O que é o autismo ou TEA?

Esse texto teve a colaboração de Dra Christiane Cobas Pedreira, clínica Neurologista Infantil na INISP e no Hospiral Sírio Libanês.

O autismo ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, isso é, que surge no início do período de desenvolvimento da criança, e é uma deficiência que muda a maneira como a pessoa enxerga o mundo e interage com os outros. As características mais comuns são dificuldades em manter uma conexão com outra pessoa (seja pelo olhar ou fala), a presença de  movimentos repetitivos e o interesse por um tema ou objeto específico.

A definição do TEA, estipulado pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), considera transtornos que antes tinham outros nomes, como o de Asperger, por exemplo. Em alguns casos, a pessoa pode também apresentar deficiência intelectual ou outra comorbidade (quando duas ou mais doenças estão relacionadas). Por esses motivos, não existe um tipo único de autismo e cada pessoa lida com essa condição de maneira diferente, podendo ser diagnosticadas como leve, moderado e severo.

Diagnóstico e tratamento 

Não existe um único exame com o qual seja possível diagnosticar um paciente. Por isso, nossa recomendação é procurar profissionais das áreas de neurologia ou psiquiatria (normalmente um neuropediatra ou psiquiatra infantil). Esses profissionais realizam uma análise clínica, e, a partir de diversos fatores, consideram o paciente dentro do espectro ou não. Caso haja suspeitas de autismo em uma criança, é importante fazer o diagnóstico o mais breve possível. Isso porque quanto antes os portadores do transtorno iniciarem um acompanhamento, maiores as chances de desenvolverem todo o seu potencial e se integrarem à sociedade.

A maior parte dos tratamentos é baseado na aprendizagem e comportamento, sendo o método mais famoso conhecido por ABA. O ABA busca entender o comportamento do paciente e, ao longo do tempo, ajudar as pessoas a alcançarem metas e se desenvolverem. Uma vez que as características do paciente podem variar muito, todo o processo é individualizado e conta com uma equipe multidisciplinar (com neurologista, psiquiatra, psicólogo, pedagogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional) que trabalha em torno das dificuldades da pessoa para que ela se torne mais independente e bem sucedida ao longo do tempo.

Incidência e integração com a sociedade

Os casos de TEA são bastante comuns. Eles ocorrem com maior frequência em pessoas do sexo masculino do que do feminino, e aparecem em todos os grupos raciais, étnicos e sociais sem distinção, com aumento significativo dos diagnósticos nas últimas décadas. Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), uma em cada 59 crianças nos Estados Unidos são portadoras do transtorno. No Brasil, não temos certeza desse número, porém, se considerássemos esses valores, isso significaria cerca de 4 milhões de autistas no país.

Embora a integração com a sociedade é, na maioria das vezes, um desafio para o autista, algumas recentes leis buscam garantir maiores direitos às pessoas diagnosticadas com TEA. Por exemplo, hoje em dia, é assegurada pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI) o direito do autista a frequentar a escola, e, em janeiro de 2020, foi sancionada a  Lei Romeo Mion, que cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), documento gratuito que pretende garantir prioridade no atendimento nas áreas de saúde, educação e assistência social.

Nós, da Genial Care, sabemos as dificuldades e desafios que famílias com pessoas diagnosticadas com TEA  enfrentam todos os dias. Acreditamos que muitos passos ainda estão por vir, e que uma maior integração na sociedade é necessária não apenas para os pacientes e suas famílias, mas também benéfica para toda a sociedade.