Meu filho foi diagnosticado com TEA e agora?

Todo pai e mãe sabem o quanto é difícil receber o diagnostico para o TEA (Transtorno Espectro Autista) de um filho. Dentro de cada um passa um misto de emoção, o medo que seu filho não possa falar ou se desenvolver, e a insegurança da dependência total. Esses são sentimentos normais quando estamos falando de algo desconhecido.

Na sociedade pouco se fala sobre o TEA, mas, sabemos que muitas pessoas diagnosticadas com o Espectro Autista podem ter uma vida normal, brincar, estudar, trabalhar, e construir relacionamentos. Assim como qualquer outra pessoa. A única diferença é que a pessoa diagnosticada com autismo se desenvolve de forma específica, muitas vezes com uma preocupação a mais em relação ao ambiente e estímulos. Entenda nesse texto como a criança com TEA aprende!

Para você se sentir confortável nesse momento, separamos algumas dicas essenciais após receber o diagnóstico do TEA em uma pessoa próxima a você. 

O primeiro passo é quebrar o preconceito. A sociedade desconhece o assunto ou sabem pouco sobre ele. Quebre esses mitos! A criança e/ou adulto diagnosticado com autismo são iguais as outras pessoas, com a diferença que eles possuem uma forma particular de enxergar e interagir com o mundo e a si mesmo. Procure saber mais sobre o autismo, quanto mais informações, maiores serão suas conquistas e de seu filho. Compartilhe essas informações com familiares e colegas. Mostre o quanto é importante ter empatia com a criança e entender a forma como ela pensa. O autista pode se desenvolver de diversas formas e muitas vezes nos surpreendemos com a maneira como aprendem. Temos um novo mundo para conhecer.

Busque auxilio de profissionais especializados. Inicie os acompanhamentos terapêuticos o quanto antes. Quando as intervenções são realizadas precocemente a melhora é significativa, (podendo chegar a 80% de evolução¹) . As Intervenções ocorrem com uma equipe multidisciplinar composta normalmente por psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos, neuropediatras. É provável que o neuropediatra que diagnosticou seu filho indique os profissionais para o tratamento adequado. Conheça-os, tire suas dúvidas e lembre-se que você é quem melhor conhece seu filho e deve se sentir à vontade com a equipe que cuidará dele. Cada criança e família são únicas, por isso, as atividades para a evolução de seu filho devem ser escolhidas e direcionadas especialmente para vocês. A criança pode aprender e um tratamento adequado certamente será capaz de proporcionar a você e sua família uma melhor qualidade de vida.

Incentive seu filho a praticar atividades comuns e ser independente. Ensine e auxilie nas tarefas rotineiras e nos cuidados consigo mesmo. Assim como qualquer criança esperamos que que ele saiba se vestir, se alimentar, organizar o material escolar, brinquedos, etc. Divida as atividades da casa, elogie sempre que ele conseguir realizar qualquer ação sem auxílio. Não espere que a criança consiga realizar as tarefas de um dia para o outro. É esperado que a evolução ocorra de forma gradual e contínua. Veja aqui como criar uma nova rotina para seu filho.

Não esconda seu filho do mundo. É importante buscar a integração de seu filho e sua família à sociedade. É possível muitas vezes que parentes ou amigos tenham resistência, mas a palavra chave para esse momento é persistência e paciência².  O mesmo se aplica para a integração da criança nas escolas. Embora a pessoa diagnosticada com autismo possua o direito de frequentar a escola conforme a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), é comum que famílias encontrem algumas dificuldades. Pesquise a melhor opção para seu filho e trabalhe em conjunto com os professores para garantir o cuidado que ele merece.

Veja o lado positivo! O desgaste e o cansaço são naturais na maioria dos pais. É verdade que uma criança diagnosticada com um transtorno pode trazer muitas adaptações em casa. Mas a longo prazo, acompanhar a evolução da criança com autismo e principalmente sua felicidade pode ser muito rica e prazerosa.

E lembre-se, você não está sozinha(o).

Não se culpe, não se julgue e busque sempre uma rede de apoio. Existem muitos grupos de pais de crianças com TEA. Busque auxilio e converse. A troca de experiência é algo enriquecedor e acalentador. Lembre-se também que é importante que você tenha o seus espaços de descanso pessoal e momentos para você e seu o parceiro(a). Nós estamos constantemente separando histórias sobre famílias, como a da Cissa, ou do Israel.

Notas e referências:

¹ https://www.autismoemdia.com.br/blog/tratamentos-para-autismo-5-terapias-essenciais-para-o-tea/

² Palavras de nossa redatora Andresa: “A adaptação escolar é sempre conflituosa para todas as crianças, estar em um ambiente novo com pessoas desconhecidas causa insegurança em ambos (crianças e pais), se no primeiro choro ou crise os pais levá-lo para casa, todo o processo de socialização cai por terra.   “Falo por experiência própria meu filho não é autista e eu me sinto insegura todo inicio de ano letivo, assim como  amigas minhas.”

SILVA, Ana Beatriz Barbosa; GAIATO, Mayra Bonifacio; REVELES, Leandro Thadeu. Mundo Singular: Entenda o autismo. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva Ltda, 2012

https://psicologado.com.br/neuropsicologia/desenvolvimento-cognitivo-e-comportamental-da-crianca-natural-e-autista