por exemplo. O antecedente pode ser externo à pessoa – a partir do ambiente ou de outra pessoa – ou interno – por meio de um pensamento ou sentimento.
  • Comportamento resultante (ou em inglês behavior), que se refere à resposta ou à falta da mesma após o antecedente. Tal comportamento pode ser expresso por meio de um gesto, fala ou ação.
  • Consequência é o momento posterior ao comportamento ocorrido. A consequência pode ser uma emoção, reação ou outro comportamento. A consequência interfere diretamente no entendimento da ação realizada. Por exemplo, a incorporação de um reforço positivo a um comportamento adequado pode estimular esse comportamento no futuro; assim como nenhuma reação para um comportamento inadequado inibe determinadas ações futuras.

Aprendizado e TEA

Uma criança diagnosticada com TEA, assim como todos nós, aprende a partir da lógica dos A-B-Cs! A única diferença é que ela pode entender certos comportamentos e consequências de uma maneira um  pouco diferente. Assim, seu processo de aprendizagem precisa considerar essas preferências e dificuldades específicas. Veja, isso não muda em nada o processo de aprender baseado nos A-B-Cs, será apenas necessário ter certo cuidado para que a criança com TEA desenvolva-se de maneira confortável e interativa.

Essa jornada para o aprendizado da criança é a base do tratamento para o TEA. O método mais estudado até o momento é conhecido como ABA (do inglês Applied Behavior Analyis, que traduzido para o português significa Análise do Comportamento Aplicada), tem justamente o objetivo de compreender o comportamento individual, suas lacunas, e a interferência do meio ambiente. A partir desse entendimento, cada indivíduo apresenta um plano específico de desenvolvimento com base em exercícios relacionados ao contato visual, atividades motoras, comunicação, linguagem, entre outros. Esse processo deve ser sempre acompanhado por uma equipe terapêutica especializada; a família, por sua vez, também tem um papel essencial para que o processo de aprendizagem de uma pessoa diagnosticada com TEA seja gostoso e divertido, como deve ser o de qualquer criança.

Nesse vídeo, separamos para você os três elementos chave para uma qualquer criança aprender.

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Kmylla só recebeu o diagnóstico de autismo aos 27 anos. Agora, compartilha com outras pessoas seu modo diferente de pensar e agir, além de conscientizar sobre o tema.